quarta-feira, 20/11/2019
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Resenha: “Respire”, de K.A. Tucker

RespireLivro: Respire (#01)
Série: Ten Tiny Breaths
Autor: K.A. Tucker (@kathleenatucker)
Editora: Fábrica 231
Páginas: 320
Tradução: Maira Parula
Resenha por: Juh Claro
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Kacey Cleary não chora, não suporta o toque das pessoas e canaliza sua energia para treinos intensos de kickboxing. Tudo isso depois de um ano de reabilitação física e de mergulhar num mundo de drogas e álcool para tentar lidar com a perda dos pais, da melhor amiga e do namorado, num acidente de carro do qual ela foi a única sobrevivente.

Protagonista de “Respire”, primeiro livro da série Ten Tiny Breaths, sucesso de K.A. Tucker que chega ao Brasil pelo selo Fábrica 231, Kacey chegou ao fundo do poço, mas resolve lutar para sair de lá por Livie, a irmã caçula. Depois de irem morar com uma tia religiosa fanática e seu marido alcoólatra, as duas fogem para Miami para tentar recomeçar, e Kacey terá que enfrentar seus fantasmas para derrubar o muro que ergueu ao seu redor. Às vezes, respirar torna-se uma missão quase impossível, mas K.A. Tucker mostra que é preciso neste romance sobre perdas, amizade, amor e superação.

Respire é o primeiro livro da série Ten Tiny Breaths da autora canadense K. A. Tucker e, se você tiver a mesma mania que eu tenho de não ler sinopses antes de ler os livros, vai descobrir que vários gêneros compõe a história ao decorrer das páginas. Poderia classificá-lo como YA (Young Adult), apesar dele ser NA (New Adult), mas acho que vai um pouco além…

Conhecemos Kacey Cleary, uma garota que passou por uma experiência extremamente traumática: em um acidente de carro causado por bêbados, Kacey perdeu os pais, a melhor amiga e o namorado. Todos de uma só vez. Apenas ela conseguiu sobreviver – fisicamente, pois emocionalmente e mentalmente não tem sido nada fácil. Mas ela se esforça muito por causa de sua irmã, Livie, que precisa de uma irmã mais velha neste momento difícil.

“— Apenas respire. Dez respirações curtinhas… Prenda o ar. Sinta-o. Ame-o.”

Elas vão morar com os tios, mas Kacey não os suporta – principalmente depois que seu tio além de gastar toda a herança delas em um jogo, tenta abusar sexualmente de Livie. Por conta de tudo isso, ela resolve que é hora de fugirem e tentarem recomeçar uma nova vida longe dali, longe de todos, só as duas. Assim, elas vão para Miami e alugam um apartamento pequeno, mas é o que Kacey consegue pagar enquanto procura um emprego melhor do que ser barista da Starbucks. Seu foco é manter Livie na escola e conseguir juntar dinheiro para mandá-la à universidade.

Kacey é durona, após o acidente ela criou uma camada de gelo que envolve não só seu coração, como toda a sua personalidade. Ela tentou lidar com a perda com drogas, bebidas, sexos casuais, etc. O que ela não suporta é tocar na mão de alguém. Ela pode fazer tudo com um garoto, a única coisa que ele não pode fazer é chegar perto de suas mãos (sim, há uma explicação plausível para isso).

Kacey não tem sentimentos, ela canaliza toda a sua angústia e raiva fazendo kickboxing e fica contente quando encontra uma academia próxima à sua nova casa. Lá ela poderá dar quantos chutes e socos quiser nos sacos de areia. Mas Miami deveria significar uma nova vida e Livie tenta lembrá-la disso quando conhecem a vizinha Storm e sua filha-gracinha de 5 anos, Mia. Ela pede que Kacey ao menos tente. Tente deixar alguém entrar na vida dela.

Storm se torna uma ótima amiga e até consegue um emprego com o salário bem melhor do que o atual para Kacey, apesar dele ser em uma boate noturna e Kacey ter que lidar com meninas de roupas mínimas, ou sem roupas, e precisar ser simpática e sorrir para conseguir boas gorjetas. No fundo ela acaba gostando bastante do trabalho e agradece, do seu jeito, Storm pelo que ela conseguiu fazer.

Além de Storm, outro vizinho que acaba entrando na vida de Kacey é Trent. 25 anos, bad boy sedutor, misterioso e, o mais importante, o primeiro que consegue derrubar algumas barreiras de Kacey com um simples olhar. Trent é exatamente aquilo que Kacey não queria que fosse, mas não consegue evitar o calor que percorre seu corpo quando o vê. Será que Trent vai finalmente fazer com que Kacey confie novamente em alguém? Que vai deixá-lo segurar sua mão e encontrar conforto e não mais aflições?

Não vou me prolongar no relacionamento dos dois porque precisaria passar por alguns spoilers e estragaria a história. Só digo que se você ficar um pouco irritado por ser tudo muito rápido, aquela famosa “paixão-miojo” (instantânea), dê uma chance; você pode criar uma certa empatia por eles sem ao menos perceber.

O livro é bom, mas demora um pouco para “pegar no tranco”. Tem uma leve lição de moral por trás da história, mas o que me fez não dar 5 estrelas (dei 4) foi o fato de ser bem previsível já lá pela página 130. Mas algumas pessoas, pelo menos das resenhas que li, não tinham pegado isso logo de cara, então acho que não é tão previsível assim. Não sei, mas apesar disso, os últimos capítulos não acontecem da forma como imaginamos, então dá um toque a mais para o desfecho da história.

Este livro me tocou de uma forma que eu não sei explicar muito bem, eu realmente não achava que sentiria o que senti quando li as últimas páginas e os agradecimentos da autora. Já li histórias bem mais intensas e complexas e não me senti assim, mas o subconsciente interpretou de outra forma e cá estou eu, escrevendo essa resenha sem querer parar e tendo que parar para não estragar a leitura de ninguém.

Não são todas as pessoas que gostarão da história, muita gente vai largar o livro na metade e muita gente não vai entender a minha conexão com ele, mas se você quiser dar uma chance, te digo para ler sim. Para dar uma segunda chance a Kacey e sua vida louca.

O segundo livro, One Tiny Lie, é sobre Livie e sua faculdade, mas ainda não foi lançado no Brasil. Espero que a Fábrica231 lance todos os livros da série, porque gostei bastante das personagens e quero conhecer mais sobre o outro lado delas.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Juh Claro

28 anos, formada em Design Digital, MBA em Gerenciamento de Projetos, trabalha como Especialista de Projetos de TI em uma multinacional de softwares de segunda à sexta e divide os seus finais de semana e horas vagas entre leituras, shows, viagens e jogos de futebol, na maioria das vezes acompanhada do marido.

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