sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Péricles, príncipe de Tiro”, de William Shakespeare

Especial Shakespeare

 

Shakespeare: Péricles, príncipe de TiroLivro: Péricles, príncipe de Tiro
Autor: William Shakespeare
Editora: Iluminuras
Páginas: 170
Tradução: José Roberto O’Shea
Resenha por: Karol Garrett
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Escrita provavelmente em 1608, Péricles, príncipe de Tiro, é a primeira peça (no jargão crítico “romance”) do período final e mais amadurecido da dramaturgia de William Shakespeare. Embora os motivos ainda não estejam inteiramente esclarecidos, a peça não foi incluída no célebre Fólio de 1623, primeira coletânea das ‘obras completas’ do dramaturgo de Stratfod-upon-Avon. Curiosamente, a não inclusão na coletânea talvez se explique porque o trecho que corresponde aos dois primeiros atos do venerável périplo do protagonista pelo Mediterrâneo, na divisão da peça em atos feita posteriormente à sua publicação (em 1609) não costuma ser atribuído a Shakespeare, mas a um colaborador, George Wilkins, segundo a opinião da maioria dos estudiosos.

Seguindo com o nosso especial sobre os 400 anos de morte de William Shakespeare, decidi hoje falar sobre uma peça pouco conhecida e que raramente é montada no Brasil, Péricles, príncipe de Tiro.

Assim como em outras inúmeras peças, entre as mais famosas as peças históricas, Shakespeare se inspirou em um personagem real para escrever uma nova trama. Péricles realmente existiu na Grécia e foi um ótimo guerreiro, extremamente popular que incentivou a cultura e literatura na época. Porém, sua maior inspiração foi a saga de Apolônio de Tiro, história que surgiu no século V A.C. e sobreviveu no boca a boca durante os anos até ganhar inúmeras versões através de alguns escritores.

O Péricles de Shakespeare, apesar de nobre, acaba precisando enfrentar diversos problemas na sua vida pessoal. A peça começa com Péricles e sua esposa Dionísia em alto mar, ela grávida. No meio de uma tempestade Dionísia dá a luz a uma menina, Marina, a primeira e única filha de Péricles. A felicidade dele dura pouco quando descobre que a sua mulher morreu logo após o parto. Segundo a tradição de quem vive em alto mar, todos que morrem devem ter seus corpos jogados na água para evitar má sorte enquanto navegam. Péricles, então, é forçado a jogar o corpo de sua mulher em alto mar.

Quando eles finalmente conseguem chegar à terra firme, são muito bem recebidos. Os reis do local são muito caridosos e de dispõem a cuidar de Marina, uma bebê órfã de mãe, enquanto Péricles volta à guerra para recuperar as suas terras. A dor de uma nova separação o machuca, mas ele sabe que é preciso.

Anos se passam, Péricles fica longe de Marina que, crescendo linda e inteligente, desperta a inveja da Rainha que havia prometido cuidar dela. Mas isso não tem nada a ver com a Branca de Neve não, gente! O problema é que a Marina era tão linda que ofuscava a beleza da filha verdadeira do casal, deixando a única princesa sem pretendentes. Para se livrar do problema, Marina é sequestrada.

Para evitar spoilers, pois sei que poucos conhecem a peça, deixo aqui apenas que o final é emocionante e muito bonito. Uma peça cercada de tristezas, de desencontros, desilusões mas, cheia de amor e esperança.

Escolhi indicar a tradução do professor José Roberto O’Shea pois é uma tradução moderna, sem aquelas palavras do português arcaico que só as nossas bisavós entenderiam. Além disso, acho muito legal as notas de rodapé que ele deixa ao longo do livro que são muito explicativas, ajudam a entender melhor a história, o texto e a tradução. A maior parte dos diálogos da peça é em verso, e ele respeitou isso na tradução. Aconselho a quem não tem costume de ler textos em verso duas coisas:

  • Lembrar que o fim da frase não é ao fim de cada linha do verso, e sim na pontuação. Ao ler não dê pausas entre uma linha e outra, leia como você leria um diálogo em prosa, seguindo uma fluidez.
  • Preste atenção na diferença entre os momentos e os personagens que falam em prosa e em verso. Shakespeare não fez isso sem querer, há um significado por trás e entender isso pode trazer um brilho a mais para a sua leitura.

E para finalizar, o que já disse na resenha anterior, Shakespeare foi feito para ser ouvido. Ler os seus trabalhos é maravilhoso, mas é ainda mais bonito quando você o escuta. Então, sempre que tiver a oportunidade de assistir uma montagem das suas peças, não a perca. Se ela tiver sido bem feita, com um trabalho atento dos atores e diretores, você vai amar a história ainda mais.


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Karol

Atriz ruiva tão viciada em Shakespeare que foi até parar lá no palco do Globe Theatre de Londres de tanto que encheu o saco! Sem papas na língua,que sempre dá preferência a livros históricos e com culturas diferentes. Não leu Harry Potter ou Senhor dos Anéis, jogou Crepúsculo longe no meio do segundo livro mas é capaz de devorar qualquer livro que contenha um rei, um indiano ou um espírito no meio. Estranha, usa personagens românticos como referencia quando briga com o namorado, transforma tudo em um drama histórico e deseja silenciosamente transformar todos os livros que lê em filme.

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