sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Euforia”, de Lily King

EuforiaLivro: Euforia
Autor: Lily King (Site)
Editora: Globo Livros
Páginas: 247
Tradução: Adriana Lisboa
Resenha por: Nina Lima
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Nova Guiné, década de 1930. A bem-sucedida antropóloga norte-americana Nell Stone retorna para o cenário que a tornou famosa à procura de uma nova tribo que enriqueça suas pesquisas. Ela está acompanhada de seu marido, Fen, também antropólogo em busca da glória científica, embora seu nome seja constantemente ofuscado pelo da esposa. Após visitar diversas tribos sem descobrir nada de notável, eles estão exaustos, doentes e prestes a perder as esperanças. É quando o caminho do casal cruza com o de Andrew Bankson, antropólogo inglês em início de carreira que está esmiuçando os hábitos dos nativos que vivem às margens do rio Sepik. Assim, Nell e Fen acabam compartilhando não apenas o cotidiano e as inquietações de Bankson como também um sentimento ainda mais profundo, compondo um triângulo amoroso intenso, visceral e extremamente perigoso.

Livremente baseado em um período da biografia da polêmica antropóloga Margaret Mead, Euforia figurou por meses na lista dos mais vendidos do New York Times e foi escolhido como livro do ano por veículos como Guardian, Washington Post, Observer, New York Magazine, Vogue, Marie Claire, Salon. Mais do que um romance que retrata a época de ouro da antropologia, Euforia é uma obra sobre amor, traição, disputas de egos e como reagimos quando somos obrigados a viver no limite.

“Saí antes do nascer do sol. A água estava opaca e as margens, silenciosas. Ela me deu, antes da partida, uma caneca de chá e uma caixa de caramelos. Normalmente me dava uma garrafa de uísque, e senti que os doces eram um insulto, uma espécie de rebaixamento, mas chupei um após o outro ao longo de todo o caminho de volta.”

Ao ler a sinopse do livro e constatar que se tratava de uma história sobre um triângulo amoroso num lugar remoto, achei que leria uma versão mais contida de algum livro adulto, do estilo Cinquenta tons de cinza, mas foi uma ótima surpresa que não tenha sido. Euforia é muito mais sobre um estado de grande entusiasmo no compartilhamento de ideias e conclusões científicas do que sobre o amor, e o título contribui com essa confusão, mas a história é bem mais profunda.

Quando a história começa, ela enfoca bastante na relação entre Nell e Fen, de como ele, no papel de marido, constantemente tenta diminuir a esposa, pelo fato de que ela se aprofunda numa linha de pesquisa antropológica que ele não concorda e até desmerece. Com todas as atitudes de Fen, cresceu em mim enquanto leitora, uma grande antipatia pelo personagem. Claro, há que se considerar que o personagem é bastante consistente com o comportamento masculino em sua época, a década de 30, onde a mulher era uma figura mais submissa, e deveria viver à sombra do marido, logo, ser bem sucedida no campo científico não era algo muito comum.

O casal Nell e Fen estava bastante frustrado com o rumo de suas pesquisas, porque a tribo a qual estudavam não atendeu às expectativas da pesquisa de ambos. A história começa a tomar uma outra forma quando o casal se encontra com o inglês Andrew Banks, que estuda tribos de uma região um pouco diferente, e ele oferece ajuda a encontrar uma tribo que esteja mais “aberta” a ser pesquisada.

Depois de várias conversas sobre seus ramos de pesquisa, fica evidente uma certa atração física entre Banks e Nell, mas a atração intelectual entre os três principais personagens é maior e mais forte. A história se desenrola com as conclusões e descobertas acerca da tribo que recebeu Nell e Fen, e as contribuições de Banks em suas pesquisas.

Eu acho bastante difícil avaliar um livro do qual eu gosto tanto da escrita. Apesar de não estar nem um pouco familiarizada com a pesquisa antropológica, a leitura é fácil, fluida e empolgante. Alguns detalhes me passaram batido, como descrição de tribos e outros termos técnicos que eu desconhecia, mas é bem fácil de captar as intenções por trás da explicação técnica.

Eu gostei bastante da leitura. Acho que é livro que vale a pena ler, pra fugir um pouco do “comum” que são as histórias de amor, e sobre as interações e experiências humanas. É uma leitura rápida, gostosa, com uma história muito bem escrita, bem amarrada e com um desfecho impressionante e arrebatador.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Nina Lima

Poderia ser qualquer outra coisa, mas resolveu ser turismóloga e apaixonada pela Inglaterra e pelo McFLY. Leu a trilogia Jogos Vorazes em três dias e amou; considera Harry Potter a melhor série do mundo, adora a escrita da Meg Cabot e topa qualquer YA Book.

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