sábado, 14/10/2017
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Resenha: “Lua de vinil”, de Oscar Pilagallo

Lua de Vinil Livro: Lua de Vinil
Autor(a): Oscar Pilagallo
Editora: Seguinte
Páginas: 168
Tradução:
Resenha por: Monique Marie
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Em 1973, a ditadura militar comandava o Brasil. O Pink Floyd lançava o aguardado disco The Dark Side of the Moon. E Giba passava os dias jogando futebol de botão com os amigos do prédio, suspirando por Leila, sua vizinha irreverente e descolada. Ele tentava ignorar o estado grave de seu pai, internado no hospital, e não sabia que a violência do governo estava muito mais perto da sua casa na Vila Mariana do que ele imaginava.
Até que, num dia tranquilo de março, ele acaba causando um acidente e se vê obrigado a lidar com um dilema moral que o fará abandonar a inocência dos dezesseis anos para sempre.

“Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males.”

A sinopse do livro me deixou com muita vontade de ler e acredito que criei expectativa demais. Já sabem o que acontece quando criamos muita expectativa a respeito de algo né? Neste caso me decepcionei e conto porque: ele basicamente não aborda a violência do governo, é algo muito superficial e a história do acidente foi pouco explorada. Pode ser que se eu não tivesse a expectativa eu terminasse menos frustrada.

A leitura é simples e rápida, não precisa conhecer muito da época ou do local em que ela se passa, os elementos que o autor coloca no livro são o suficiente para que possamos criar a imagem em nossas cabeças. Muitas marcas são citadas no livro, não sei se com o intuito de remeter à época mas se foi, ele foi bem sucedido nessa parte.

Temos Giges como personagem principal e narrador da história, mas você demora um pouco para perceber que ele não é adulto, acredito que por causa de seu modo de vida, pelos apelidos de seus amigos (não me pareceu apelidos que adolescentes dão) e pelo jeito que ele descreve as cenas. Nada que fique ruim ou forçado, mas você demora um pouco para se tocar da idade dele. Seu pai apesar de doente terminal é um personagem presente no livro todo, mais presente que sua mãe. Muitos amigos fazem parte do enredo, todos são importantes e tem seu papel. Acredito que o autor não aprofundou em nenhum além do principal vez que a questão central do livro se passa dentro da cabeça de Giges e não em como cada amigo agiu.

Me senti meio tonta em ter demorado para entender o acidente causado e como ele fora causado por Giges (contar que foi Giges não é spoiler, é o ponto de partida para você pensar como agiria na mesma situação). Acho que na vontade de descrever uma cena diferenciada o autor perdeu um pouco a mão, se alguém ler me deixa um comentário sobre essa parte do acidente para saber se só eu pensei assim.

Temos um desfecho para o problema proposto e ele é o que eu esperava, nenhuma surpresa. O próprio personagem vai te dando dicas que te levam a acreditar que aquela seria a ação final dele, o que é ótimo se tratando de uma leitura para jovens onde a personalidade ainda está em formação, pontos positivos para o autor.

Não coloco esse ponto como uma crítica, seria algo que poderiam melhorar no livro talvez. Falam muito do Pink Floyd e de um álbum lançado na época, tirando deste álbum algumas frases que fazem parte da história e ajudam na construção do pensamento de Giges. Exatamente por serem tão importantes eu acho que deveriam existir notinhas de rodapé com a tradução desses trechos, vez que não são todas as pessoas que entendem inglês.

No mais achei um livro bom onde eu mesma acabei estragando a nota por esperar demais. É interessante saber como um adolescente lida com a doença de seu pai e um acidente causado sem a menor intenção onde um amigo leva a culpa, vale a leitura sim.

E para terminar, adorei perceber com a leitura em como foi escolhido o nome do livro e parabéns pelas músicas escolhidas, elas são realmente boas!


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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