10 de agosto de 2016
Postado por: Bru Fernández @ Arquivado em: Resenhas de Série

Gigantes adormecidosLivro: Gigantes adormecidos (#01)
Série: Arquivos Têmis
Autor: Sylvain Neuvel (@neuvel)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 310
Tradução: Michel Teixeira
Resenha por: Bru Fernández
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Rose passeia de bicicleta pelo bosque perto de casa, quando de repente é engolida por uma cratera no chão. A cena intriga os bombeiros que chegam ao local para resgatá-la: uma menina de onze anos caída na palma de uma gigantesca mão de ferro.

Dezessete anos depois, Rose é ph.D em física e a nova responsável por estudar o artefato que encontrou ainda criança. O objeto permanece um mistério, assim como os painéis que cercavam a câmara onde foi deixado. A datação por carbono desafia todas as convenções da ciência e da antropologia, e qualquer teoria razoável é rapidamente descartada.

Quando outras partes do enorme corpo começam a surgir em diversos lugares do mundo, a dra. Rose Franklin reúne uma equipe para recuperá-las e montar o que parece ser um robô alienígena gigante quase tão antigo quanto a raça humana.

Mas, uma vez montado o quebra-cabeças, ele se transformará em um instrumento para promover a paz ou causar destruição em massa?

Parte ficção científica, parte thriller, Gigantes adormecidos é uma história viciante sobre a disputa pelo controle de um poder capaz de engolir todos nós.

“Sei que estamos fazendo as perguntas erradas, mas não sei quais são as certas.”

Não é nem um pouco certo julgar um livro pela capa, eu sei, mas a primeira coisa que me chamou a atenção em Gigantes adormecidos foi exatamente a beleza sutil de sua capa: a imitação de um rosto desenhado por estrelas de uma galáxia. Sou fascinada pelo universo, planetas e astronomia então não preciso nem dizer o quanto a capa me encantou, né? Depois de uma rápida olhada na sinopse, confirmou-se o que eu jã desconfiava: eu precisava ler esse livro.

Assim que peguei o livro em mãos pela primeira vez, dei aquela primeira folheada e o estilo da narrativa do livro me chamou muito a atenção. Gigantes adormecidos não possui uma narrativa convencional, em forma de prosa comum, como estamos acostumados. A história é contada em forma de entrevistas, páginas de diários e matérias jornalísticas. A sensação foi de estranheza no início, pois é um formato nada convencional, eu mesma nunca tinha lido um livro assim. Porém o autor soube trabalhar esse formato muito bem e foi uma leitura extremamente interessante e ousada.

O único trecho do livro que é escrito em narrativa normal é o prólogo, que nos apresenta em poucas palavras uma jovem garota anti-social e extraordinariamente inteligente e curiosa.Essa garota decide então sair para andar com sua nova bicicleta à noite e acaba se acidentando ao se deparar com um enorme buraco que esconde uma mão de metal com quase 7 metros de comprimento. Um início bem curioso. Aprendemos logo no início da narrativa (já no formado de entrevistas) que aquela garotinha se tornou a Dra. Rose Franklin, PH.D. em Física e a cientista responsável pelo programa que busca as outras partes do corpo para complementar a mão encontrada por Rose.

Vamos aprendendo aos poucos do que se trata a enorme mão – e as outras partes que são eventualmente encontradas -, mas o interessante é que as personagens sabem tanto quanto nós, talvez apenas um pouco mais do que é revelado a nós leitores. Pelo menos a maioria das personagens, algumas delas parecem saber muito mais do que revelam nas entrelinhas. Sabemos no começo apenas que essas partes são feitas de uma liga de metal que não existe no nosso mundo, ou pelo menos não existia quando essas “coisas” foram criadas, supostamente, cinco mil (!!!) anos atrás por uma raça muito superior à nossa.

Rose é uma profissional curiosa e incansável, líder de toda a pesquisa sendo realizada. Junta-se à sua equipe Kara Resnik, 3ª subtenente do exército dos Estados Unidos, de longe a minha personagem preferida. Ela é desbocada, atrevida e muito competente no seu trabalho. Não sei por que, mas imaginei ela como a atriz Sarah Shahi, a Sameen Shaw de Person of Interest. Também entra para a equipe o 4º subtenente do exército, Ryan Mitchell, um homem forte, amável e que não me agradou muito. Algum tempo depois Vicent Couture, um jovem e arrogante estudante universitário se une à equipe como especialista em línguas e finalmente alguém consegue fazer progressos nessa área do projeto. Apesar de arrogante, Vincent consegue pensar fora da caixa e isso ajuda muito no progresso da equipe.

A personagem mais intrigante do livro porém é a pessoa por trás desse projeto maluco com a função de unir pessoas excepcionais em suas áreas e monitorá-las. Não sabemos seu nome, qual o seu trabalho e muito menos para QUEM ele trabalha, sendo que ele já deixou claro que não é a CIA e muito menos a NSA. Apenas sabemos o pouco que ele revela às personagens que ele entrevista ao longo do livro. Intrigante é pouco!

O enredo é bem emocionante – não dá pra falar muito dele sem dar grandes spoilers, infelizmente – e conta com algumas reviravoltas bem imprevisíveis ao longo do caminho. Uma narrativa que me fez rir alto, que me emocionou em vários momentos e quando eu achava que nada mais poderia me surpreender, o autor solta uma bomba no epílogo que me fez soltar um sonoro palavrão quando eu terminei a minha leitura. Um livro de ficção científica de alta qualidade que deve ser lido por quem gosta do gênero e por quem não o conhece mas deseja se aventurar nele. Difícil acreditar que essa obra impressionante é a estreia literária de Neuvel que foi de autor desconhecido a um dos autores na minha seleta listinha de favoritos! Mal posso esperar pela continuação, Waking Gods que será publicada nos EUA no ano que vem.

“Eu tenho o maior respeito pela Agência Nacional de Segurança. Também tenho meu dentista e meu contador em alta conta, mas nunca pedi que liderassem nossa equipe de pesquisa.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.




2 comentários



1. Rafael Pereira
28-9-2016 - 14:09:18

ate agora impressionado com o epilogo, e feliz


28-9-2016 - 18:59:16

Epílogo sensacional, não é, Rafael? Mal posso esperar pelo segundo volume! :D


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