quinta-feira, 21/09/2017
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Resenha: “A melodia feroz”, de Victoria Schwab

A melodia ferozLivro: A melodia feroz (#01)
Série: Monstros da violência
Autor: Victoria Schwab (@veschwab)
Editora: Seguinte
Páginas: 384
Tradução: Guilherme Miranda
Resenha por: Juh Claro
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Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos, e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical. Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unirem para conseguir sobreviver.

“Corsais, corsais, dentes e garras,
sombras e ossos abrirão as bocarras.
Malchais, malchais, cadavéricos e sagazes,
bebem seu sangue com mordidas vorazes.
Sunais, sunais, olhos de carvão,
com uma melodia sua alma sugarão.
Monstros grandes e pequenos, cadê?
Eles virão para comer você.”

A melodia feroz é o primeiro livro da duologia Monstros da violência da autora norte americana Victoria Schwab. A história é uma mistura de distopia e ficção e, como não podia deixar de ser, nos deparamos com os Estados Unidos pós colapso político/econômico.

Para se reconstruir, o país foi dividido em dez territórios independentes. O mais imponente e temido é Veracidade (ou Cidade V), composto por humanos e monstros (originados da violência) e dividido em dois lados: o Norte, controlado por Callum Harker, que fez com que todos os monstros “deste lado” sejam sua propriedade; e o Sul, comandado por Henry Flynn, que faz de tudo para manter seu povo sob proteção e tentando manter a “paz” para que não exista uma nova guerra.

Antes de qualquer coisa, precisamos nos situar no mundo dos monstros. Existem três tipos deles: os corsais – que surgem de atos violentos não letais, e perseguem pessoas na escuridão e nos becos escuros e são comedores de carne e ossos, os malchais – que nascem dos homicídios e são pálidos e se alimentam de sangue (quase vampiros) – estes existem em maior quantidade e são controlados por Callum Harker e os sunais – que surgem dos crimes mais hediondos e, apesar de serem muito parecidos com os humanos fisicamente, são os mais temidos dos monstros; além de serem raros.

A narrativa é em terceira pessoa, porém dividida entre dois pontos de vista: Kate Harker e August Flynn. Kate é filha de Callum e sonha em seguir os passos do pai como líder respeitado e temido. August é filho adotivo de Henry e também quer seguir os passos dele, mantendo a paz na cidade. A diferença entre eles é que August é, nada mais, nada menos, do que um sunai. Sim, o tipo mais raro dos monstros. E pior: ninguém sabe da existência de um terceiro sunai… Pelo menos até agora.

August recebe a missão de vigiar Kate em sua nova escola, já que agora ela está de volta à Cidade V e pode causar algum problema desnecessário que resulte no fim da trégua entre os dois lados. August aceita a missão porque poderá, finalmente, sair de casa e aprender a conviver ao lado e como um humano. Ah, sim, August não gosta nem um pouco de ser um monstro e ele luta todos os dias contra isso, apesar de saber que nada poderá fazer com que ele deixe de ser essa criatura tão temida.

Ele tenta se encaixar no mundo humano durante as horas que passa no colégio, até inicia uma quase amizade com um dos garotos do seu ano. Kate já não faz questão alguma de colecionar amigos, o que ela quer é que a respeitem ao saberem quem ela é (ou melhor, quem seu pai é) e que consiga não ser expulsa de mais uma escola, já que agora ela finalmente conseguiu voltar para a cidade. O inevitável acontece e os dois acabam se aproximando (mas nada de pensar em aproximação romântica, pois não tem nada de romance nesse livro!), mas nem tudo é mil maravilhas e alguns problemas vão colocar as habilidades de August e a sabedoria de Kate à prova.

Não vou mentir que demorei bastante para gostar da história e também das personagens. O enredo começa a fluir quase na metade do livro e as divisões da cidade, os tipos de monstros e etc, são muito confusos e não tão bem explicados, então torna a leitura um pouco pesada, já que você tenta entender tudo o que está acontecendo para ligar um ponto no outro. Além disso, não deu para entender muito bem como surgiram os sunais e o porquê “real” da divisão entre Norte/Sul. Espero que estes pontos sejam explicados de alguma forma no próximo livro e que façam sentido.

As personagens “secundárias” também não foram muito bem desenvolvidas, apesar de não alterar tanto a história, algumas delas poderiam ser mais trabalhadas para que fizessem sentido ao longo da trama. No geral o livro é bom, mas acabei achando bem confuso e isso impediu que eu curtisse mais o desenrolar da história.

O segundo (e último) livro, Our Dark Duet (Nosso dueto sombrio, em tradução livre) foi lançado no início de junho no exterior. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Juh Claro

26 anos, formada em Design Digital, cursando MBA em Gerenciamento de Projetos, trabalha como Analista de Projetos em uma multinacional de BPO (aka Contact Center) de segunda à sexta e divide os seus finais de semana e horas vagas entre leituras, shows, viagens e jogos de futebol, quase sempre acompanhada do noivo.

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