segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “Poirot investiga”, de Agatha Christie

Poirot investigaLivro: Poirot investiga (#03)
Série: Hercule Poirot
Autor: Agatha Christie
Editora: BestBolso
Páginas: 238
Tradução: A. B. Pinheiro de Lemos
Resenha por: Bru Fernández
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O conto não é o gênero em que Agatha Christie usou o melhor de sua imaginação criminosa. Em compensação, foi nas narrativas curtas que a Dama do Crime demonstrou um insuspeitado talento literário, escrevendo em um estilo mais elaborado e límpido, como o leitor poderá conferir nessa coletânea.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

#01 - O misterioso caso de Styles #02 - Assassinato no campo de golfe

“— Meu deus, Poirot! Sabe, eu pagaria um bom dinheiro para ver você fazer papel de bobo, pelo menos uma vez! Você é tão absurdamente convencido!”

O terceiro livro de Hercule Poirot não traz uma grande história sobre o detetiva belga, mas sim 14 curtos contos, porém igualmente envolventes! Começamos a leitura por A aventura do estrela do Ocidente, que narra a aventura que Poirot e seu fiel amigo Hastings se enfiam ao tentar evitar o roubo de um enorme diamante. Tudo parece uma enorme confusão, mas uma vez elucidado o caso, tudo parece absolutamente simples, como costuma ser com os mistérios de Christie.

Em A tragédia de Marsdon Manor, Hercule é enviado por uma seguradora para investigar a morte suspeita de um senhor que recentemente havia feito um seguro de vida de alta quantia. Uma situação bem suspeita. Poirot deve investigar se a morte foi natural, suicídio ou assassinato. O desfecho é de cair o queixo, com uma resolução bárbara de tão inesperada.

O terceiro conto, A aventura do apartamento barato, pra mim, foi o conto mais sem graça da coletânea, com uma narrativa que puxa mais para o lado da espionagem internacional. Ao investigar um apartamento para descobrir porque sua locação é tão barata, a dupla Poirot e Hastings se deparam com uma grande – e chata – conspiração.

O mistério de Hunter’s Lodge nos apresenta uma mudança na narrativa que estamos acostumados: Poirot está muito doente e impossibilitado de assumir um caso. Hastings então vê a sua chance de brilhar e assume as rédeas do caso, depois de prometer que irá relatar tudo nos mínimos detalhes para o belga por telegramas. Temos a presença do nosso conhecido Inspetor Japp, que investiga o caso para a Scotland Yard. Obviamente, mesmo longe da cena do crime, Poirot leva a melhor sobre seus colegas e descobre o verdadeiro assassino através da leitura dos detalhados relatórios de Hastings. Mais uma prova do incrível poder de dedução do detetive, porém, nesse conto a punição do culpado acontece de uma forma inesperada.

No próximo caso, O roubo de um milhão de dólares em Títulos do Tesouro, Poirot é requisitado para investigar o sumiço de títulos do tesouro que estavam em um navio. O sr. Ridgeway viajava à bordo do Olympia, rumo a Nova York para levar esses títulos. No último dia de viagem, porém, sua mala – que, vale ressaltar, era uma mala extremamente segura – some. De longe, é um dos casos mais simples desse volume.

A aventura da tumba egípcia ou A maldição do túmulo egípcio nos apresenta a kryptonita do estimado detetive belga: viagens de navio. Esse conto tem como pano de fundo um dos destinos preferidos da autora: Cairo, no Egito. Uma sucessão de mortes que ocorrem durante a escavação do túmulo do Rei Men-her-Ra são atribuídas a uma terrível maldição. A pedido de uma mulher atormentada, Poirot e Hastings vão até o Cairo investigar de perto o caso. Chegando ao local, Poirot rapidamente decifra o mistério, mas o leitor precisa esperar para compreender as intenções do peculiar detetive. Foi uma das ambientações que eu mais gostei e desejei que o conto fosse mais longo. Entre outros títulos da autora que se passam no Egito estão E no final a morte e A morte no Nilo.

Em O roubo das joias no Grand Metropolitan Hastings resolve convidar Poirot para um fim de semana tranquilo em um famoso hotel. O objetivo era descansar, mas roubos, assassinatos e conspirações parecem atrair essa dupla. Nesse caso, o diabo está nos detalhes. É exatamente um ínfimo detalhe que leva Poirot a desvendar os verdadeiros ladrões do exuberante colar de pérolas da sra. Opalsen.

Já em O primeiro-ministro sequestrado temos um caso de teor mais político. Se passa na época da SGM e a trata-se da tentativa de assassinato e sequestro do primeiro ministro da Inglaterra. O ministro sumiu a caminho da França, onde participaria de uma conferência em que sua presença era de suma importância. A questão central do mistério é porque sequestrar o ministro se já tentarão matá-lo? Um caso recheado de “porquês” que não parecem levar a lugar algum. O jeito peculiar de Poirot trabalhar é o foco desse conto, com o detetive tomando decisões aparentemente absurdas, porém sempre certeiras.

O desaparecimento do Sr. Davenheim: em uma visita social a Poirot e Hastings, o inspetor Japp aposta que o belga não consegue solucionar o mistério do desaparecimento de um senhor, sem sair do conforto da sua casa. Japp se diverte com a prepotência de Poirot, inclusive durante a investigação do caso quando o detetive faz as perguntas mais absurdas ao inspetor. Claramente, o peculiar dono das células cinzentas leva a melhor, como sempre, usando o método para desvendar o que nenhum outro conseguiu. Ótima história!

A aventura do nobre italiano ou A aventura do aristocrata italiano conta um caso bem confuso do assassinato de um cliente do médico amigo de Poirot e Hastings. Durante uma visita a seus vizinhos, o médico recebe a ligação do conde Foscatini, afirmando que está sendo assassinado. Os três então correm para a casa do conde, local do crime, e mais uma vez as células cinzentas de Poirot saem na frente dos leitores. Imaginei que as pistas levavam para um desfecho e nos últimos parágrafos toda a minha teoria ruiu, frente as explicações de Poirot. Senti a raiva de Hastings na pele!

“Poirot estava certo. O danado tem razão.”

Por último, O caso do testamento desaparecido é um conto descontraído que mais parece uma caça ao tesouro, uma forma leve de fechar o livro, pelo menos a minha edição que, infelizmente, é bem antiga – a terceira edição publicada pela Record! – e vem com contos a menos, por isso não falei sobre A dama de véu, A mina perdida e A caixa de bombons. Mas a edição que está disponível para compra nos links possui todos os 14 contos. Aproveite ;)


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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