sexta-feira, 22/09/2017
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Resenha: “O ceifador”, de Neal Shusterman

O ceifadorLivro: O ceifador (#01)
Série: Scythe
Autor: Neal Shusterman (@nealshusterman)
Editora: Seguinte
Páginas: 448
Tradução: Guilherme Miranda
Resenha por: Cine
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Primeiro mandamento: matarás.

A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria… Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador – papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

Eu estava super empolgada para ler esse livro, achei que ia ser repleto de ação e bem diferente, e ele realmente tem muuita coisa boa na história, é bem escrito mas sabe quando você termina uma leitura e fica se perguntando se gostou ou não?

O livro escrito por Shusterman tem uma premissa maravilhosa: Um mundo perfeito onde não há mais doenças, guerras, governo (quem “governa” o mundo é uma espécie de Icloud consciente, hahaha) nem mesmo dor. Seu corpo é programado com células que ajudam você a se recuperar rapidamente de qualquer trauma físico sofrido, incluindo a morte. Sim, as pessoas não morrem mais (gente, sério, que sonho!) e depois de uma certa idade, apenas resetam suas vidas para uma idade que quiserem – desde que seja maior de 21 anos – e vivem suas vidas novamente como bem entenderem, mas ainda com as memórias de suas vidas passadas. Claro que, por conta disso, a população mundial pode crescer demais, então quando a Era Mortal acabou, foi criada uma espécie de irmandade dos ceifadores, em que somente essas pessoas treinadas, estariam aptas a matar os outros para controlar o número da população. Todo ano, esses ceifadores podem ou não escolher jovens como aprendizes, para que no futuro tornem-se como eles e ajudem a humanidade a não sair do controle. Claro que os aprendizes dessa história, Citra e Rowan, não estão nem um pouco felizes com a escolha e com o passar da história começam a ver como o outro lado da moeda, o poder de matar, traz muitos segredos e regras.

A história é contada em terceira pessoa, e de vários pontos de vista além dos personagens principais, o que é um ponto positivo. Livros em primeira pessoa às vezes te impedem de conhecer personagens secundários e O Ceifador consegue distribuir muito bem os capítulos com as histórias de cada personagem que aparece. Claro que algumas histórias foram pura enrolação, tipo aquelas cenas de filmes que você sabe que algo está para acontecer e segundos antes eles mostram alguém super aleatório para o impacto do momento ser visto de outro ângulo, sabe?

A leitura desse livro é fácil, flui rapidamente e não fica muito entediante, apesar de demorar quase metade da história pra engatar uma reviravolta. Não sei se foi pela maneira como o livro foi escrito, mas eu não consegui criar simpatia por Citra ou Rowan. Eu espero que eles sejam mais desenvolvidos no segundo livro, do contrário, vão ser aqueles personagens principais que são facilmente esquecíveis. Eu curti mais os Ceifadores, do que os aprendizes. Aliás, fiquei com uma preguiça eterna do “vilão” da história, viu? Ele tem uma personalidade tão obvia e batida de vilão que não consegui sentir nada por ele.

O final não foi lá uma surpresa, mas achei bem digno de um final de primeiro livro. A partir de um ponto X da história você consegue perceber o que vai acontecer, apesar de algumas reviravoltas que eu não esperava, para chegar no final, foi mais ou menos o que eu imaginei. Acredito que Neal Shusterman conseguiu escrever um bom primeiro livro de uma série, mas eu não sei se realmente vale a pena um segundo livro. Eu acho que tudo terminou tão bem, sem nenhum gancho incrível para uma continuação, que tenho até medo do que pode vir por ai, mas eu tenho alguns meses para decidir se vou seguir com a série ou não, já que sua continuação será lançada na gringa em novembro desse ano!

No mais, acho que esse é o tipo de livro que você consegue ler em um final de semana ou feriado, pois por mais que eu tenha achado previsível, ainda sim é uma leitura gostosinha pela maneira como Shusterman dispõe os capítulos e a história.

”Imortalidade transformou todos nós em desenho animado.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Cine

Jornalista e professora de inglês, vivendo o sonho de morar em Nova York e ainda tentando descobrir se seria possivel viver dentro de uma da Barnes and Nobles. Viciada em cultura, passa os dias tentando decidir que livros ler enquanto tenta se encontrar na vida.

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