sexta-feira, 18/08/2017
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Resenha: “Carve a marca”, de Veronica Roth

Livro: Crave a marca (#01)
Série: Crave a marca
Autor: Veronica Roth (@VeronicaRoth)
Editora: Rocco
Páginas: 480
Tradução: Petê Rissatti
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Cultura Folha Travessa Amazon

Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, Crave a marca é aguardado novo livro da autora da série Divergente, Veronica Roth, que terá lançamento simultâneo em mais de 30 países em 17 de janeiro, e surpreenderá não só os fãs da escritora, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.

“– Por que devo confiar em você? – perguntou ela em voz baixa.
– Você está desesperada, e eu também – respondi. – Pessoas desesperadas tomam decisões estúpidas o tempo todo.”

Estava todo mundo num frenesi absurdo para ler a nova série da Veronica Roth, o primeiro livro da autora depois da finalização da série Divergente. O dia do lançamento chegou, o livro saiu simultaneamente no Brasil…e a quantidade de pessoas não gostando do livro foram astronômicas, pelo menos no meu círculo de conhecidos. Achei estranho, dei uma desanimadinha, mas acabei comprando o livro pra tirar minhas próprias conclusões. Já adianto que não me arrependi.

Crave a marca promete uma história YA com um quê de ficção científica e a autora peca um pouco na entrega do prometido. Não espere muita elaboração na parte da ficção científica, além da ambientação ser em outra galáxia/planeta no qual tudo se conecta através da Corrente, uma energia misteriosa onde cada pessoa possui um dom – todos eles têm seu lado bom e ruim, apesar de parecerem maldições algumas vezes, como no caso da protagonista, Cyra. Fora o do, algumas pessoas têm fortunas, que nada mais é do que seu destino revelado por um oráculo em uma frase que, obviamente, quase nunca é 100% clara e objetiva.

Akos e Cyra são a dupla principal da obra, inclusive com capítulos divididos entre os dois, os capítulos dele narrados em terceira pessoa e os dela em primeira. Akos Kereseth é do planeta (e nação) Thuvhe – um local frio e pobre -, um jovem tímido que fica corado por pouca coisa desde jovem. Ele possui uma irmã, Cisi, e um irmão mais novo, Eijeh. Akos e o irmão mais novo são sequestrados pela família de Cyra quando ainda jovens. As coisas ficam mais difíceis de aceitar já que a mãe deles, Sifa, é um oráculo e, na cabeça de Akos, poderia ter prevenido o sequestro. Cyra é na nação Shotet – grandes inimigos de Thuvhe – e é a filha mais nova da família Noavek, com um pai rígido que não lhe dava a mínima atenção, uma mãe amável e um irmão vingativo, Ryzek. Crescer na família Noavek a tornou uma pessoa mais dura, cética e resistente.

Como mencionei anteriormente, o dom de Cyra mais parece uma maldição, já que ele a faz sentir uma dor insuportável o tempo todo, mas seu irmão Ryzek a mantém por perto para utilizá-la como uma arma para torturar e matar pessoas. Se você achou esses nomes muito estranhos, aprenda a pronunciá-los com a própria autora aqui.

Devido ao seu dom (que não vou revelar aqui por conta de spoilers), Akos se torna “companheiro” de Cyra e então realmente começa a narrativa. Os dois acabam se ajudando, mesmo que contra a vontade no começo, mas apesar de sua afeição por Cyra, Akos ainda quer cumprir a promessa que fez ao pai antes dele morrer: que ele levaria o irmão mais novo, Eijeh, de volta para casa.

Apesar de sentir falta da parte sci-fi, gostei bastante da narrativa, que prendeu a minha atenção. Com ação e romance na medida certa, o que mais me agradou no livro foi Cyra, uma personagem forte que não fica choramingando pelos cantos, objetiva e uma guerreira implacável. Outras personagens mais secundárias que eu gostei muito foram Vas, o fiel guarda de Ryzek cujo dom é não sentir dor alguma; Teka, uma das rebeldes que me lembrou muito de Adelina Amorteru, personagem de Marie Lu em Jovens de Elite; Ryzek, o vilão da história, sempre um passo a frente de todos, cruel, vingativo; e o destaque principal vai para Sifa Kereseth, mãe de Akos e atual oráculo de Thuvhe. Ainda estou tentando entender qual é a dela: mocinha, vilã ou um pouco dos dois?

O melhor de Crave a marca com certeza são as personagens. Senti que esse primeiro volume da duologia foi mais usado para tentar construir o novo mundo de Roth, mas, se compararmos com Divergente, a construção ficou muito genérica e um pouco pobre, ousaria dizer. Algumas descrições são muito lindas, temos muitas falas marcantes, principalmente de Cyra, só senti falta de um pano de fundo mais elaborado, mas não atrapalhou minha leitura.

Gostei muito também da forma como a autora retratou diferenças culturais e a arte da desinformação no livro, que são coisas que, infelizmente, acontecem hoje no nosso mundo. O povo Shotet odeia profundamente os Thuvhe e o motivo não ficou lá muito claro, mas quem disse que o ódio de hoje por algumas culturas é justificável? A forma como Ryzek manipula a informação que chega ao seu povo, direcionando os acontecimentos para o seu próprio benefício também acontece dos dias de hoje em que viramos leitores de chamadas sensacionalistas de jornais e não nos damos nem ao trabalho de verificar fatos antes de vomitá-los em uma discussão.

Entendo os pontos de algumas pessoas que não gostaram do livro, mas eu gostei bastante e estou ansiosa pela continuação. Minhas dicas são: 1) antes de ler se desapegue de Divergente; 2) se desapegue de qualquer expectativa e; 3) se desapegue de opiniões alheias, o que não funcionou pra uma pessoa, pode funcionar pra você e vice-versa. Para mim foi uma leitura YA que valeu sim a pena e já estou fazendo uma lista de dúvidas que é bom a autora resolver no segundo, e aparentemente último, volume da série!

Pra finalizar uma curiosidade sobre o título do livro: Crave a marca faz referência a um ritual Shotet de cravar uma marca nos braços para representar cada pessoa que você já matou, para que ela seja lembrada.

“– Primeira lição: a melhor maneira de vencer uma luta é evitá-la. Se seu inimigo dormir pesado, corte a garganta dele antes de ele acordar. Se ele tiver coração mole, apele para sua compaixão. Se estiver com sede, envenene sua bebida. Entendeu?
– Ou seja, jogue a honra pela janela.
– Honra – falei, bufando. – Não há lugar para honra na sobrevivência.”


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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