sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “O menino no alto da montanha “, de John Boyne

O menino no alto da montanha Livro: O menino no alto da montanha
Autor: John Boyne (@john_boyne)
Editora: Seguinte
Páginas: 225
Tradução: Henrique de Breia e Szolnoky
Resenha por: Monique Marie
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Quando Pierrot fica órfão, precisa ir embora de sua casa em Paris para começar uma nova vida com sua tia Beatrix, governanta de um casarão no topo das montanhas alemãs. Mas essa não é uma época qualquer: estamos em 1935, e a Segunda Guerra Mundial se aproxima. E esse não é um casarão qualquer, mas a casa de Adolf Hitler. Logo Pierrot se torna um dos protegidos do Führer e se junta à Juventude Hitlerista. O novo mundo que se abre ao garoto é cada vez mais perigoso, repleto de medo, segredos e traição. E pode ser que Pierrot nunca consiga escapar.

“— Cada uma será construída para parecer uma sala de chuveiros — explicou Himmler. — Mas não sairá água do encanamento. Pieter levantou o rosto e franziu as sobrancelhas. — Com licença, meu Reichsfuhrer — ele disse. — Peço desculpas mas devo ter ouvido errado, pensei ter ouvido o senhor dizer que não sairá água dos chuveiros. — Os quatro homens olharam para o menino e, por um momento ninguém respondeu.”

Tenho muito presente em minha memória O menino do pijama listrado e criei uma expectativa forte para esse livro, felizmente ela não foi apenas correspondida como além do que imaginava.

O livro é dividido em três partes e tem como plano de fundo a Segunda Guerra Mundial. A primeira parte temos Pierrot criança vivendo em Paris, com seu coração totalmente puro e sem entender o motivo das brigas entre seu pai Alemão recém saindo do front da guerra e sua mãe Francesa. É de fundamental importância ressaltar aqui que seu melhor amigo era judeu e surdo. A delicadeza que o autor trata essa amizade na primeira parte do livro é tão comovente quanto a retratada no outro livro já mencionado.

A segunda parte do livro já temos um Pierrot órfão (não é spoiler, está na sinopse) que passa de um Orfanato na França para morar com sua tia, que até então nunca havia visto na vida. Tia Beatrix era governanta em uma casa (quase palácio) no alto da montanha que era conhecida como Berghof. Muito acontece nessa parte do livro, vez que o menino se vê obrigado a seguir regras jamais pensadas pois o dono da casa era um alemão extremamente rígido. A adaptação é bem difícil no começo, pois o menino se vê obrigado a deixar parte de seu passado em uma parte da memória, tem seu nome mudado para não soar tão francês, descobre a real história de vida de seus pais e o porquê tia Beatrix nunca apareceu em sua vida. Apesar de ter lido a sinopse devo confessar que a parte em que ele faz a mundialmente conhecida saudação à Hitler eu fiquei chocada, o livro não dava a entender que a casa era dele, mas sim de um alto militar de seu governo, mil pontos para o autor por conseguir essa proeza.

Ainda nessa parte do livro temos a mudança de comportamento do menino que nada tem a ver com a fase de crescimento e sim em como a sua cabeça estava moldada para os apoiadores de Hitler, fato este reforçado pelo próprio. Temos também uma trama criada dentro da casa onde o menino se vê entre contar a verdade para aquele que acreditava servir ou ficar do lado daquela que o trouxe para ser cuidado. Queridos leitores, temos nessa parte uma das maiores reflexões do livro, sei que é muito pesado algo desse tamanho ser decidido por alguém com tão pouca idade, mas ao mesmo tempo ele já sabia diferenciar o certo do errado, o que era bom e o que não era. Não posso e não devo contar tal fato, mas ao ler vocês conseguirão facilmente entender de que parte do livro se trata.

Na terceira parte já temos um Pierrot totalmente envolvido com todos os planos de Hitler, não literalmente já que nunca lutou na Guerra, mas sabia cada passo que seria dado e cada terra que seria tomada para a construção de presídios para os judeus. Notem que ele sabe o que aconteceria aos judeus e lembrem-se que seu melhor amigo de infância era um, será que em algum momento ele seria tomado por essa lembrança e sua humanidade devolvida? Vale a pena descobrir.

Temos o fim da Guerra, a morte de Hitler e a tomada da casa. Muito aconteceu na vida de agora um adolescente Pierrot, que carregava com pouca idade um mundo de lamentações, culpa, saudade e muito mais. O autor nos entrega um final para o que ele propôs desde o início mas o Epílogo é para mim o real choque de realidade do livro. Não farei qualquer comentário sobre essa parte a não ser que fiquei surpresa, jamais imaginaria que seria esse o fim do livro e esse o rumo que Pierrot tomou em sua vida. Vale contar que fiquei por horas e mais horas pensando nessas poucas páginas e que chorei. Mais uma vez Boyne tem uma sensibilidade que poucos autores possuem, ainda quero abraçá-lo por isso.

Leiam, por favor leiam! Diferente do livro citado que virou filme, nesse não temos uma história de amizade que vamos chorar a morte no final, mas sim um livro que todos deveriam ler um dia para se questionarem sobre o tratamento dos judeus, de todos aqueles que são diferentes de você, do poder a qualquer custo, de como um coração puro pode ser corrompido, se algumas coisas na vida merecem perdão e se um caminho torto tem volta. É muita reflexão e vale um estudo sobre esse livro. Apaixonada é pouco para definir como terminei essa leitura.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está “na moda”, adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

Um comentário

  1. Conheci seu blog hoje, e já amei!! Achei muito organizado, bem o que eu precisava e você me ajudou com essa resenha!! Adorei, voltarei sempre… beijos

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