segunda-feira, 16/10/2017
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Resenha: “Eu sou o Peregrino”, de Terry Hayes

Eu sou o PeregrinoLivro: Eu sou o Peregrino (#01)
Série: Peregrino
Autor: Terry Hayes
Editora: Intrínseca
Páginas: 688
Tradução: Alexandre Raposo
Resenha por: Bru Fernández
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Uma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam.

Peregrino é o codinome de um homem que não existe. Alguém com tantas identidades que mal consegue lembrar seu verdadeiro nome. Adotado ainda jovem por uma família rica, ele se tornou um importante profissional da espionagem. Em uma perseguição cinematográfica, Peregrino cruza o mundo, da Arábia Saudita às ruínas da Turquia; do Afeganistão ao Salão Oval da Casa Branca. Um caminho doloroso e repleto de ameaças inesperadas, na busca por um homem desconhecido cujo plano é desencadear uma destruição em massa sem precedentes.

Romance de estreia do renomado roteirista britânico Terry Hayes, Eu sou o Peregrino é uma narrativa ágil, com ritmo alucinante, cujos personagens são construídos de forma primorosa em toda sua complexidade psicológica. Uma jornada épica e imprevisível contra um inimigo implacável.

RESENHA

“Há lugares dos quais me lembrarei a vida inteira — a Praça Vermelha com o vento quente sibilando, o quarto de minha mãe no lado errado da 8 Mile Road, os jardins intermináveis de um elegante lar adotivo, um homem esperando para me matar em um conjunto de ruínas conhecido como o Teatro da Morte.”

Eu sou o Peregrino começa com uma cena de crime no Quarto 89 do Eastside Inn que, a princípio, parece comum. Entretanto, ao começarmos a notar os detalhes, assim como a personagem principal, pode-se afirmar que foi quase um crime perfeito. Pra mim, o autor já começa com o pé direito. O enredo é narrado por um jovem ex-espião (se é que existe tal coisa) que é extremamente bom no seu trabalho. Não sabemos o seu verdadeiro nome, apenas alguns de seus mais variados codinomes e nomes falsos usados ao longo de sua carreira. Para facilitar a minha vida e a de vocês nessa resenha, vou sempre me referir a esse espião, a personagem principal, como Peregrino.

A partir desse assassinato, que aparentemente foi realizado com base em detalhes de um livro escrito pelo próprio Peregrino — sob o pseudônimo de Jude Garrett —, o ex-espião se vê levado novamente para o mundo que ele tinha decidido abandonar depois dos eventos do fatídico 11 de setembro. Um dos responsáveis por esse retorno de Peregrino ao mundo policial é o tenente Ben Bradley, um policial durão que quase nunca demonstra seus sentimentos, mas que tem o coração do tamanho do mundo.

Vejam bem, Peregrino não era um espião qualquer. Ele não era do FBI, nem da CIA. Era de uma inteligência que supostamente não existia e que acabou sendo desmanchada. Toda a sua existência é uma incógnita, não apenas o seu nome. Daí conseguimos apenas começar a ter uma ideia de como um “simples” assassinato nos Estados Unidos se liga a acontecimentos de uma decapitação na Arábia Saudita e outros acontecimentos peculiares como vemos na sinopse. O denso enredo do livro é dividido em quatro partes em capítulos curtos e cheios de ação, o que tornam a leitura leve e rápida.

Na primeira parte conhecemos um pouco sobre o histórico do Peregrino, a ascensão em sua carreira e o seu suposto final, até como o tenente Ben Bradley entrou na vida de Peregrino. Com o pano de fundo sobre a personagem principal apresentada, na segunda parte o autor nos apresenta ao Sarraceno e sua história de vida, aquele que virá a se tornar o grande nêmesis de Peregrino nesse livro.

“Sarraceno significa árabe ou — em uma acepção muito mais antiga da palavra — um muçulmano que lutou contra os cristãos. Volte ainda mais no tempo e descobrirá que já significou nômade.”

Então Hayes começa a alternar a narrativa entre três linhas diferentes: a investigação do assassinato no quarto 89, a trajetória de vida do Sarraceno e todas as atrocidades que uma pessoa com o coração tomado pela vingança é capaz de realizar — não são poucas! — e a verdadeira história de como Ben e o Peregrino se conheceram, o que acaba revelando ainda mais da história de ambos. Pode parecer confuso, mas não é. A leitura flui muito bem e, aos poucos, Terry Hayes vai costurando as histórias em pequenos pontos, que levam a um desenho final sem pontas soltas no desfecho da narrativa. Na terceira parte mais revelações são feitas sobre as personagens principais e o autor prepara o terreno para a perseguição do Peregrino ao Sarraceno. Por fim, a quarta e última parte apresenta todo o desenrolar final dos fatos, o grande clímax do livro, tanto do assassinato do quarto 89 quando da perseguição de Peregrino.

Uma das coisas que eu mais gostei no enredo é que o autor usa e abusa da geografia, levando o leitor em viagens por diversos países como a Arábia Saudita, o Líbano, o Afeganistão, o Bahrein, a Turquia e muitos outros — percorrendo desde um bairro francês superchique até às montanhas sem nome do interior do Afeganistão, inserindo-nos em contextos complexos de conflitos religiosos e culturais que na verdade são muito mais profundos do que podemos começar a tentar compreender. Por muitas vezes interrompi a minha leitura para pesquisar um pouco mais sobre os destinos das personagens na internet. Além de ser para os amantes de thrillers esse livro é altamente indicado para quem gosta de viajar para lugares exóticos e de conhecer novas culturas.

“Na guerra, a primeira vítima é a verdade.”

No geral, Eu sou o Peregrino é um excelente thriller apesar de o Peregrino contar com uma extrema “sorte” em alguns momentos, como a existência de uma transcrição de uma conversa de um imã com um ferido que ocorreu em uma mesquita, e com alguns detalhes óbvios no desenrolar da narrativa. Mas nenhum desses detalhes estraga a inacreditável aventura criada por Terry Hayes, foi espetacular acompanhar o Peregrino em todas essas viagens e confesso que depois de quase 700 páginas, já estou com saudade das peripércias desse espião de alto nível.

Duas continuações já está programadas pelo autor, mas devem demorar um pouco para sair. Terry não tinha ideia do sucesso que o livro faria então acabou escrevendo outro romance de livro único, porém já afirmou que continuará a escrever a trilogia.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Caramba, acabei de ler o livro, e realmente é bastante descritivo e os personagem construídos primorosamente. Este autor é maravilhoso. O livro sem sombra de dúvida, é um dos melhores do gênero que já li. Divino….

  2. Tenho lido coisas bem melhores, principalmente dos escritores nórdicos, mas não deixei o livro pela metade.
    Não gostei porque envolve muita empáfia e soberba americana, nada dá errado, tudo é possível.
    Quanto ao personagem Sarraceno, um terrorista fanático padrão EI, jamais iria entregar seu plano de uma vida inteira, um plano perfeito de destruição, mesmo com o sacrifício do próprio filho. O garoto seria mais um mártir nome de Alläh.

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