quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “A torre”, de Daniel O’Malley

A torreLivro: A torre – A Serviço Secreto e Sobrenatural de Sua Majestade (#01)
Série: The Checquy Files
Autor: Daniel O’Malley
Editora: LeYa
Páginas: 432
Tradução: Santiago Nazarian
Resenha por: Bruna Fernández
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Misterioso e hilariante, “A Torre” é uma fantasia que promete fisgar os fãs de fantasia do princípio ao fim.

Muito suspense, certa dose de humor, uma heroína capaz de deixar Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, no mínimo intimidada e uma carta encontrada no bolso que começa assim:

Querida Você,
O corpo que está usando costumava ser meu.

Encharcada pela tempestade que cai sobre o parque, ela ainda não sabe por que está cercada de cadáveres. Muito menos por que todos usam luvas de látex. Sem escolha, ela decide seguir as orientações deixadas nessa carta e encontra outras duas. Uma carta leva a outra e mais outra, e assim ela descobre seu nome: Myfanwy Omas. E ainda que é uma Torre – uma agente secreta de alto escalão que trabalha para uma organização do Império Britânico responsável por combater eventos sobrenaturais.

Mas há um traidor nessa organização. Um traidor que a quer ver morta. E que logo perceberá que Myfanwy ainda está viva. E sem memória.

Enquanto luta para salvar sua vida, Myfanwy conhece pessoas misteriosas: um homem com quatro corpos, uma aristocrata que pode entrar em seus sonhos, crianças que se transformam em guerreiros mortais e uma conspiração que vai muito além do que poderia imaginar.

Com uma protagonista feminina forte e apaixonante, A Torre é um livro que vai envolver os leitores de fantasia em uma narrativa cativante e, ao mesmo tempo, diferente de tudo o que já foi publicado no gênero.

Diferente de tudo que eu já li nessa vida, e olha que eu já li muitos livros. Essa é a melhor frase que eu posso usar para definir o que foi a experiência de ler A torre do autor australiano Daniel O’Malley. O título curioso e a sinopse sugestiva foram os gatilhos que ativaram a minha curiosidade sobre esse livro e meu faro de não errou. Essa é uma ótima história que mistura muito bem os gêneros policial e fantástico.

“Querida Você,
O corpo que está usando costumava ser meu.”

A narrativa se inicia com a personagem principal da trama lendo uma carta enviada de EU para Você. Acontece que a mulher que redigiu a carta, Myfanwy, um nome esquisito a princípio, mas que é de origem galesa e se pronuncia Mif-fa-ni, segundo a próprio protagonista, sabia que ela iria perder a memória e que “outra” pessoa assumiria a sua vida. Por isso, ela preparou uma sequência de cartas e deu a essa nova pessoa duas opções: fugir para algum lugar longe e isolado e viver com uma boa grana pelo resto da vida ou então assumir a antiga vida de Myfanwy Alice Thomas.

Acontece que a vida de Myfanwy está muito longe de ser uma vida que podemos chamar de normal. Ela é Torre Thomas, uma das principais agentes do serviço secreto da Rainha, o Checquy. Podemos dizer que o Checquy é tipo uma CIA sobrenatural, que lida com criaturas que os humanos normais nem imaginam serem reais ou que realmente existam. Ah, claro, esqueci de mencionar que todos os integrantes do alto escalão do Checquy, como Myfanwy, têm poderes especiais, muitas vezes bizarros e únicos. É exatamente essas ideias originais e curiosas que tornam o enredo tão divertido e a leitura tão prazerosa. A escrita de Daniel é leve e descontraída, trazendo uma boa dose de humor até às cenas mais tensas da narrativa.

Tudo o que me faz ser quem eu sou. Minhas memórias. Minha personalidade. Minha alma. Perdidas para sempre. Obliteradas. Isso é pior do que morrer.”

O livro vai intercalando os acontecimentos no tempo presente e as cartas deixadas por Myfanwy para a sua nova EU, antes de ela perder a memória. É muito engraçado ver como as duas Myfanwys são diferentes, fica até fácil distinguir as duas, apesar de serem a “mesma” personagem. As cartas deixadas pela antiga personagem vão dando pistas de que existe um traidor dentro do Checquy e foi essa mesma pessoa que provavelmente que apagou as memórias da personagem. Começa então uma caçada ao traidor, mas a nova Myfanwy não sabe nem por onde começar a assumir a sua nova-velha vida e muito menos em quem ela pode confiar.

Gostaria de poder falar mais sobre as outras personagens, mas elas são tantas que essa resenha ficaria ainda mais longa do que já está. Já adianto que meus destaques vão para a secretária de Myfanwy, Ingrid, uma pessoa incrível, atenta e divertida; e o parceiro de Torre Thomas, Torre Gestalt. Não vou falar nada sobre essa personagem aqui pois acho legal iniciar a leitura sem saber muito sobre ela, mas Gestalt é, de longe, a personagem mais bem construída da história. Sua história é fascinante.

Com uma narrativa divertida e cheia de ação e um enredo muito original, A torre foi uma leitura incrível desde a primeira página até a última. Espero que a editora Leya não abandone a publicação da série pois estou louca para saber mais sobre os próximos passos de Torre Thomas e as novas aventuras que a aguardam.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Ainda não tinha ouvido falar a respeito da série, mas a história chamou muito a minha atenção!
    Gislaine | Paraíso da Leitura

  2. A leitura é muito boa, eu recomendo! ;)

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