quarta-feira, 15/11/2017
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Resenha: “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare

Shakespeare

 

Shakespeare: Romeu e JulietaLivro: Romeu e Julieta
Autor: William Shakespeare
Editora: Saraiva
Páginas: 143
Tradução: Bárbara Heliodora
Resenha por: Karol Garrett
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Julieta, a bela Capuleto, se apaixona por Romeu sem saber que o rapaz é um Montéquio. Apesar dos problemas que certamente teriam de enfrentar, pois suas famílias eram inimigas, os jovens escolhem viver a intensidade do sentimento que nutrem um pelo outro, decidindo se casar em segredo. As disputas das duas famílias, contudo, não deixam espaço para que o amor impossível do jovem casal possa florescer.

Em 2016 completam-se 400 anos de morte do dramaturgo William Shakespeare. Como alguns podem saber, venho me especializando no trabalho do Bardo faz algum tempo. Agora imaginem a minha felicidade quando o Livros em Série resolveu fazer um especial sobre Shakespeare?! Acho que um mês ainda é pouco para tudo que gostaria de dividir com vocês sobre o assunto mas, como sei que também não posso abusar da boa vontade das coleguinhas de site, vamos manter o nosso básico: as boas e velhas resenhas!

Resolvi começar pela peça mais famosa do autor, e ouso dizer, do mundo: Romeu e Julieta. Tá, tá, vocês sabem como é essa história e principalmente, não tem nenhuma novidade em como ela termina mas, deixo aqui a pergunta no ar, vocês já leram a peça?

Existem inúmeras versões cinematográficas dessa história, algumas fiéis ao enredo de Shakespeare, outras nem tanto, mas a essência do amor de Romeu e Julieta sempre é o mesmo.

A versão que recomendo nesse post é da maior especialista em Shakespeare que o Brasil já teve, Bárbara Heliodora. Ela era uma grande conhecedora da obra do Bardo e fez um trabalho maravilhoso nas suas traduções. Existe mais de uma edição da sua tradução da peça, não há diferença entre elas e todas contém um texto explicativo da Bárbara que ajuda muito na hora de ler a peça então, a que você encontrar na livraria mais próxima já está de bom tamanho. Não tem desculpinha, hein?!

Mas vamos à peça…

Duas famílias vivem em uma eterna briga, os Montéquios e os Capuletos. Ninguém sabe ao certo qual a origem dessa rivalidade, o que a gente sabe é que ela dura anos e que essas famílias não podem se ver na rua que já sai uma briga. É assim que começamos a peça, com uma briga entre eles e um mandado do Príncipe da cidade de Verona de que se houvesse outra briga entre eles, quem a começasse estaria encrencado com as autoridades.

Sabemos que Romeu e Julieta se conhecem em um baile de máscaras dado pela família da moça e que Romeu está lá de bicão. Agora pergunto, alguém lembra o motivo dele ter entrado de bicão na festa do seu maior inimigo? Esse é o tipo de detalhe que a gente não se recorda e não presta atenção. O que fica na nossa mente é o romance que acaba em tragédia mas, convido você a reler a peça pensando nesse detalhe, e em outros que você vai descobrir ao longo da história.

Comece daí a tentar enxergar um Romeu e uma Julieta diferente, finja que não faz ideia como a história termina e faça com os personagens o que você faz quando lê um livro novo, entenda a motivação e a emoção de cada um deles em cada momento do livro.

Deixo essa dica aqui e tenho certeza que a tão famosa cena do balcão vai ganhar um sentido novo para você. Aposto que a nova Julieta vai ser menos romântica e mais esperta e inteligente. Uma nova versão da peça vai aparecer na sua frente, uma versão que você não conhecia por já ler a peça pensando ‘ai, como é lindo! Ai, como é romântico! Ai, que tragédia!’.

Tenho certeza que vocês vão adorar ainda mais essa história, e os seus personagens, quando fizerem isso. Quando fui convidada, em outubro, para interpretar a Julieta, fiquei meio irritada, confesso. Assim como a maioria das pessoas, achava a história linda mas, não queria viver aquele ‘mi mi mi’ apaixonado da Julieta, para ser sincera, achava ela meio bobinha e esperava pegar um papel diferente. A dica que eu dei para vocês agora foi a mesma que eu recebi: releia sem pensar no final. E então eu percebi que a minha ideia da história e principalmente da Julieta, estava completamente embaçada e ter sido convidada para interpretar a Julieta foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida.

Outra dica que deixo aqui é que se tudo parecer muito complicado, ainda mais quando Romeu e Julieta estão se declarando, pare, respire e entre no clima. Shakespeare usa muitas figuras de linguagem, principalmente nessa peça. É algo bem poético, que dá um toque muito mais romântico ao casal apaixonado, mas que pode parecer difícil para quem a lê e não está acostumado com isso. Tente entender cada uma das palavras quando estiver achando alguma frase confusa, pare e pense o que talvez tenha sido a sua intenção ao escrever aquilo. Spoiler, se é que é possível, para a cena do encontro: as mãos quando rezam, se unem, palma com palma. O safadinho do Romeu quer que os lábios façam o que as mãos fazem quando rezam, ou seja, palma com palma, boca com boca. São coisas que podem parecer meio complicadas mas, que se você parar para pensar, deixa o texto ainda mais bonito.

Depois disso espero você aqui nos comentários para trocarmos figurinhas e conversar sobre as novidades que descobrimos ao reler a tão famosa obra de William Shakespeare. E mais importante que reler, quando puder, não deixe de assistir a peça montada. Shakespeare não escreveu as suas peças para serem lidas, e sim escutadas. Ouvir as palavras saídas da boca de um ator bem treinado vai te emocionar muito mais!


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Karol

Atriz ruiva tão viciada em Shakespeare que foi até parar lá no palco do Globe Theatre de Londres de tanto que encheu o saco! Sem papas na língua,que sempre dá preferência a livros históricos e com culturas diferentes. Não leu Harry Potter ou Senhor dos Anéis, jogou Crepúsculo longe no meio do segundo livro mas é capaz de devorar qualquer livro que contenha um rei, um indiano ou um espírito no meio. Estranha, usa personagens românticos como referencia quando briga com o namorado, transforma tudo em um drama histórico e deseja silenciosamente transformar todos os livros que lê em filme.

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