sábado, 25/03/2017
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Resenha: “Juntando os pedaços”, de Jennifer Niven

Juntando os pedaçosLivro: Juntando os pedaços
Autor: Jennifer Niven (@jenniferniven)
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Tradução: Alessandra Esteche
Resenha por: Bru Fernández
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Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

“— A gente não pode lutar as batalhas das outras pessoas, por mais que dê vontade.”

Vai parecer absurdo, eu sei, mas esse foi o meu primeiro contato com um livro da Jennifer Niven, essa autora maravilhosa e superfofa que tive o prazer de conhecer no ano passado quando ela veio para o Brasil na Bienal. Fiquei com muita vontade de ler as obras dela e finalmente consegui ler Juntando os pedaços. Que livro delicioso!

Juntando os pedaços nos conta a história de dois adolescentes, Libby e Jack, cada um com seu próprio grande problema. Jack sofre de uma doença chamada prosopagnosia. Esse palavrão quer dizer que ele é incapaz de reconhecer rostos: ele enxerga, mas não grava a imagem de rostos na memória, tornando praticamente impossível para ele distinguir as pessoas como fazemos normalmente. Ele não consegue nem ao menos distinguir sua própria família e até mesmo seu próprio rosto. Desesperador é pouco. Ah, e ninguém sabe sobre essa condição de Jack. Nem amigos, nem a família. Isso porque, com medo de sofrer bullying na escola, Jack reverte a situação por se tornar popular, descolado e até mesmo um dos babacas que fazem bullying com os outros. Como a própria personagem diz: melhor ser o caçador do que a caça.

A vida de Jack começa a mudar quando chega uma nova garota à escola, Libby. Ela passou os últimos anos estudando em casa depois de sofrer muito com a morte repentina de sua mãe, mas finalmente se sente confortável o suficiente para voltar a ter uma vida normal. Acontece que logo na primeira semana Libby é vítima de brincadeiras monstruosas, de Jack e seus amigos, apenas por ela estar acima do peso. Libby e Jack acabam tendo que frequentar um grupo de apoio juntos no colégio e então nasce uma amizade improvável.

Gostei demais da forma como a autora abordou temas difíceis como perda e bullying nesse livro. É sempre muito fácil julgar a vida, o corpo e as escolhas das outras pessoas quando não estamos no lugar delas. Parece algo óbvio e simples, mas que a maioria de nós ainda esquece quando falamos dos outros. Esquecemos do poder que as palavras têm. O pior de tudo é que muitas vezes nos sentimos incompreendidos também, mas não fazemos o menor dos esforços para tentar compreender os outros. A Libby, pra mim, é de longe a melhor personagem dessa narrativa. Ela é mais forte do que imagina, decidida e corajosa, tudo isso sem perder a sua fragilidade, seus medos. Não é fácil lutar contra tudo e contra todos o tempo inteiro, nem manter a autoestima lá em cima o tempo todo, mas a autora reforça a principal mensagem do livro o tempo todo: “Alguém gosta de você”.

Além de personagens incríveis, a minha leitura fluiu com muita facilidade por conta da escrita deliciosa e simples da autora, que intercalou os capítulos curtinhos entre as personagens de Jack e Libby. Devorei o livro em um fim de semana. É uma narrativa verossímil e tudo fez ainda mais sentido e ganhou uma carga emocional ainda maior quando li os agradecimentos da autora e vi que ela se baseou muito na própria história de vida e de pessoas próximas a ela para criar Juntando os pedaços. Muito amor envolvido. ♥️

Uma leitura, inspiradora, apaixonante e edificante, daquelas que nos fazem refletir a todo momento. Temos muito a aprender com Jack e Libby sobre amor, perda, família, certo e errado, e principalmente sobre superação. Um YA indispensável para a estante de qualquer leitor.

“Isto é o que sei sobre perda:

• Não melhora, você só se acostuma com ela (de algum jeito).
• Você nunca deixa de sentir falta das pessoas que se vão.
• Para uma coisa que não está mais ali, pesa uma tonelada.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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