domingo, 19/11/2017
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Resenha: “Vocação para o mal”, de Robert Galbraith

Vocação para o malLivro: Vocação para o mal (#03)
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith (pseudônimo de J. K. Rowling)
Editora: Rocco
Páginas: 496
Tradução: Ryta Vinagre
Resenha por: Lais Baptista
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Quando um misterioso pacote é entregue a Robin Ellacott, ela fica horrorizada ao descobrir que contém a perna decepada de uma mulher. Seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, fica menos surpreso, mas não menos alarmado. Há quatro pessoas de seu passado que ele acredita que poderiam ser responsáveis por tal crime – e Strike sabe que qualquer uma delas seria capaz de tamanha brutalidade. Com a polícia focada no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin põem as mãos à obra e mergulham no mundo sombrio e distorcido dos outros três homens. Entretanto, quanto mais acontecimentos horrendos acontecem, mais o tempo se esgota para ambos.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

#01 - O chamado do cuco #02 - O bicho-da-seda

“De certo modo, o que ela queria não era uma explicação. Ela simplesmente gostaria de ser a única que queria descobrir a verdade.”

Ler os livros do Robert Gailbrath me lembra muito ler Agatha Christie na infância. O cenário inglês, os mistérios envolventes e vamos combinar que tanto o Cormoran quanto a Robin tem seus momentos de Hercule Poirot.

E Vocação para o mal que não deixaria a pequena Lais viciada em Agatha Christie decepcionada, com certeza não me decepcionou. Mais uma vez J. K. Rowling, sob seu pseudônimo agora nada secreto, consegue uma mistura de suspense policial com profundidade psicológica das personagens. Pra mim J. K. já provou que é capaz de manter um ritmo de livro policial desde o primeiro dessa série. Misturando momentos tensos com momentos de dúvida e momentos de “pelamor, não faz isso” de forma a deixar o leitor sempre interessado.

Uma coisa que gosto muito nessa série é o desenvolvimento das personagens. Além de vermos o presente, desde o primeiro livro a J. K. trabalha contando o passado tanto do Cormorando quanto da Robin e como isso os afeta até hoje. É um jeito muito bom de nos apresentar os dois aos poucos, tanto que finalmente nesse livro descobrimos o que eu pedi no final da última resenha: porque a Robin saiu da faculdade.

Achei no mínimo justo que esse livro tenha sido mais focado na Robin. Afinal, até o vilão dele está focado nela. Ok que é para chegar no Strike, mas de muitas formas, a Robin é a estrela desse livro. Nós descobrimos mais sobre o passado dela e o presente é bem mais conturbado. E também é ela quem tem o maior crescimento na história. Me irritou um pouco o negativismo dela de achar que ia ser demitida em todos os momentos menos quando realmente importava, mas eu entendo o motivo e isso que é o melhor da escrita da J. K.

Outro motivo que é importante a Robin ser o foco desse livro é porque ele fala sobre violência contra mulheres. Todos os suspeitos do Strike têm históricos horríveis de violência misógina. Os capítulos no ponto de vista do assassino me deixaram enojada e com vontade de parar de ler o livro pra poder respirar. Inclusive tive que fazer isso em um momento. O passado da Robin se mostrou mais violento do que a gente poderia desejar pra alguém tão doce. E o noivo dela não é exatamente um parceiro modelo.
De certa forma, as microviolências do Matthew me irritam mais. Claro que ele é menos malvado do que o assassino da história, mas ele é tão ruim quanto. Desde o primeiro livro ele me incomoda, nunca apoiando a Robin, sempre inseguro e ciumento. Mas nesse livro ele passa dos limites e eu fiquei tão feliz quando achei que ele ia sumir de cena. A Robin merece mais, muito mais. Eu espero que o futuro faça ela perceber isso.

Por conta desse tema central de violência de gênero, é um livro bastante pesado. Pra mim foi mais pesado do que O bicho-da-seda, que era bastante gráfico, mas era somente violência física. Por conta do peso psicológico, conheço muita gente que não conseguiria ler Vocação para o mal.

Mas é um livro bom. Pode ter sido a confiança que a J. K. já construiu em mim com os dois primeiros livros, pode ter sido porque eu odeio não saber a solução de um mistério, mas mesmo com todo o nojo e nervoso eu não consegui parar de ler o livro até terminar. E isso conta muito. Vejamos qual será o tema do próximo livro da dupla de detetives.

“É possível encontrar beleza em quase todos os lugares, se pararmos para procurá-la, mas a batalha para enfrentar os dias torna difícil lembrar que existia esse luxo pelo qual não se precisava pagar nada.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

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