sábado, 29/04/2017
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Resenha: “Coração de Aço”, de Brandon Sanderson

Coração de açoLivro: Coração de Aço (#01)
Série: Executores
Autor: Brandon Sanderson (@BrandSanderson)
Editora: Aleph
Páginas: 392
Tradução: Isadora Prospero
Resenha por: Bru Fernández
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Tudo começou com Calamidade, que surgiu nos céus como uma estrela de fogo, e que ninguém sabe o que é realmente: seria algo alienígena, ou então um experimento do exército norte-americano? Seus efeitos, entretanto, podem ser sentidos algum tempo após seu surgimento: pessoas comuns passam a ter poderes que desafiam as leis da física e da lógica. Parece que uma nova era está para surgir. E surge: os nomeados Épicos não apenas se tornam poderosos, mas também ganham uma sede insaciável de poder e parecem perder toda sua humanidade no processo, deixando o resto da população à mercê de suas vontades e caprichos. Dentre eles o mais poderoso é Coração de Aço, um ser invulnerável a qualquer tipo de ataque e com capacidade de manipular e transformar objetos inorgânicos em metal, que decide tomar a cidade de Chicago e ali estabelecer seu império.

Dez anos se passam e os Épicos governam com poder absoluto, com todos os direitos e nenhum dever, se apossando de tudo o que querem a seu bel-prazer, e matando aqueles que ousam desafiá-los. Não existe nada e ninguém que possa impedi-los. A exceção a essa regra são os Executores, humanos normais, munidos de tecnologia de ponta que se utilizam de táticas de guerrilha para derrubar e matar o maior número possível de Épicos. O sonho de David, um jovem criado em um orfanato/fábrica de Nova Chicago é juntar-se aos Executores e destruir Coração de Aço, o homem que matou seu pai e mudou sua vida para sempre.

“Eu já vi Coração de Aço sangrar.”

O meu amor pela escrita de Brandon Sanderson só cresceu desde que eu comecei a ler a série Mistborn. Assim que soube que a Aleph começou a publicar uma nova série do autor, ele entrou para a minha lista de desejados antes mesmo que eu lesse a sinopse do livro. Coração de Aço é bem diferente do que eu esperava, com uma pegada mais futurista e distópica.

Nesse novo universo da série Executores, depois de um evento chamado posteriormente de Calamidade, algumas pessoas misteriosamente ganham superpoderes. Mas ao contrário do que estamos acostumados nos filmes e quadrinhos, essas pessoas não se tornam heróis, mas os vilões, que começam a brigar pelo comando de cidades, subjugando os humanos frágeis, sem poderes. Essas pessoas com poderes são chamadas de Épicos. Convenhamos, uma situação muito mais verossímil para o nosso mundo, já que sabemos muito bem como o poder sobe facilmente à cabeça de qualquer ser humano.

Existem inúmeros poderes para os Épicos, alguns mais fortes que os outros. Esses mais fortes foram denominados de Alto Épicos. Alguns podem ter a forma translúcida, outros transformar tudo em aço, como o vilão que dá nome ao livro. Temos até a menção no livro de um Épico que podem produzir pedras preciosas, e por esse motivo essas pedras perderam muito o valor no mercado.

O protagonista é David, um jovem nerd, péssimo com metáforas, que assistiu o seu pai morrer pelas mãos de Coração de Aço, um Épico extremamente poderoso. Porém, cada Épico tem uma fraqueza, uma forma pela qual ele pode ser derrotado. E no dia que seu pai faleceu, David viu Coração de Aço ser atingido. Algo naquela situação revelou a fraqueza do Épico, que transformou tudo em aço, matou todos os presentes e mandou afundar o banco onde tudo isso aconteceu. Mas David sobreviveu. Em um mundo cruel, escuro, e durante dez anos o jovem prometeu a si mesmo que não seria mais covarde e que um dia conseguiria acabar com o algoz de seu pai.

David acumulou muitas informações sobre os Épicos ao longo dos anos e acaba se juntando aos Executores, um grupo de humanos que combatem os Épicos, exterminando um tirano por vez, tentando mostrar uma resistência humana de forma ousada e louca. Afinal, onde existem vilões, uma hora ou outra surgirão heróis. Como em suas outras obras, as personagens criadas por Sanderson são muito carismáticas e variadas. O próprio protagonista é uma personagem fácil de se apegar. Mesmo com toda a vingança, ódio e foco dentro dele, podemos ver que David é muito inteligente e consegue se virar muito bem sob pressão para sair de várias enrascadas. Também é impossível não se apegar ao escocês fanfarrão Cody, que vive fazendo alusões ao passado (nosso presente) e tirando sarro de tudo e todos. Outra ótima personagem é Megan com sua personalidade que muda constantemente, ainda mais em relação a David. O líder Prof, que esconde mais segredos do que aparenta – e que aos poucos são revelados na narrativa.

“— Você nunca ouviu falar de gaita de foles? — Cody perguntou, parecendo horrorizado. — Elas são tão escocesas quanto kilts e pelo de axila ruivo!
— Hã… oi? — eu disse.
— É isso — Cody afirmou. — Coração de Aço deve cair pra voltarmos a educar as crianças direito. Isso é uma ofensa contra a dignidade da minha terra natal.”

Além dessa personagens na equipe dos Executores temos também Abraham, um canadense que na verdade acredita que o Épicos um dia salvarão a humanidade; e Thia, uma viciada em refrigerantes que é o braço direito do Prof e cuida da parte técnica dos planos dos Executores. O que mais me agradou nesse grupo é que ele não é nada homogêneo, com pessoas com diferentes verdades e crenças, mas que funciona. Seja por um fim em comum ou por respeito, mas funciona.

Demorou um pouco para a história engrenar e o ritmo acelerar durante a minha leitura, mas uma vez no ritmo do enredo, não consegui parar de ler. Desconfiava de algumas revelações que aconteceriam ao final do livro, mas quando chegamos ao clímax é um tapa na cara atrás do outro que ficamos até desnorteados com tanta informação. Uma narrativa explosiva, cheia de ação e tensão, mas que ainda deixa espaço para boas risadas e questionamentos sobre poder e tirania. Um assunto mais atual, impossível.

Esse livro é o primeiro de uma trilogia e os dois livros seguintes já foram publicados no exterior: Firelight e Calamity. Com isso fica aqui o meu pedido para a Aleph: não demorem muito para publicar o restante da série, por favor!

“— A verdade não é deprimente — Abraham falou, com o seu leve sotaque. — As mentiras que você finge aceitar é que são realmente deprimentes.”


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

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Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Um comentário

  1. Luan Rodrigo

    Esse livro é incrível! Gostei demais.

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