quinta-feira, 12/10/2017
Últimas do LeS:
Capa » Resenhas de Série » Resenha: “Incendeia-me”, de Tahereh Mafi

Resenha: “Incendeia-me”, de Tahereh Mafi

Incendeia-meLivro: Incendeia-me (#03)
Série: Estilhaça-me
Autora: Tahereh Mafi (@TaherehMafi)
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384
Tradução: Bárbara Menezes
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Amazon + ofertas

O destino do Ponto Ômega é desconhecido. Todas as pessoas com quem Juliette se importa podem estar mortas. Talvez a guerra tenha chegado ao fim antes mesmo de ter começado.
Juliette foi a única que restou no caminho d’O Restabelecimento. E sabe que, se ela sobreviver, O Restabelecimento não sobreviverá.
Entretanto, para destruir O Restabelecimento e o homem que quase a matou, Juliette vai precisar da ajuda de alguém em quem nunca pensou que pudesse confiar: Warner. Enquanto eles lutam juntos para combater o inimigo, Juliette descobre que tudo que ela pensava saber sobre seu poder, sobre Warner e até mesmo Adam era uma mentira.

#02 - Liberta-me

“Palavras, eu penso, são criaturas muito imprevisíveis.
Nenhuma arma, nenhuma espada, nenhum exército nem rei um dia será mais poderoso que uma frase. As espadas podem cortar e matar, mas as palavras vão golpear e ficar, enterrando-se em nossos ossos para virarem corpos mortos que carregamos para o futuro, sempre cavando e sem conseguir arrancar seus esqueletos de nossa carne.”

Resolvi começar essa resenha com essa frase sobre palavras e frases pois ela representa muito bem o universo criado pela Tahereh Mafi na série Estilhaça-me. O foco nas narrativas da autora são as palavras e como uma estudante de Letras, esse provavelmente é um dos motivos pelos quais eu me apaixonei pela escrita da autora. Só demorei para ler esse desfecho devido às minhas leituras cortesias do site, mas confesso que li bem devagar, pois não estava totalmente preparada para me despedir de Juliette, Warner e Kenji.

Incendeia-me começa de onde paramos em Liberta-me, quando Anderson, querendo ensinar uma “lição” para o seu filho, atira em Juliette e deixa a bagunça toda para trás para Warner cuidar. Acontece que Warner consegue salvar a vida de Juliette, mas seu pai não sabe disso. É o começo da principal rebelião da personagem contra o Reestabelecimento e seu pai.

O triângulo amoroso que a autora criou entre as personagens foi muito bem criado e arquitetado, deixando mimimis adolescentes de lado e fundamentando os sentimentos e ações de cada um deles, Juliette, Warner e Adam, em fatos mais profundos. Sempre torci por Warner, o “vilão”, mas nesse volume Adam me conquistou ao demostrar suas emoções à flor da pele. As coisas não foram fáceis para ele, seu orgulho foi jogado fora, seu coração, despedaçado e ele precisa lidar com inúmeros problemas ao mesmo tempo. Também foi interessante acompanhar o processo de socialização de Warner. Ele começa a finalmente baixar a guarda nesse volume. Porém, o que mais me agrada em Warner é a sua sinceridade. Por mais cruel que seja a verdade, para ele ou para os outros, ele é sempre sincero, especialmente com Juliette.

“— Vou decepcioná-la. Sou, de todas as formas, o ser humano cheio de defeitos que você acha que não sou.”

Porém, a personagem mais carismática do livro – e o verdadeiro ponto de suporte de Juliette durante seu treinamento – é Kenji. A interação dele com Juliette é ótima e foi muito interessante ver que apesar de ser o alívio cômico da história, ele também se cansa de fazer piadas o tempo todo e demonstra um lado mais sensível.

O desfecho dessa série pode não agradar se você espera um final de proporções e escalas épicas dignos de A esperança, que acompanha todo o rumo de uma nação depois de uma revolução. O enredo de Tahereh não foca no universo criado pela autora, mas sim em Juliette e sua jornada pessoal para lidar com seus poderes, seus conhecimentos e com a sua vida. O foco da narrativa dessa série foi sempre voltado aos personagens, sejam eles principais – o triângulo Juliette, Adam e Warner – ou não. Se você espera mais sobre o que vai acontecer com o Reestabelecimento e o povo que vive nele, é melhor repensar suas expectativas.

Um enredo talvez um pouco acelerado demais, a série poderia facilmente ter mais um volume, ou, pelo menos, um volume mais longo. Infelizmente nada dura para sempre e é hora de dizer adeus a essa incrível série. Com um final com cara de começo, a trilogia de estreia de Tahereh Mafi, infelizmente, chega ao fim. Espero que o estilo prolixo de escrita rebuscada da autora persista em suas próximas histórias, afinal, foi o que me deixou encantada por suas histórias.

“E nós somos aspas, invertidas e de ponta-cabeça, agarradas uma à outra no final desta sentença de vida. Presos por vidas que não escolhemos.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*