sábado, 29/04/2017
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Resenha: “Em um bosque muito escuro”, de Ruth Ware

Em um bosque muito escuroLivro: Em um bosque muito escuro
Autor: Ruth Ware (@RuthWareWriter)
Editora: Rocco
Páginas: 288
Tradução: Alyda Sauer
Resenha por: Bru Fernández
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A britânica Ruth Ware alcançou as listas dos mais vendidos do The New York Times, USA Today e Los Angeles Times com este surpreendente romance de estreia que chega ao Brasil pela coleção de suspense Luz Negra. Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Paula Hawkins e Gillian Flynn. Em um bosque muito escuro será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon.

“Quero dormir, mas apontam luzes para os meus olhos. Eles me examinam e me escaneiam e me imprimem, e levam embora as minhas roupas, duras de sangue. O que aconteceu? O que foi que eu fiz?”

Lembro que quando a editora Rocco anunciou os livros da Coleção Luz Negra eu fiquei superempolgada, afinal, sou muito fã de thrillers, mas confesso que não gostei tanto quanto eu esperava que fosse gostar do primeiro livro da coleção, Uma garota de muita sorte. O livro não é ruim, apenas não me conquistou por completo. Então quando Em um bosque muito escuro chegou pra mim, fiquei com o pé atrás e comecei a ler sem nenhuma expectativa. Que bem que isso me fez!

Em um bosque muito escuro começa com um curto e misterioso prólogo, mas a narrativa é tão envolvente que você até esquece dele durante a leitura, pelo menos foi o que aconteceu comigo. Então somos levamos a um curto capítulo com a protagonista, Leonora, sendo hospitalizada, não sabemos o porquê. A história começa a propriamente se desenrolar no segundo capítulo quando conhecemos melhor a protagonista, uma jovem escritora que é convidada para a despedida de solteira de uma antiga amiga, Clare. Até aí, nada de estranho.

Entretanto, podemos perceber pela inquietação de Leonora, ou Nora, que esse convite foi muito fora do comum, afinal elas não se falam há anos e temos a impressão que a amizade não terminou em bom tom. Fica mais esquisito ainda quando descobrimos que Nora não foi convidada para o casamento, apenas para a despedida. Ela hesita por um tempo antes de responder, mas acaba aceitando quando uma outra amiga dela, Nina, também convidada para a despedida (e, curiosamente, para o casamento também) resolve fazer um pacto: se uma for, a outra vai também. Então, ambas embarcam na aventura.

Mas não espere um fim de semana louco em Vegas ou uma festa com gogo boys. Flo, a atual melhor amiga da noiva e organizadora do evento decidiu que seria divertido levar todo mundo para a casa da tia dela, no meio de um bosque, longe de toda e qualquer civilização. Só essa ambientalização que a autora faz é de arrepiar a espinha e dá o tom para a narrativa. Assim que soubesse onde aconteceria a despedida, eu desistiria antes mesmo de pensar em aceitar o convite!

O grupo de pessoas que vão para a despedida é bem pequeno: Nora, a protagonista; Nina, a amiga com a língua ácida que não tem papas na língua; Flo, a organizadora desesperada que não deixa nada sair da linha e reclama/briga com todos que não seguem a sua “programação” à risca, ou seja, chata pra c*#$%; Melanie, que se tornou mãe recentemente e é a primeira noite longe do filho e do marido, em um local sem sinal nenhum para o celular; Tom, um grande amigo de Clare que trabalha com teatro, assim como o seu namorado/marido, e por isso conhecem Clare e seu futuro marido, também atores; e a noiva, Clare. Cada personagem tem a sua peculiaridade e é impossível simpatizar 100% com alguma delas, até mesmo com a protagonista. Isso foi ótimo e deixou a história ainda mais verossímil para mim.

A narrativa vai se intercalando com os acontecimentos durante o fim de semana da despedida e os momentos em que acompanhamos Nora sendo atendida no hospital, depois de sofrer um acidente sobre o qual ela não se lembra muito bem. Cada hora a desconfiança é de uma personagem, de uma ideia diferente do que possa ter acontecido. Ruth Ware é uma escritora maravilhosa e consegue prender o leitor a cada página. Espero que mais livros dela sejam publicados aqui no Brasil. Corre ler, que vale cada momento de tensão!

“Mas eu não sei se estou me lembrando do que aconteceu, ou se é o que eu quero que tenha acontecido. Sou escritora, sou uma mentirosa profissional.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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