terça-feira, 21/11/2017
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Resenha: “Na minha onda”, de Laura Conrado

Na minha ondaLivro: Na minha onda
Autor: Laura Conrado (@laura_conrado)
Editora: GloboAlt
Páginas: 300
Tradução:
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Amazon

Vitória é uma cantora talentosa que esteve no topo do sucesso há cinco anos. Mas agora ela está arrasada: ficou desempregada, voltou a morar com os pais e ainda tem que aceitar o triunfo de Carol Laine, sua amiga de infância e antiga companheira musical, que seguiu em carreira solo e está se tornando uma das mais comentadas artistas da Bahia. Porém, mesmo Vitória tentando se esconder a todo custo, Carol Laine a procura com um convite: ela quer que as duas voltem a trabalhar juntas e que ela participe de um reality show sobre sua vida. Isso significa, também, estar mais próxima de Lucas, o primo e assessor de Carol, por quem Vitória mantém uma paixão secreta há anos. Mesmo parecendo uma proposta irrecusável, é difícil engolir a mágoa, ficar à sombra de Carol Laine e ainda encarar os reveses da fama: a exigência de estar sempre linda e em forma, as fofocas da imprensa de celebridades, a perseguição de um fã maníaco e misterioso e a dúvida sobre as amizades serem apenas por interesse. Em meio a tantos sentimentos conflitantes, Vitória terá que responder: vale a pena voltar a esse mundo onde o ego das pessoas parece controlar tudo?

Que tiro! Que estouro! Que livro delicioso!

Quando chegou em casa o novo lançamento da queridíssima Laura Conrado eu já tinha a certeza que ia me divertir com a narrativa de Na minha onda, mas procurei manter a minha expectativa baixa porque eu simplesmente me apaixonei por Quando Saturno voltar, que veio em uma hora bem propícia da minha vida, e sai indicando o livro pra tudo quanto é amiga (e caso você esteja imaginando, sim, todas amaram o livro também!). Apesar de ter me identificado muito mais com a protagonsita de QSV é praticamente impossível não querer se tornar melhor amiga da despachada e arretada Vitória Prata.

Na minha onda conta a história dessa baiana que está em uma maré de azar tremenda no começo da narrativa. Ela fazia parte de uma dupla de Axé Music, As Elétricas, com a sua melhor amiga Carol Laine, mas as duas resolveram acabar com a dupla – em termos amigáveis – para cada uma seguir seu caminho. Carol Laine, que tem muito mais entendimento do show business do que de música em si, fez muito sucesso em carreira solo. Já Vitória, a verdadeira música da ex-dupla, se mudou para São Paulo para se aprofundar no estudo de música e tentar a vida por lá. Só que seus planos não deram muito certo e ela acabou voltando para a casa dos pais em Salvador com o rabo entre as pernas, uma dívida enorme no cartão de crédito e sem nenhum pingo de autoestima pra contar história.

O que mais gostei na personagem de Vitória é que ela se permite sofrer e remoer seus problemas, mas ela não fica choramingando pelos cantos o tempo todo. Ela sacode a areia do corpo e vai à luta para conquistar seus objetivos, sejam eles profissionais ou sentimentais (ai Lucas!), e não tem medo de fazer sacrifícios. Aliás, Vitória está disposta a fazer tudo para ter a sua fama de volta, ela começa até a se perder um pouco, desenvolvendo uma certa futilidade que antes não víamos na personagem. Ditadura da moda, vigilantes do peso. Se já é difícil estar fora dos padrões estabelecidos pela sociedade no dia a dia de uma pessoa normal e comum, imagina para uma pessoa famosa.

“Psiiii. Parou! Pare, Vitória, não vá querer chorar outra vez na praia! Faça a Inês Brasil e segura essa marimba, mon amour!

Uma coisa que eu adorei foi a mudança de cenário na narrativa, fora do eixo São Paulo/Rio de Janeiro. Amei acompanhar a história dessa garota baiana e seu sotaque arretado. A escrita da Laurinha foi tão incrível que eu conseguia ouvir a voz de Vitória na minha cabeça. Oxe, nosso Brasil tem uma cultura tão rica e repleta de sotaques diferentes que nossos autores deveriam explorar mais isso. A escrita da Laura é uma delícia e eu adoro a forma como ela consegue nos divertir e ainda assim abordar assuntos sérios como insegurança, ditadura da moda, ataques de pânico, brigas de família. A gente se diverte, chora, se identifica e reflete a vida com a protagonista.

Aliás, que protagonista! Acredito que toda mulher tem pouco de Vitória Prata si. Somos todas inseguras com o nosso corpo, temos um certo grau de ciúmes (umas muito mais, outras bem menos e somos muito, MUITO, autocríticas. Isso é o que torna a Vitória uma personagem tão querida: por mais que a gente fique irritada com algumas mancadas dela ou deslizes da sua personalidade (bom, eu pelo menos fiquei com preguiça dela em alguns momentos, mas QUEM NUNCA foi uma mala, né gente), vemos uma mulher forte que luta pelo o que quer.

Outro detalhe que eu também curti bastante nessa nova história foi o elemento de suspense. Uma pessoa (ou pessoas?) misteriosa está ameaçando destruir a fama e a vida de Vitória Prata e de Carol Laine. Passei o livro todo desconfiando cada hora de uma personagem diferente e no fim das contas… a autora me surpreendeu com a revelação final!

Laurinha Conrado, muito Axé pra você e que venham mais e mais livros com personagens tão queridas e apaixonantes e histórias tão reais de amadurecimento e crescimento pessoal que nos deixam com os sentimentos à flor da pele. Obrigada por cada personagem, cada história e cada palavra. Seus livros guardam lições e conselhos, daqueles de melhor amigo mesmo, que a gente leva com carinho no coração pela vida inteira! Ah, e quando sai o próximo?

“Talvez seja essa a verdadeira felicidade: ser tão feliz a ponto de nem se lembrar dela.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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