domingo, 26/03/2017
Últimas do LeS:
Capa » Resenhas Fora de Série » Resenha: “Os farsantes”, de Graham Greene

Resenha: “Os farsantes”, de Graham Greene

Livro: Os farsantes
Autor: Graham Greene (Site)
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 359
Resenha por: Nina
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Amazon + ofertas

Os farsantes insere o conhecimento histórico e as análises profundas de Greene no cenário político turbulento do Haiti da década de 1950, com personagens que parecem ser tirados de um filme. Não por acaso, o título foi eternizado no cinema com o longa Os farsantes, com Elizabeth Taylor no elenco. No período da ditadura de François Duvalier (o “Papa Doc”), com sua temida polícia política, os tonton macoutes, Brown, dono de um imponente hotel na capital, Porto Príncipe, vive diferentes situações que estimulam sua análise crítica sobre o que se passa ao redor.

Seu romance com a mulher de um embaixador latino-americano e os diálogos muitas vezes tensos com hóspedes e haitianos revelam um universo povoado por personagens confusos, inconscientes da realidade em que vivem – os “farsantes” do título.

Sentia meus nervos fraquejando. A coragem, mesmo nos bravos, adormece antes do café da manhã, e eu não era um bravo. Percebi que precisava fazer um esforço para me manter ereto na cadeira, porque sentia um horrível desejo de me atirar aos pés do capitão Concasseur. Sabia que o gesto seria fatal. Ninguém pensava duas vezes para atirar em escória.

Para quem gosta e ficção com cenário baseado em fatos reais, Os farsantes deveria ser leitura obrigatória. Confesso que tive que estudar um pouquinho para conseguir acompanhar a história, porque não sabia quase nada da história do Haiti (exceto da pobreza de seu povo, tragédias e conflitos).

Graham Greene montou sua história em meio à ditadura haitiana, no auge do poder de Fraçois Duvallier, ou Papa Doc, como era conhecido o presidente daquele país. Se antes era uma figura paternalista, Papa Doc surpreendeu a todos quando alcançou o poder e eliminou todos aqueles que poderiam tirar-lhe do posto, expulsou jornalistas, embaixadores e religiosos e instaurou o medo como cotidiano de seu povo.

Os farsantes é narrado pelo Sr. Brown, um homem incerto de suas origens, sem raízes, nascido em Monte Carlo, e que, com a morte de sua mãe, assume o Trianon, um hotel de turismo em Porto Príncipe, capital do Haiti. O sr. Brown voltava de Nova York, de sua frustrada tentativa de vender seu hotel e tentar a sorte em outro lugar, quando a bordo do Medea, conhece as figuras que mudariam a sua vida dali em diante.

O título se deve à tudo aquilo que fingimos ser, na tentativa de sermos quem gostaríamos, e nessa lógica, todos os personagens mostram o que queriam realmente ser (até o Sr. Smith e seu coração bom, sem a acidez das paixões humanas).

Uma detalhe que acho importante ressaltar é que o livro tem alguns errinhos de edição e revisão, e até um bem curioso na página 292 – que é de português, que me deixou encucada (até tive ajuda dos universitários nessa questão!):

[…]Fui para o bar e trouxe dois copos de rum, colocando-os entre o doutor e mim.

Fora isso, o livro tem uma narrativa um pouco lenta, bem diferente das leituras que costumo fazer, mas é bastante prazerosa, muito bem escrito e desenvolvido. E o final é bastante imprevisível. É uma leitura que vale a pena e é bastante instrutiva e relaxante!


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Já leu "Os farsantes"? Quantas estrelas você dá para o livro?

Ver Resultados

Carregando ... Carregando ...

Sobre Nina Lima

Poderia ser qualquer outra coisa, mas resolveu ser turismóloga e apaixonada pela Inglaterra e pelo McFLY. Leu a trilogia Jogos Vorazes em três dias e amou; considera Harry Potter a melhor série do mundo, adora a escrita da Meg Cabot e topa qualquer YA Book.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*