quinta-feira, 21/09/2017
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Resenha: “Quem era ela”, de J. P. Delaney

Quem era elaLivro: Quem era ela
Autor: J. P. Delaney
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Tradução: Alexandre Raposo
Resenha por: Bru Fernández
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É preciso responder a uma série de perguntas, passar por um criterioso processo de seleção e se comprometer a seguir inúmeras regras para morar no nº 1 da Folgate Street, uma casa linda e minimalista, obra-prima da arquitetura em Londres. Mas há um preço a se pagar para viver no lugar perfeito. Mesmo em condições tão peculiares, a casa atrai inúmeros interessados, entre eles Jane, uma mulher que, depois de uma terrível perda, busca um ponto de recomeço.

Jane é incapaz de resistir aos encantos da casa, mas pouco depois de se mudar descobre a morte trágica da inquilina anterior. Há muitos segredos por trás daquelas paredes claras e imaculadas. Com tantas regras a cumprir, tantos fatos estranhos acontecendo ao seu redor e uma sensação constante de estar sendo observada, o que parecia um ambiente tranquilo na verdade se mostra ameaçador.

Enquanto tenta descobrir quem era aquela mulher que habitou o mesmo espaço que o seu, Jane vê sua vida se entrelaçar à da outra garota e sente que precisa se apressar para descobrir a verdade ou corre o risco de ter o mesmo destino. Com um suspense de tirar o fôlego e um clima de tensão do início ao fim, JP Delaney constrói um thriller brilhante repleto de reviravoltas até a última página. Uma história de duplicidade, morte e mentiras.

“Certo, então a casa é extraordinária. Maravilhosa, de tirar o fôlego, incrível. Palavras não lhe fazem justiça.”

Antes de falar qualquer coisa sobre Quem era ela, já adianto que esse é um livro altamente recomendável para quem gosta de thrillers psicológicos muito bem escritos e que mantém o leitor perdido e extremamente tenso até a última frase.

Dito isso, vamos destrinchar um pouquinho o romance de J. P. Delaney – pseudônimo do autor Tony Strong -, publicado no Brasil recentemente pela Intrínseca. Quem era ela tem sua narrativa dividida em dois tempo: o passado que conta a história de Emma e o presente que conta a história de Jane.

As duas linhas se entrelaçam principalmente pela casa na Folgate Street, nº 1, uma casa de arquitetura futurística e minimalista com tecnologia de ponta. Para poder alugar essa casa e morar nela é preciso passar por um longo, meticuloso e – por que não – bizarro processo, criado por Edward Monkford, o arquiteto que projetou a casa e é dono dela. O questionário preliminar tem perguntas absurdas e o dono do local impões regras insanas de tão absurdas como por exemplo: Você se sacrificaria para salvar dez desconhecidos inocentes? ou ainda Pessoas obesas suscitam: (a) tristeza; (b) irritação?

Na narrativa, tanto Emma quanto Jane acabam conseguindo passar no rigoroso teste e indo morar em Folgate Street, Emma com o (ex-)namorado e Jane sozinha. Ambas também acabam se relacionando com Edward, o arquiteto, que por sua vez tem uma personalidade narcisista e até mesmo inflexível apesar de ser bem charmoso quando quer. Há ainda uma terceira mulher que envolve o arquiteto: Elizabeth, a ex-esposa de Monkford que faleceu junto ao filho do casal antes que a casa de Folgate Street ficasse pronta.

Especulações não faltam nessa leitura já que os capítulos se intercalam entre a narrativa de Emma e Jane, passado e presente. Aos poucos o autor vai revelando detalhes da trama, que fica mais e mais complexa. Sou leitora assídua do gênero e por muitas vezes estou acostumada a imaginar onde o autor está levando a história e qual será o seu desfecho, mas isso não aconteceu com Quem era ela. A cada nova informação eu ficava cada vez mais perdida na teia criada pelo autor. Com personagens densas e intrincadas fica difícil saber quem está mentindo e quem está falando a verdade.

Foi um livro que me surpreendeu, não achei que fosse gostar tanto dele como gostei. Uma ótima temática/crítica para os dias de hoje quando temos pessoas indo a limites absurdos para viver uma vida perfeita e de aparências. Vale demais a leitura!

“Justo quando achei que estava tudo esclarecido, volto a ficar confusa.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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