sexta-feira, 24/03/2017
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Resenha: “A costa negra”, de Kevin Emerson

A costa negraLivro: A costa negra (#02)
Série: Atlantes, Os
Autor: Kevin Emerson (@kcemerson)
Editora: LeYa
Páginas: 368
Tradução: Débora Isidoro
Resenha por: Bru Fernández
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O ACAMPAMENTO ÉDEN PARECIA O OÁSIS IDEAL, MAS ALGUNS PARAÍSOS ESCONDEM SEGREDOS SOMBRIOS.

A costa negra, segundo volume da trilogia “Os Atlantes”, dá continuidade à história de Owen Parker, um dos descendentes da poderosa etnia Atlantes. Owen, Lilly e Sanguessuga escaparam do Acampamento Éden e o próximo passo na jornada deles é encontrar Atlantes e protegê-la de Paul e do Projeto Elysium. Para isso, eles vão precisar cruzar as terras desertas que sobraram de um planeta destruído. Ao contrário de Éden Oeste, que escondia segredos terríveis, agora o horror fica diante de seus olhos. A costa negra combina romance, ação e aventura, sem dúvida, um livro imperdível para os fãs da distopia.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

#01 - O código perdido

“— Sempre acabou desse jeito. Cada civilização foi só uma tentativa, um palpite melhor, considerando o momento, a ecologia, o clima. E todas são imperfeitas, tiros no escuro, e todas acabam com uma inundação. A onda que engole um povo nasce de seus desejos mais sombrios.”

Quando li o primeiro livro da série, O código perdido, fiquei com a impressão que ele era apenas uma grande introdução ao universo de Kevin Emerson, então esperava um pouco mais de ação e desenvolvimento do enredo em A costa negra e foi exatamente isso que o autor entregou aos seus leitores!

Começamos a história exatamente onde ela acabou no primeiro volume: com Owen, Lilly e Sanguessuga fugindo de Paul no Acampamento Éden (toda vez que eu leio acampamento, associo com Percy Jackson, damn you Riordan!), mas agora eles estão fora da proteção do domo, “lá fora” no mundo real com pouca proteção e atentos a qualquer aproximação das pessoas das quais eles fugiram e agora estão os perseguindo. Os jovens também estão quase sem comida e água, além da falta de proteção da radiação solar, muito mais perigosa no universo criado por Emerson, onde a Natureza entrou em colapso.

Eles acabam parando em um Walmart – adorei a referência, afinal o livro se passa em um futuro distópico em 2086, ou algo assim – para tentar reabastecer e já começam a ter problemas ao encontrar membros de um culto, em Desenna. Os três jovens acabam seguindo na direção do Éden Sul, tomado por esse culto liderado pela Dra. Victoria Keller e onde aparentemente está a garota, Helíade, que completa o grupo dos Atlantes como a Médium.

Acontece que eu desgostei da suposta Médium desde o começo, não apenas por gostar muito mais de Lilly, mas pela falta do sentimento de sororidade dessa nova personagem que se acha a última bolacha do pacote e sente extremamente especial, uma deusa, como ela mesma se auto-entitula por variadas vezes. Menos, amiga. Bem menos.

A costa negra tem uma narrativa muito mais obscura que seu antecessor. Temos uma maior informação sobre os massacres que aconteceram no mundo, as pandemias que derrubaram milhares de pessoas e ainda temos sacrifícios ocorrendo no Éden Sul, uma prática tão arcaica para a a maioria da humanidade hoje, o que deixa o fato ainda mais absurdo por estar acontecendo no futuro. Aos poucos o aviso dado ao protagonista Owen logo no início da história faz mais e mais sentido: “Você deve tomar cuidado com os deuses e seus horrores.”

Além de entregar uma história muito mais bem estruturada e repleta de ação, Kevin Emerson conseguiu me deixar de queixo caído em alguns momentos com reviravoltas no enredo que eu não esperava que acontecessem. Senti como se um trem tivesse passado por cima de mim e eu simplesmente não tive tempo de ver de onde ele veio e nem para onde ele estava indo!

O universo distópico que Emerson criou é muito bem construído e assustador de tão verossímil. Nosso mundo pode mesmo entrar em colapso mo próximo século se não cuidarmos do nosso planeta. O autor também nos instiga a pensar se esse colapso na verdade não seria uma forma de evolução: sobrevivem apenas os mais aptos para o novo mundo. Emerson também abre os nossos olhos para os males do mundo atual como por exemplo a poluição. Não adianta todo mundo fazer a sua parte se as grandes indústrias não tomam medidas severas para ajuda. É importante cada um fazer sua parte.

Com um enredo de tirar o fôlego, tive que ler madrugada a dentro porque não conseguia largar meu exemplar no meio. Me vi sozinha tentando juntar meus pedacinhos depois de terminar de ler, desejando fortemente ter o último livro da trilogia para emendar a leitura da série. Definitivamente esse segundo volume deu uma impulsionada na série que começou um pouco devagar com O código perdido. Não consigo imaginar para os lugares que o autor vai nos levar no desfecho dessa série, só espero que The Far Dawn chegue logo no Brasil e responda todas as dúvidas que ficaram no ar até agora.

“— Qi-An — falei.
— Quê?
— É o conceito Atlante do equilíbrio de todas as coisas.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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