quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “Redoma”, de Meg Wolitzer

Livro: Redoma
Autor: Meg Wolitzer (@MegWolitzer)
Editora: Globo Alt
Páginas: 287
Tradução: Alexandre Raposo
Resenha por: Monique Marie
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Considerado o melhor livro jovem de 2014 pela Time se inspira no clássico autobiográfico de Sylvia Plath para falar sobre a dor da perda e a busca pela aceitação na adolescência

Se a vida fosse justa, Jam Gallahue estaria vivendo sua vida tranquila em Nova Jersey, assistindo a séries de comédia e abraçando seu namorado, Reeve Maxfield. Ela não estaria infeliz e sem vontade de se levantar da cama, nem estaria em um internato para adolescentes “emocionalmente frágeis”, com uma colega de quarto esquisita. Mas a vida não é justa, Jam perdeu seu primeiro amor e está completamente perdida.

A mudança de escola parece a única possibilidade de recuperação para a garota, que passou quase um ano mergulhada em tristeza. No entanto, ela odeia a nova rotina e decide levar tudo com o menor esforço possível. Por isso, Jam fica bastante surpresa quando descobre que foi selecionada para a exclusiva e lendária aula de “Tópicos Especiais em Inglês”, da misteriosa Sra. Quenell.A turma tem mais quatro estudantes, todos com histórico de traumas ainda piores que os de Jam. Mesmo assim, a professora parece não se importar com a fragilidade de seus alunos quando escolhe o livro que trabalhará durante o semestre: A redoma de vidro, de Sylvia Plath. O romance, que narra a série de eventos que levariam a estudante Esther Greenwood a um colapso nervoso, parece a opção mais improvável, e talvez inadequada, para adolescentes que ainda estão superando experiências difíceis.Além das discussões sobre o livro, cada aluno tem a tarefa de escrever em um diário entregue pela professora. E é esse trabalho que leva Jam e seus amigos desajustados à Redoma, um lugar misterioso onde o passado pode ser revivido, e cada um dos alunos pode rever sua vida antes do momento traumático que levou ao internato. Repleto de referências ao clássico de Sylvia Plath, Redoma é um romance sobre o primeiro amor, o sofrimento profundo, o amadurecimento e os problemas de aceitação na adolescência. É também uma história sobre como a amizade pode ajudar a superar os piores traumas da vida.

“Mas todos sabem que evitar a dor é impossível. E eu acho que saber disso, além das experiências que vocês viveram, faz com que vocês não sejam frágeis. Isso os torna corajosos”.

Eu tenho muita sorte com livros que resenho para o Livros em Série. De todos que pego devo não ter gostado de um três no máximo, mas esse da Globo Alt entrou para a seleta lista de “Livros que mudaram a minha vida”. Então você, caro leitor, pode pensar: “Como um livro para adolescentes pode mudar a vida de uma pessoa adulta?” Explico de uma maneira simples: a autora usou adolescentes para conseguir explicar um problema que você só vai sentir quando chegar aos 30 e tantos anos de idade.

Falei e falei, mas ainda não falei o mais importante: Bruna, Livros em Série, Meg Wolitzer e Globo Alt: Obrigada por esse livro!

Hora da resenha, certo? A sinopse descreve bem o que é o livro. A tal Redoma é quase que uma “sociedade secreta” para alguns alunos extremamente especiais. Apesar do livro ser narrado em primeira pessoa pela Jam eu não consigo colocá-la sozinha como protagonista, seus colegas da turma de “Tópicos Especiais em Inglês” tem o mesmo nível de importância que ela para a história, assim como a Sra. Quenell. A autora soube como criar personagens densos, personagens obscuros que você sente a dor de todos conforme ela consegue despí-los de uma maneira brilhante.

A narrativa flui de uma maneira simples e você mal percebe que em quase 300 páginas você passou por um semestre completo de aula. Outro ponto positivo é o encaixe perfeito dos flashbacks. Eles não são poucos, já que são usados para explicar os traumas vivivos pelos personagens, mas a forma como a autora conseguiu colocar na história ficou leve, você não sente que estão te contando um fato, você sente que está vivendo este fato com o personagem. São poucos os autores que conseguem isso.

Meg conseguiu colocar em um livro vários problemas que passamos, desde traumas como perder alguém que se ama até distúrbios alimentares e descoberta da homossexualidade. É tudo tão bem abordado e de uma forma tão simples que torna esse livro quase que uma leitura obrigátória para que possamos entender como de uma hora para a outra a sua vida pode mudar drasticamente.

No livro somos apresentados a uma situação que são os alunos problemáticos da turma da Sra. Quenell, passamos por todo o desenvolvimento dessa situação, incluindo o profundo conhecimento de todos os fatos e temos uma conclusão que não deixa com aquele pensamento de que faltou algo. Foi extremamente bem construída e gostaria que mais livros fossem assim.

Não vou contar se Jam consegue superar o seu problema pois quero que vocês leiam e descubram a Redoma. Assim como Jam a descobriu nós também podemos descobri-la antes que seja tarde demais. “Todos têm algo a dizer – prossegue ela, olhando para todos nós – Mas nem todos conseguem dizê-lo. Seu trabalho é encontrar um meio”. Acredito que todos nós precisamos de uma Redoma, que todos nós precisamos de algo ou alguém que nos faça olhar para dentro e perceber que encarar o que vivemos é a melhor saída para aprender a viver com os traumas.

“Não podemos ter medo de mudar – diz ela – De outro modo, perderemos tudo”. Não tenham medo, peguem a história de Jam e seus colegas de classe para mudar a sua vida ou a vida de alguém próximo a você. Conheça Redoma, leia Redoma!


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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