sexta-feira, 22/09/2017
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Resenha: “Deixa ela entrar”, de John Ajvide Lindqvist

Deixa ela entrarLivro: Deixa ela entrar
Autor: John Ajvide Lindqvist (Site)
Editora: Globo Livros
Páginas: 504
Tradução: Marisol Santos Moreira
Resenha por: Monique Marie
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Exibido pela primeira vez no Brasil na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009, o filme sueco Deixa Ela Entrar é um fenômeno cult. Conquistou prêmios em mais de 40 festivais pelo mundo e foi refilmado por Hollywood. Concebida por John Ajvide Lindqvist, a história que deu origem ao filme foi publicada em 2004 na Suécia, onde se tornou best-seller instantâneo, lançada em mais de 30 países. Trata-se de uma das mais perturbadoras ficções de terror dos últimos tempos. Grande parte de seu impacto se deve à originalidade com que Lindqvist aborda a seara do vampirismo. Vários elementos dessa literatura estão presentes – a começar pelo título que faz referência à crendice de que vampiros só podem entrar em lugares para os quais são convidados -, porém ambientados no mais cru realismo. No enredo, Oskar, um garoto de doze anos, vive com a mãe no subúrbio de Estocolmo, na década de 1980. Solitário e alvo de bullying na escola, passa o tempo lendo e colecionando notícias sobre serial killers e planejando se vingar de seus perseguidores. No entanto sua rotina é alterada quando uma garota de doze anos, Eli, se muda para o apartamento ao lado. Uma profunda identificação aproxima o menino a Eli, ao mesmo tempo em que a vizinhança passa a ser assolada por uma onda de mortes misteriosas. Muito mais que sustos, o livro de Lindqvist desperta os horrores de quem tem de passar da infância para a maturidade em circunstâncias adversas e em um cenário opressivo. Com habilidade, o autor recorre a um registro naturalista, temperado de referências à cultura pop, para desenvolver uma história em que os medos são despertados tanto por elementos sobrenaturais quanto pela realidade concreta.

Me senti uma pessoa nada cult ao perceber que nunca ouvi falar sobre o filme ou sobre o livro, apenas tive o contato graças ao catálogo da Globo Livros. Acredito que até o fim de 2016 formularei uma maneira de ter um quadro em neon gritando “Globo Livros/Globo Alt eu te amo”, há muito tempo dou sorte nas escolhas dos livros e eles entram para o seleto grupo de incríveis e indicações certas.

Não quero soar repetitiva, até porque ainda tenho uma resenha que aborda o tema “vampiro” e eu sempre falo que fiquei traumatizada com a “Crepusculada” que esses seres levaram. Obrigada autores maravilhosos que falam de formas diferentes deixando o lado sombrio e nada brilhante transparecer. A sinopse é literalmente o resumo do livro, talvez alguém fique sem entender a ligação entre os dois personagens tão distintos e achando que Eli é a personagem central. Posso falar que ela não é a central e que eles se cruzam logo sem deixar que isso se torne um spoiler, nada de guardar emoções até o fim do livro porque o foco é outro.

Oskar é o centro da história e é o personagem mais profundo que temos, mas isso não torna os personagens secundários rasos. O autor teve o cuidado de nos apresentar os personagens de forma diferente para que o cenário nos conte mais sobre seus problemas e suas ações contem em detalhes cada personalidade, não temos que lidar com páginas e mais páginas de tentativas chatas de mostrar quão complicada é a mente de cada um. Genial. Eli é quase principal já que ela é a vampira da história, mas os problemas de bullying (um fato tão atual) e uma forte psicopatia fazem que Oskar tome esse posto.

É surpreendente o que o autor consegue criar com dois personagens de apenas 12 anos, é muito difícil você falar sobre vampirismo na sua forma mais pura quase que tornando como um fato real, falar sobre bullying, sobre incesto, sobre cleptomaníacos e serial killer, sendo essas características pertencentes a duas crianças de doze anos. Eu jamais conseguiria tal feito.

O cenário é muito bem descrito, sem exageros mas com detalhes que faz com que eu, uma pessoa que nunca nem sonhou em ir para a Suécia, consiga criar com perfeição a história em minha mente. Não se preocupem com o rótulo cult que o livro leva, a narrativa não é nada complicada e flui muito bem depois que você se acostuma com o fato que várias histórias estão acontecendo ao mesmo tempo e todas estão ligadas. Talvez nas primeiras páginas você se perca um pouco para separar os universos, mas depois você consegue encaixar as peças e tudo faz o mais perfeito sentido.

Assumo que no começo achei que se tratavam de dois seriais killers, um já atuando e outro em formação. Com o passar do tempo entendi a psicopatia daquele que estava em formação e que o outro era um apaixonado pela própria filha lutando pela sua sobrevivência. A história é incrível e eu indico a leitura para quem gosta de todos esses temas acima citados com a adição de um leve romance para ficar fofinho, se é que algo nesse livro pode ser fofo. Descubram como Eli sobrevive em um mundo que não é feito para sua espécie, como Oskar lida com todos os problemas que crianças dos dias atuais são obrigadas a enfrentar sozinhas e como ele desenvolve essa empatia por uma pessoa que ele deveria ter a quilômetros de distância.

São muitos casos, mortes dos mais diferentes tipos e com o mesmo objetivo, a sobrevivência de uma pessoa. Descubram como universos tão diferentes podem se cruzar e caminhar juntos, será que teremos um final bom para Eli e Oskar? Deixem que Lindqvist te surpreenda.

O único ponto que serei chata é que em alguns momentos você sente um pequeno descuido com a revisão do texto, mas nada que deixe a desejar ou que atrapalhe, continuo com cinco estrelas mesmo com esse deslize ;)


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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