sábado, 23/09/2017
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Resenha: “A ilha perdida”, de Barry Wolverton

A ilha perdidaLivro: A ilha perdida (#01)
Série: As crônicas da Tulipa Negra
Autor: Barry Wolverton
Editora: Agir Now (agora HarperCollins Brasil)
Páginas: 288
Tradução: Ronaldo Rogerio Freitas Mourão
Resenha por: Bru Fernández
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1599, a Era dos Descobrimentos na Europa. Para Bren Owen, porém, crescer na cidadezinha de Map na costa da Bretanha, significa tudo menos aventura. Enfeitiçado pelas histórias que os marinheiros trazem de suas viagens, e inspirado pelos mapas enigmáticos criados pelo pai cartógrafo para o cruel e carismático navegador Rand McNally, Bren está convencido de que a fama e a fortuna esperam mundo afora. O problema é que suas repetidas tentativas de fuga lhe trazem uma punição pior que a morte: limpar o vômito dos aventureiros que frequentam o Clube dos Exploradores.
É lá que Bren conhece um marinheiro moribundo, que dá a ele um estranho presente que esconde uma mensagem secreta. Aliando-se a um misterioso almirante holandês, obcecado há anos por uma lenda chinesa sobre uma ilha que desapareceu dos mapas, Bren descobre que a mensagem secreta parece levar a um fabuloso tesouro perdido, capaz de mudar sua vida e a do pai viúvo para sempre.
Em pouco tempo, o menino se vê em meio a um perigo maior do que jamais poderia ter imaginado, e precisa da ajuda de um amigo inusitado, Mouse, para sobreviver. A aventura eletrizante de Barry Wolverton percorre os sete mares e muitas culturas, unindo os folclores ocidental e oriental, e prova que, no mar, a sorte é sempre uma faca de dois gumes.

“Ele tinha certeza de que seu pai não sonhava, nem mesmo quando estava dormindo.”

Quando comecei a ler A ilha perdida esperava um livro cheio de mistérios, tesouros perdidos e aventuras em alto-mar e é exatamente isso que o autor, Barry Wolverton, entrega ao leitor. O que eu não esperava era a pitada de fantasia que o primeiro livro da série trouxe, dando o tempero especial e único à narrativa.

O enredo se passa no ano de 1599, e esse fato por si só já é uma grande inovação tanto no terreno YA e quanto no fantástico. Estava tão acostumada a ler livros distópicos e futuristas que ter essa mudança para séculos passados foi uma mudança de ares revigorante. Na história acompanhamos o jovem Bren, de 12 anos, que tem um espírito aventureiro e que não suporta mais ficar preso em Map, na Bretanha, cidade onde ele nasceu e mora com o pai, um talentoso cartógrafo de memória fotográfica que consegue copiar e criar mapas com precisão. Apesar desse incrível talento, a família de Bren é uma das mais pobres da cidade, sendo descrita como uma das poucas que vive em uma casa com teto de palha e infestada de ratos. A mãe de Bren faleceu há dois anos e depois disso o pai de Bren se fechou para a vida e ficou melancólico.

Sendo Map uma cidade portuária, desde que perdeu a sua mãe, tudo o que Bren deseja é se infiltrar em um navio e “fugir” para viver grandes aventuras no mar, como as descritas nos livros que ele devora e tanto adora. Coloquei fugir entre aspas porque para o jovem partir em uma grande aventura significa voltar, cheio de riquezas, para melhorar a sua vida e de seu pai, e cheio de histórias fantásticas para contar. Os sonhos aventureiros do garoto são recheados de boas intenções e glória. Entretanto, em todos os navios que o jovem tentou se infiltrar ele acabou sendo descoberto, só que depois que os navios partiram, sem ele, nenhum chegou a retornar, todos sofrendo trágicos acidentes em alto-mar. Coincidência ou sorte?

É muito fácil se afeiçoar ao personagem principal. Bren tem espírito justo e aventureiro, mas não é apenas pela aventura que ele deseja sair de Map. Apesar de ter herdado os dons do pai para desenhar mapas ele não deseja seguir os seus passos e trabalhar para McNally, o chefe de seu pai, pois mesmo sendo tão jovem ele consegue perceber o quanto o pai é explorado e nunca teve uma oportunidade real de crescer e se destacar na vida. Outra personagem que não aparece tanto eu gostaria, mas que promete ter um papel importante na série, é Archibald Black. Dono de um antiquário e vasta biblioteca, é o único verdadeiro amigo de Owen em Map, apesar de ser um velho rabugento. Os dois têm uma relação mais profunda do que Bren tem com o próprio pai, e Black era um grande amigo da mãe do menino.

Até que chega o dia em que a vida de Bren começa a mudar em uma sucessão de acontecimentos aparentemente normais, mas que desencadeiam uma grande mudança na sua vida. Primeiro ele é punido com um trabalho no Vomitorium, só pelo nome já dá pra perceber que não é nada agradável, ele acaba ganhando uma moeda – na verdade um paiza – de um dos “clientes” e a peça parece ser mágica, ele descobre a Ordem da Tulipa Negra, ou no original Volgorde van de Zwarte Tulp, um grupo de elite de neerlandeses comprometidos com a exploração do extraordinário, e, claro, finalmente consegue o que tanto queria: embarcar em um navio em busca de um grande tesouro. Mas será que essa viagem será como Bren sempre sonhou?

Uma história de aventura muito bem contada com a dose certa de fantasia e suspense. Não estava muito empolgada quando iniciei a minha leitura, mas agora mal posso esperar para saber quais são as próximas aventuras que aguardam o jovem Bren, de Map.

“— Ele está certo — concordou o sr. Van Decken. — Chegamos até aqui, por que correr riscos?
[…] — Correr riscos foi o que me trouxe até aqui — ele respondeu. — Por que parar agora?”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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