sexta-feira, 24/03/2017
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Resenha: “A tempestade”, de Manuela Titoto

A TempestadeLivro: A Tempestade
Autor: Manuela Titoto Facebook
Editora: Novo Conceito
Páginas: 258
Tradução:
Resenha por: Nina
Comprar: Amazon

Numa das costumeiras pescarias com o seu pai, no reservatório Bellamy, a jovem Margot é raptada. Ela acorda, mas ainda se vê dentro de um pesadelo que invoca os medos mais primitivos e viscerais do ser humano: está aprisionada dentro de um caixão fechado. O serial killer que agia dessa maneira já era bem conhecido nos jornais norte-americanos como Irony Joe, e Margot parece ser a sua mais nova vítima.

Após sua fuga, Margot e seu pai começam a receber e-mails ameaçadores. Por segurança, ela tem que deixar o país. Na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Margot passa a morar com a mãe. A partir de então, a jovem precisa lidar com uma nova vida, que significa ter outro nome e um colégio bem diferente do que estava acostumada.

O único problema é que o passado de Margot parece não querer se distanciar tanto assim do seu futuro.

A tempestade não é um livro de leitura difícil, porém foi um tanto trabalhoso de ler. Na leitura da sinopse, você já tem a ideia de um thriller policial, pois conta a história de alguém que fugiu de um serial killer, certo? É, mas não é bem assim…

O jeito como o início da história foi construída nos dá a ideia de alguém que foi escolhido ao acaso por um serial killer e de alguma forma (meio absurda) conseguiu escapar, mas vive assombrada, sem se recuperar do trauma. E a situação piora quando emails estranhos são enviados para Margot e seu pai, obrigando-a a fugir de seu país e ir viver com a mãe no Brasil. Na minha opinião, essa é a parte mais bem construída e completa de todo o livro, onde as coisas fazem sentido.

Quando o ambiente da história muda para o Brasil, eu senti que a história fica cheia de furos, perde a consistência e muda de identidade. A partir desse momento a história sai do foco mais policial e entra no romance água com açúcar da menina novata que tenta se ajustar e do bonitão misterioso. Vira lugar comum e dispensa toda a parte que tornou a sinopse interessante. A parte do serial killer é jogada para segundo plano.

Sobre os personagens, sempre que me deparo com uma heroína fragilizada, tomo certa birra da personagem. No caso da Margot, suas atitudes não refletem mesmo os traumas que ela passou na vida. Espera-se dela atitudes e escolhas mais maduras, ou mais retraídas e antissociais. Mas ela parece que se ajusta muito bem no país com outra língua, outros costumes, outras liberdades – mesmo depois de quase morrer nas mãos de um assassino e ter vários pesadelos sobre isso. A personagem simplesmente não convence.

Nos personagens secundários, Gustavo é o que menos faz sentido. Afinal de contas, por que ele é misterioso? Foi tão enfático o mistério no início e depois esse mistério é esquecido e ele vira o príncipe no cavalo branco. A mãe de Margot, Sara, é outra cuja história faz menos sentido ainda – mas dizer qualquer coisa seria dar um enorme spoiler do que se torna a história.

Eu não saberia dizer em quanto tempo a história de todo o livro se desenrola, porque não fica claro. Todos os acontecimentos cabem numa linha temporal muito curta, mas que seria muito intensa. Além disso, eu deletaria várias cenas que não tem a menor importância na história e servem mesmo para encher as páginas (o baile de máscaras, por exemplo).

A história tem alguns furos que seriam facilmente resolvidos com alguma pesquisa. Para quem é muito fã de livros, filmes e séries policiais e médicas é meio óbvio todos os furos que acontecem no final do livro, no encerramento da história.

Eu fiquei bem na expectativa de um suspense psicológico, e a história do tipo “Malhação” me decepcionou um pouco. Não é um livro ruim, mas tem muitos detalhes que podem ser melhorados em termos de enredo, personagens e pesquisa.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

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Sobre Nina Lima

Poderia ser qualquer outra coisa, mas resolveu ser turismóloga e apaixonada pela Inglaterra e pelo McFLY. Leu a trilogia Jogos Vorazes em três dias e amou; considera Harry Potter a melhor série do mundo, adora a escrita da Meg Cabot e topa qualquer YA Book.

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