segunda-feira, 20/02/2017
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Resenha: “Aconteceu naquele verão”, de vários autores

Aconteceu naquele verãoLivro: Aconteceu naquele verão
Organização: Stephanie Perkins (@naturallysteph)
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Tradução: Ana Rodrigues, Flora Pinheiro e Larissa Helena
Resenha por: Bru Fernández
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Bem-vindos à estação mais ensolarada e apaixonante de todas! No verão, somos todos iguais, diz um dos personagens do conto “Mil maneiras de tudo isso dar errado”. No Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do globo, uma coisa é certa: no verão, nossos corações ficam mais leves, mais corajosos, impetuosos e confiantes – talvez por isso esta seja a estação perfeita para se apaixonar… e Aconteceu naquele verão é o livro ideal para quem adora histórias de amor.

Mas essa coletânea tem algo ainda mais especial. Algumas histórias têm uma pitada de estranheza, de mistério, um toque sobrenatural. Em “Cabeça, escamas, língua, calda”, a lagoa de uma cidadezinha é morada de um monstro marinho que só uma menina vê. No intrigante “Inércia”, dois grandes amigos há muito afastados vão se encontrar num quarto de hospital para uma última visita. No belo “O mapa das pequenas coisas perfeitas” é sempre dia 4 de agosto. Presos num loop temporal, dois jovens vão comprovar do que a força do amor é capaz.

A lição é simples: o amor não escolhe lugar nem hora para surgir. Coloque seus óculos escuros e abra sua cadeira de praia, porque neste verão você terá doze motivos para suspirar e se apaixonar.

“Frase!”

Ah o verão! Sou suspeita pra falar porque é a minha estação do ano preferida, mas confesso que estava com medo de dar de cara com um monte de histórias de amor melosas, mas felizmente não! A variedade de autores também significa variedade de enredos e ideias, é uma antologia pra agradar a gregos e troianos, misturando romance com terror, fantasia, comédia e até mesmo uma repetição do dia da marmota. Acho muito complicado resenhar uma antologia somente generalizando, então resolvi fazer uma mini-resenha de cada conto. Vamos lá?!

Cabeça, escamas, língua, cauda, de Leigh Bardugo
Um belo início pra essa antologia! Não foi primeiro contato com uma obra da autora e gostei bastante do tom sobrenatural que Bardugo trouxe para esse romance de verão entre Gracie e Eli. Gracie é uma adolescente que mora em uma pacata cidade e acredita ter visto um monstro no lago da sua cidade. Seria o monstro do lado Ness? Um parente dele? Outra coisa? A garota vai atrás de respostas e, acreditem ou não, a reviravolta final me pegou de surpresa! Engraçado como poucas páginas de uma história podem envolver a gente. Essa foi uma típica história de amor de verão com um toque de sobrenatural.

O fim do amor, de Nina Lacour
Nunca tinha ouvido falar dessa autora que ainda não tem livros próprios publicados no Brasil, mas ao pesquisar mais sobre ela descobri que já escreveu um livro junto com o querido David Levithan. O conto de Lacour conta a história de Flora, uma adolescente que não acredita mais no amor, por causa da separação dos seus pais e as mudanças que isso está acarretando para a vida dela. Para evitar passar o verão todo presa em casa com eles, ela decide se inscrever em um curso de verão de Geometria, uma de suas favoritas. O próprio professor da matéria não consegue entender o que ela está fazendo ali, já que é uma ótima aluna e poderia aproveitar melhor suas férias. Mas o universo não falha e são nessas aulas que ela reencontra Travis, Hope e Mimi (esta última foi/é a primeira verdadeira paixão de Flora), antigos conhecidos da época em que Flora namorava Blake. Gostei demais da forma que a autora retratou o descontentamento da adolescente em relação ao amor, ao relacionamento de seus pais e aos seus próprios sentimentos.

O último suspiro do Cinemorte, de Libba Bray
A autora é uma velha “conhecida”, mas nunca tinha lido nenhum material dela e me surpreendi. Esse foi um dos meus contos favoritos, talvez por ter uma pitadinha de comédia, terror e uma personagem de cabelos coloridos. O terceiro conto fala sobre Kevin, um garoto que trabalha em um antigo cinema de sua cidade, o Cinemorte, que só passa filmes de terror antigos. Um lugar incrível que eu frequentaria com certeza! Mas infelizmente o cinema será demolido. Kevin está superchateado, afinal, o Cinemorte é a válvula de escape de sua vida complicada e o único local onde ele convive com seu grande amor, Dani, uma garota de pele morena e cabelos verde-água. Ah, e também com seu hilário amigo Dave. Mas a última sessão reserva fortes emoções para Kevin e seus companheiros quando o terror sai da telona para a vida real. Pra sentir medo e pra rir bastante!

Prazer doentio, de Francesca Lia Block
Não conhecia essa autora também e esse foi o conto mais impactante pra mim. De cara não gostei muito, mas depois de terminar a leitura e analisar a narrativa, mudei de ideia. Nesse conto os nomes das personagens não são revelados, elas são todas apresentadas pelas iniciais. A narrativa fica por conta da protagonista, I., que conta como conheceu e se apaixonou por A., que frequentava a mesma boate que I. ia com as suas amigas, M., L., S. e J. Começa a rolar um romance entre I. e A., mas I. se deixa influenciar demais pelos outros, principalmente por M., a amiga cheia de “experiência”, e acaba se deixando levar pelo que a amiga dita. Quem foi que nunca se sentiu pressionado a fazer algo/deixar de fazer algo por causa dos amigos quando adolescente? É uma fase difícil em que a busca por aceitação é muito grande. No fim das contas, adorei a abordagem da Francesca… quem diria!

Em noventa minutos, vá em direção a North, de Stephanie Perkins
Perkins, além de autora, é a organizadora da antologia, que não é a sua primeira: a Intrínseca já publicou aqui a antologia de contos de Natal, O presente do meu grande amor. Quem leu essa outra obra terá uma agradável surpresa ao reencontrar North e Marigold! A autora conta agora como Marigold viaja até North para “salvá-lo”. Depois de um tempo sem se verem pessoalmente e sem conversar, ambos são surpreendidos pelas novidades do outro. Mas não se preocupe, se você não leu o conto anterior, dá pra entender a história tranquilamente. É uma história com um ritmo delicioso e você também vai se apaixonar pelos dois.

Lembranças, de Tim Federle
E esses autores que eu mal conheço mas já considero pacas? O prêmio de Conto Mais Fofo vai para essa criação do Federle! Acompanhamos nas breves páginas deste conto o namoro secreto e desajeitado de Matthew e Keith. Eles se conheceram no Sonholândia, o parque de diversões onde ambos trabalham no verão e são tão descolados que já estabeleceram uma data para o fim do namoro. Tudo isso porque Keith vai se mudar para longe por conta da universidade. O conto nos mostra as tentativas de Matty de lidar com esse fim iminente, com seus sentimentos por Keith e a forma como ele foi tratado durante esse romance de verão. Será que valeu a pena? O autor soube ilustrar dois opostos muito bem e o final foi incrível, daqueles que deixam o coração quentinho, sabe? Leiam e se apaixonem por esses dois queridos, como eu me apaixonei.

Inércia, de Veronica Roth
Até que enfim chegou um dos contos que eu mais queria ler! Gosto muito da autora, estou louca para ler a série nova dela, mas enquanto isso não acontece, esse conto foi uma boa forma de matar a saudades de Roth. O conto dela tem uma pegada futurista em que a medicina avançou de tal forma que conseguimos “conversar” e “reviver” momentos com uma pessoa querida antes de ela entrar em uma cirurgia delicada que pode não ser bem sucedida. É a situação em que encontramos Claire e Matt, dois grandes amigos que estavam tempos sem se falar. Matt sofreu um acidente e antes de passar pela cirurgia os dois são “conectados” e podem reviver momentos juntos e, principalmente, serem sinceros um com o outro antes que seja tarde demais. Um dos contos mais emocionantes, na minha opinião.

Amor é o último recurso, de Jon Skovron
Olha lá, mais um autor que eu não conhecia e me conquistou pelo conto! Aliás, Skovron virou um queridinho porque ele me ganhou minha atenção logo nas frases iniciais do conto e me arrebatou com as frases finais. A narrativa se passa em um spa e a quantidade de casais e confusão nesse conto são enormes. O foco porém é em Lena, uma das empregadas mais importantes do spa e no menino novo que começou esse verão, Arlo. Os dois são muito diretos e irônicos, o que tornou o conto bem divertido. Eles se juntam ao jovem Zeke, um garoto que não fala e trabalha como caddie, para darem uma de cupidos e formarem casais que se gostam mas têm medo de tomar alguma iniciativa. Adorei a escrita do autor, gosto muito quando o recurso do narrador conversar com o leitor é usado e Skovron fez isso incrivelmente bem. Um conto inteiramente dedicado àqueles que não acreditam no amor. Para entender, só lendo mesmo. ;)

Boa sorte e adeus, de Brandy Colbert
O que eu mais gostei nesse conto foi a forma como a protagonista, Rashida, precisa aprender a lidar com o amor que sente pela prima Audrey, que sempre cuidou dela desde que a mãe de Rashida faleceu, anuncia que vai se mudar para longe com a namorada. Lidar com a perda não é fácil para a protagonista e mesmo sabendo que não é uma perda definitiva como a morte, ela sente como se a prima estivesse a abandonando, a deixando sem chão, sem seu porto seguro. Na noite da festa de despedida de Audrey e Gillian (a namorada), Rashida fica supermal-humorada e sai dando patada em todo mundo. Porém algumas reviravoltas dão uma patada de volta em Rashida, que começa a entender que sua raiva é infundada e que existem outras formas de enxergar a situação.

Nova atração, de Cassandra Clare
Apesar de ainda não ter lido todos os livros da autora, não dá pra negar que a Cassie é uma escritora de mão cheia, né? E o conto dela mostra isso muito bem, trazendo, claro, toques de magia e fantasia para o interessantíssimo universo que a autora criou para esse conto. Nova atração conta a história de Lulu, uma garota que nasceu e cresceu em um parque de diversões itinerante comandado pelo pai dela. Até que um fatídico dia ela some, deixando apenas um bilhete avisando que não vai mais voltar. Lulu precisa então liderar o parque, mas então seu tio Walter reaparece, com o enteado (lindo!) Lucas, para assumir a situação. Lulu descreve Lucas como uma carinha supergato, agradecendo o fato deles não serem família de verdade (um tópico recorrente para a Clare, não é?! Hehehe). Apesar de curtinha, a história é envolvente, cheia de elementos mágicos e sobrenaturais e me deixou com a sensação de quero mais. Expande que a gente gosta, Cassie! #ficaadica

Mil maneiras de tudo isso dar errado, de Jennifer E. Smith
O conto que eu achava que ia ser o mais melosinho e romantiquinho trouxe à tona um assunto de suma importância: o autismo. Annie trabalha com crianças em uma colônia de férias e uma das crianças de sua turma, o fofo Noah, é autista. A garota se desdobra em várias para tentar ajudar o garoto a lidar com o dia a dia e quem acaba a ajudando nessa empreitada é o garoto pelo qual ela está caidinha: Griffin. Griffin e Noah se conhecem e acabam se dando superbem… não dá pra contar mais pra não estragar a leitura, mas é uma história muito bonita, representativa e importante para a obra.

O mapa das pequenas coisas perfeitas, de Lev Grossman
O final perfeito para esse livro, desde o título, até o desfecho e a belíssima mensagem de amor da narrativa. O conto de Grossman faz referência a um grande clássico do cinema, Feitiço do Tempo, se você ainda não assistiu, por favor, assista! O protagonista da narrativa, Mark, está fadado a viver eternamente o mesmo dia, assim como o protagonista do filme. Preso no dia 4 de agosto, Mark usa esse tempo para colocar a sua leitura em dia. Até que um dia ele conhece Margaret, a única outra pessoa que percebe que eles estão vivendo o mesmo dia de novo e de novo e de novo e de novo. Juntos eles começam um projeto: mapear momentos, aqueles momentos em que algo muito especial e perfeito acontece, mas a garota parece estar sempre distante, enquanto ele se apaixona. Um desfecho muito amorzinho.

Ufa, o que dizer dessa antologia que me apresentou vários autores que eu ainda não conhecia e me trouxe contos incríveis de outros que eu já era fã? Leitura obrigatória, principalmente no verão! Mesmo que vocês não goste de histórias mais curtinhas, vale a pena arriscar para conhecer novos autores. Gostei muito de ver que os autores exploraram os mais variados tipos de amor nas histórias e saíram do óbvio.

Perkins, já estou esperando a antologia de primavera e de outono. Grata!


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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