segunda-feira, 23/10/2017
Últimas do LeS:
Capa » Resenhas de Série » Resenha: “Pela noite eterna”, de Veronica Rossi

Resenha: “Pela noite eterna”, de Veronica Rossi

Pela noite eternaLivro: Pela noite eterna (#02)
Série: Never Sky
Autor: Veronica Rossi (@rossibooks)
Editora: Rocco
Páginas: 304
Tradução: Alice Klesch
Resenha por: Lais Baptista
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Amazon + ofertas

Ambientada 300 anos após uma catástrofe que devastou a Terra, num mundo dominado por um governo autoritário disposto a manter o poder a qualquer preço, a trilogia Never Sky acompanha a saga da jovem Aria, ex-moradora de Quimera, um núcleo de civilização protegido por um domo e sem qualquer contato com o mundo exterior, e Perry, considerado um Forasteiro. Se no primeiro volume da série, Sob o céu do nunca, os destinos dos jovens se cruzam numa improvável (e perigosa) aliança pela sobrevivência, agora, em Pela noite eterna, eles anseiam por um reencontro. Mas muitos obstáculos e algumas armadilhas se impõem no caminho dos dois. Fantasia, ação, ficção científica e uma história de amor inesquecível fazem da série de Veronica Rossi um mundo perigoso e cruel, mas ao mesmo tempo belo e digno da tradição de sagas como Jogos Vorazes e Divergente.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

“O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode domesticar.”

Demorou, mas finalmente temos a continuação de Never Sky no Brasil. Eu acabei lendo o resto da série em inglês, mas nessa resenha vou tentar lembrar meus sentimentos ao ler Pela noite eterna pela primeira vez.

A primeira coisa a ser dita é que Pela noite eterna escapa da “maldição do segundo livro”, onde o segundo livro de uma trilogia tende a ser pior que o primeiro e desapontar os fãs da série. Rossi consegue manter as características que encantaram no primeiro livro e aprofundá-las. Temos ação, romance, risadas, momentos tensos, todos trabalhados de forma muito “jeitosa” e envolvente. É um livro tão apaixonante quanto o primeiro da série.

A estratégia de começar alguns meses depois do final do livro antecessor é muito boa, porque cria uma nova situação, novos problemas para as personagens. Ária não está mais aprendendo a viver no lado de fora, ela já sabe dominar seu Sentido e suas facas muito bem, obrigada. Perry, porém, ainda está se adaptando como Soberano de Sangue, principalmente porque ele não consegue ganhar a confiança da tribo. E é claro que essa tensão só aumenta com a chegada da Ária.

São alguns capítulos bem tensos, mas ainda bem que Rossi não se demorou muito nisso, porque teria ficado cansativo. Em vez disso ela trabalhou a dinâmica dos dois sozinhos. Perry e Ária se amam, e a menos que algo dê muito errado no terceiro livro (e acredite, no mundo de Never Sky, as coisas dão errado frequentemente), mas eles têm suas vidas separados, são independentes e esse livro mostra esse lado.

Uma das coisas que podemos ver é a amizade de Ária e Roar, que é deliciosa. Num mundo onde muita gente ainda duvida de amizades platônicas entre homens e mulheres, a deles é simples e profunda, muito bem escrita. A parte do enredo que segue eles pra mim é a mais dolorosa, porque é uma jornada de quebra de espectativas, de perca da esperança. Dolorosa, mas necessária, porque faz contraste com a jornada do Perry, de um líder hesitante para um líder que encontrou seu caminho, que toma suas decisões com calma e segurança.

Quando se encontram no final do livro, Perry e Ária não são os mesmo do que quando se re-encontraram no início dele. E, pelo visto, agora será a vez da Ária provar que poder ser forte e liderar. Espero que o Perry não precise quebrar para se igualarem.

Com a mudança de editora, tivemos também outras mudanças, como por exemplo a capa do livro. Uma das coisas que mais tinha me encantado na versão brasileira foi que me apaixonei pela capa de primeira. Era bem mais bonita que a versão original (e todas as outras versões internacionais que eu tinha visto). Mas isso agora está no passado e a série está sendo lançada com as capas americanas. Não gostei muito dessa decisão (afinal, quem é aquele mauricinho na capa com uma blusa imaculadamente branca?), mas pra mim o pior foram os vários erros de tradução que percebi ao longo do livro. Alguns fizeram as frases perderem o sentido, uma sensação quase de google tradutor, o que é muito triste considerando que o trabalho vem de uma boa editora. Estou torcendo para que corrijam isso nas edições futuras.

Num geral, mal posso esperar para (re)ler o último livro da trilogia. Espero que a Rocco esteja pensando em disponibilizar os contos extras também, porque eles são ótimos aperitivos entre os livros e só aprofundam o universo.

“— Achei que seria mais fácil simplesmente partir.
— E eu suponho que você estivesse errada.
Ela assentiu.
— Partir nunca é fácil.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*