quinta-feira, 21/09/2017
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Resenha: “A sombra do vento”, de Carlos Ruiz Zafón

A sombra do ventoLivro: A sombra do vento (#01)
Série: O cemitério dos livros esquecidos
Autor: Carlos Ruiz Zafón (@ZafonOficial)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 399
Tradução: Márcia Ribas
Resenha por: Nina
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Numa madrugada de 1945, em Barcelona, Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sombra do Vento, livro maldito que mudará o rumo de sua vida e o arrastará para um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na alma obscura da cidade, A busca por pistas do desaparecido autor do livro que o fascina transformará Daniel em um homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura.
Numa narrativa de ritmo eletrizante que mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo, Carlos Ruiz Zafón mantém o leitor em estado de contínuo suspense. Ambientada na Espanha franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, A Sombra do Vento é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros.

“Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito se expande e a pessoa se fortalece.”

Como um livro pode impactar nos acontecimentos do resto da sua vida?

Daniel Sempere acordou um dia e não conseguia se lembrar mais do rosto da mãe, que havia morrido algum tempo antes. Para consolá-lo, o pai o leva até o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, ele tem contato pela primeira vez com A sombra do vento, um livro que carregava consigo mais que somente uma história.

Daniel imediatamente se joga na trama e fica fascinado pelo autor, Julián Carax. Porém, depois de encontrar pouca informação a respeito dele, descobre que, por algum motivo, todos os livros de sua autoria estavam desaparecendo. E ele então parte numa aventura jornalística para descobrir o que aconteceu com Carax e por que alguém deseja que seus livros desapareçam para sempre.

O personagem do livro que mais me cativou foi Fermín Romero de Torres. Fermín entra na história como um mendigo que ajudou Daniel num dia que ele tomou uma surra. Depois de um tempo, precisando de ajuda na livraria, Daniel vai atrás do mendigo e dá nele um banho e roupas limpas, e Fermín até chora de gratidão. Se antes passava a imagem de louco, Fermín mostra-se bastante competente na tarefa que lhe foi dada, mas ainda tem que conviver com alguns fantasmas de seu passado.

A trajetória dos outros personagens é explicada em boa medida, ou seja, não deixa a desejar nos aspectos que são relevantes ao enredo. O que é importante saber sobre eles para que faça sentido na jornada que Daniel nos leva (inclusive as próprias experiências que formam o caráter e personalidade desse personagem) é exposto.

A narrativa é bem descritiva e passa bastante contexto do momento histórico e político que Barcelona atravessa, e muitas vezes essa quantidade de detalhes desfavorece o andamento da história e pode até parecer enfadonha. Contudo, é uma característica da escrita do autor que deixa o livro mais ilustrativo. O importante é focar nos personagens.

Zafón é bastante detalhista e tenta criar um ambiente em cada cena que ele descreve. Como dito anteriormente, pode desacelerar a história e fazer com que o ritmo fique menos interessante, mas a recompensa vem da resiliência na leitura. A trama é bem amarrada, porém pode parecer meio complicada para quem não tem o costume de ler suspense. Não é um livro que eu recomendaria para pessoas que estão procurando uma leitura leve e descomplicada.

Uma curiosidade sobre a série é que na primeira página de A Sombra do Vento há um aviso de que não existe uma ordem precisa ou uma cronologia a ser seguida para a leitura dos livros; um detalhe que não provoca perdas no entendimento do universo, pois os enredos são independentes, muito embora estejam conectados. A história tem início, meio e fim e pode ser explorada em qualquer ordem. E eu mal posso esperar pelo próximo!


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Nina Lima

Poderia ser qualquer outra coisa, mas resolveu ser turismóloga e apaixonada pela Inglaterra e pelo McFLY. Leu a trilogia Jogos Vorazes em três dias e amou; considera Harry Potter a melhor série do mundo, adora a escrita da Meg Cabot e topa qualquer YA Book.

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