sexta-feira, 13/10/2017
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Resenha: “O homem do castelo alto”, de Philip K. Dick

O homem do castelo altoLivro: O homem do castelo alto
Autora: Philip K. Dick
Páginas: 304
Editora: Aleph
Tradução: Fábio Fernandes
Resenha por: Bruna Fernández
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Neste livro que é considerado por muito o melhor trabalho do autor, Dick apresenta um cenário sombrio: a Segunda Guerra Mundial foi vencida pelos Nazistas. O mundo vive sob o domínio da Alemanha e do Japão. Os negros são escravos. Os judeus se escondem sob identidades falsas para não serem completamente exterminados. É nesse contexto que se desenvolvem os dramas de vários personagens. Ao apresentar uma versão alternativa da história, Dick levanta a grande questão: “O que é a realidade, afinal?”

“Somos todos condenados a praticar atos de crueldade, violência ou maldade; é o nosso destino, determinado por fatores imemoriais. Nosso carma.”

“E se a Alemanha Nazista tivesse ganho a Segunda Guerra Mundial?” Essa obra aborda exatamente essa linha do tempo alternativa para o nosso mundo. Aqui a Alemanha Nazista e o Japão Imperial foram vitoriosos e dominam os Estados Unidos de forma totalitária, tornando-se superpotências, dizimando não apenas os judeus, mas também os povos africanos. O homem do castelo do alto foi escrito por Philip K. Dick em 1962 e foi um dos títulos de ficção que ajudou a os obras do gênero distópico, inclusive, foi vencedor do prêmio Hugo.

A narrativa de Dick se passa 15 anos depois do fim da guerra, a qual acompanhamos principalmente através da personagem de Robert Childan, dono de uma loja de antiguidades em São Francisco, Califórnia – agora parte dos estados ocupados pelo Japão na divisão feita dos EUA (veja mapa abaixo) -, onde ele sobrevive vendendo “artefatos culturais americanos” para os japoneses. Outra personagem central é Frank Frink, um judeu que esconde sua verdadeira etnia para evitar a morte. Depois de ser mandado embora da fábrica em que trabalha, ele decide se juntar a um colega para produzir joias feitas à mão.

Juliana é a ex-mulher de Frink, uma mulher forte e ousada para a época em que vive, trabalha como professora de judô e acaba se relacionando com um ex-soldado italiano Joe Cinnadella. O relacionamento dos dois é bem complicado e é bem interessante ter a presença de uma personagem feminina tão inteligente e crcial para a história em um livro da década de 60. Fora isso, é impossível falar mais sobre a relação das personagens e das histórias que suas ações e decisões desencadeiam durante a narrativa sem dar spoiler nenhum. Basta afirmar aqui que todas personagens são muito bem construídas e todas as histórias se relacionam e estão interligadas.

O ponto alto do livro da narrativa é a obra dentro da obra. O gafanhoto torna-se pesado é um livro que existe dentro do universo dessa história e que conta a história de como a Alemanha, na verdade, perdeu a guerra e, por isso, é um livro banido nos estados ocupados pela Alemanha. É pra fundir a cabeça e nos instigar a questionar a realidade – tanto a do livro, quanto a do livro dentro do livro, e até mesmo nossa própria realidade. Outro detalhe que eu achei bem interessante é como as personagens se apoiam muito, chegando a se tornar totalmente dependentes do I Ching para tomar decisões, sejam elas banais ou de extrema importância.

Uma excelente obra para quem gosta de história, ficção científica e boa literatura. Leitura obrigatória para quem deseja se aventurar na leitura de clássicos da literatura. O único aviso que deixo para quem se interessou pela leitura é que essa é uma obra com um final aberto. Dick mencionou uma vez que iria escrever uma continuação, mas ela nunca aconteceu. Não é ruim, pelo contrário, deixa um grande espaço para especulação após o término da leitura – eu mesma fiquei dias e dias pensando no enredo de O homem do castelo alto. Entretanto, para os mais fervorosos e puritanos isso pode ser uma grande decepção. A minha dica final é: depois de ler o livro, confiram a adaptação muito bem feita da obra para série de TV feita pela Amazon Prime. Vale muito a pena!


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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