sexta-feira, 17/11/2017
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Resenha: “Enclausurado”, de Ian McEwan

Livro: Enclausurado
Autor(a): Ian McEwan | Curtir
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 200
Tradução: Jorio Dauster
Resenha por: Monique Marie
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O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

“Massacrada pela bebida e pela falta de sono, carregando-me escada acima, ela segue para o quarto. Nunca poderia funcionar, ela vai dizendo a si mesma. Foi só minha raiva idiota. Só sou culpada de ter cometido um erro. O próximo passo está perto, mas ela não o dá ainda.”

E lá vem a Monique com uma resenha curta e com um sentimento estranho em relação ao livro. Quero dar 5 estrelas e não quero ao mesmo tempo, ou resumindo estou com aquele sentimento de amor e ódio pelo livro.

Acredito que a esmagadora maioria das pessoas que passarem seus olhos pela Sinopse ficarão com vontade de conhecer a história, fui uma delas. Ao ler não tem como não achar sensacional o protagonista ser um feto, digo isso porque nós temos a ideia de que um feto não tem sentimentos, não fala, não está 100% formado e outras coisas mais. Mas esse não é simples feto, esse feto é testemunha de uma de um projeto de assassinato feito pela sua própria mãe e tem mais personalidade que muitos personagens que já li.

Só por esse motivo tenho a vontade de dar as 5 estrelas para o livro, quando em sã consciência pensaríamos que um feto seria protagonista de uma história e que ele teria suas próprias ideias? É um ponto simplesmente genial. O que me decepciona é que o autor não explorou o casal (composto pela mãe e o tio, que é o amante!) e apesar de serem tão errados (ao ler vocês compreenderão o porquê) você não consegue odiar demais, sinto como se ainda faltasse uma peça do quebra-cabeça para fazer sentido e ter o ódio que eles merecem. É estranho ler isso, mas quem for familiarizado com a história vai entender o meu ponto de vista.

É um livro pequeno, a leitura é fácil e rápida. Você se acostuma muito rápido em pegar quando é o feto falando e até se acostuma com o modo dele de pensar, é como se você se transportasse para dentro (literalmente) da barriga da mãe dele e ouvisse a história, isso é meio louco mas é legal.

Sem maiores detalhes da história, vale a pena dar a chance para conhecer o casal de quem sabe futuros assassinos, conhecer um dos protagonistas mais legais e claro, descobrir se o tal fato será consumado.

Fica aqui então o pedido para que leiam o livro e me contem se acharam que faltou algo ou se é uma sensação minha. No fim das contas acabei dando 5 estrelas porque uma obra que pensamos em algum momento que teve algo genial merece.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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