domingo, 22/01/2017
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Resenha: “Nem tudo será esquecido”, de Wendy Walker

Nem tudo será esquecidoLivro: Nem tudo será esquecido
Autor: Wendy Walker (@wendy_walker)
Editora: Planeta
Páginas: 288
Tradução: Maryanne Linz
Resenha por: Bru Fernández
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Um dos suspenses psicológicos mais elogiados nos Estados Unidos Tudo parece perfeito na pequena Fairview, em Connecticut, até a noite em que a adolescente Jenny Kramer é violentada durante uma festa. Nas horas posteriores, ela é medicada com uma droga controversa para que as memórias da violência sejam apagadas. Mas, nas semanas que se seguem, enquanto se cura das dores físicas, Jenny percebe que guardou nuances daquela noite. O pai, obcecado por sua incapacidade de descobrir quem abusou de sua filha, busca justiça, enquanto a mãe tenta fazer de conta de que o crime não abalou seu mundo cuidadosamente construído. Segredos da família e do círculo próximo começam a vir à tona durante a busca incessante pelo monstro que invadiu a comunidade – ou que talvez sempre tenha estado lá –, guiando este thriller psicológico para um fim chocante e inesperado.

“Você pode julgar Charlotte por esse único cigarro. Por ter desejos secretos que ela não consegue controlar. Por não contar toda a verdade. Por não permitir que o marido saiba de toda a vida dela. E, por esse julgamento de Charlotte Kramer, devo julgar você um hipócrita.”

O que me conquistou em Nem tudo será esquecido foi a menção de thriller psicológico na sinopse. Simplesmente adoro leituras do gênero e minha experiência com esse livro não foi diferente. Apesar disso, estava apreensiva por achar que no fim das contas o livro seria muito parecido com Garota Exemplar, mas eu não poderia estar mais errada.

Antes de falar sobre o enredo quero mencionar aqui que esse livro é bem pesado, ou pelo menos foi a impressão que eu fiquei, principalmente por abordar a temática de estupro. Isso não é algo ruim, mas é o tipo de livro que pode não agradar algumas pessoas, já que a abordagem da autora é bem crua.

A princípio não sabemos quem é o narrador da história, é uma personagem que vamos conhecer mais para frente na história. Através desse narrador “misterioso” conhecemos a história de Jenny Kramer, uma adolescente que é violentada em uma festa na pequena cidade de Fairfield, em Connecticut, EUA. Por decisão de seus pais, ou melhor dizendo, por insistência absoluta de sua mãe, Charlotte Kramer, Jenny é medicada com uma droga que promete “apagar” as memórias da agressão sofrida pela garota.

Mas Jenny não se esqueceu de tudo, algumas lembranças permaneceram, além de uma pequena cicatriz. O pai de Jenny, Tom Kramer, fica obcecado em achar o culpado e fazê-lo pagar pelo que fez com a sua filha. Ele até consegue disfarçar e conciliar sua exaustiva busca com a sua vida social no início, mas com o tempo essa tarefa o consome. Já Charlotte, mãe de Jenny, faz de tudo para levar a vida normalmente e fingir que nada aconteceu, deixando essa memória horrível para trás.

A partir daqui uma intrincada teia de revelações começam a vir à tona e é aqui que mora a genialidade do livro de estreia de Wendy Walker. A autora conseguiu criar uma narrativa complexa e aparentemente disconexa, mas que no final se amarra por completo, surpreendendo o leitor com um final inesperado.

Apesar do tema central do arco narrativo focar no estupro de Jenny, esse não é o único problema da família Kramer. Tom e Charlotte têm os seus esqueletos guardados no armário e esses problemas antigos acabam refletindo no tempo presente e na realidade de Jenny. O que tinha tendência para ser o tema clichê de um filme adolescente de Hollywood se torna uma narrativa completa e rica em detalhes, tudo por conta da escrita de Walker.

Gostei muito da forma como a autora apresentou seu arco narrativo, com fragmentos da história sendo contados aos poucos, fora de ordem, aos poucos dando forma ao desfecho, deixando o encaixe da peça final que revela o desenho por completo apenas para as páginas finais. Apesar de abordar um assunto sério e delicado, mas que precisa deixar de ser tabu, Walker dá o tom certo para sua história de forma realista, sem mascarar ou banalizar o assunto e os tratamentos psicológicos que envolvem o processo. Recomendo a leitura.

“Tudo na vida é um estado de espírito, não? Todos estamos apenas andando lentamente para nossa cova, tentando não pensar nisso, tentando achar sentido, passar o tempo de forma agradável.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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