quarta-feira, 15/11/2017
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Resenha: “Ninguém nasce herói”, de Eric Novello

Química perfeitaLivro: Ninguém nasce herói
Autor: Eric Novello (@eric_novello)
Editora: Seguinte
Páginas: 384
Tradução:
Resenha por: Lais Baptista
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Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

“Contrariando as expectativas, vamos sobreviver.”

Ninguém nasce herói é uma faca no estômago. Sempre que me perguntam sobre o livro essa é a primeira coisa que me vem à cabeça. É forte assim. E parte do motivo para ser tão forte é o fato de que é muito bem ancorado na nossa realidade. É uma situação não tão hipotética assim que é bem fácil de imaginar acontecendo, o que torna muito assustador. Por isso tudo que essa descrição é a primeira que penso e a melhor forma que encontrei de sintetizar o livro.

Mas o livro é mais do que isso, claro. Se fosse apenas uma situação bem pensada ele não teria me impactado tanto quanto impactou. Ele é muito bem trabalhado. Eric Novello trabalhou as personagens de forma muito boa e os conflitos internos de Chuvisco são bem realistas (o fato de eu ter achado eles bem cansativos em alguns momentos pra mim só contam pontos para a realidade). Esse foi o primeiro livro do escritor que li e agora quero buscar os outros.

Falando um pouco mais das personagens, Chuvisco é um ótimo protagonista. Ele, como indica o título, não é um herói. Pelo menos não no sentido esperado da palavra. Ele não é um líder revolucionário, não é o Escolhido (inclusive amei esse título ser usado pelo grande vilão). Ele é um cara simples que não consegue engolir o que está acontecendo e que passa grande parte do livro sem saber o que fazer quanto a isso. E é impossível não traçar paralelos com a nossa situação política atual. Muitos de nós também não estamos felizes com os rumos que o país está tomando, mas estamos tão perdidos quanto Chuvisco.

E é nos seus amigos que ele encontra seu porto-seguro. No seu grupo de amigos que tem algumas coisas em comum, muitas coisas diferentes mas com a cola sendo o amor. Mesmo nenhum deles sendo parecidos com meus amigos, foi muito fácil se sentir dentro do grupo, porque o tipo de amor é o mesmo. A total aceitação de quem eles são, o amor e o carinho um pelos outros, é o que dá a força e a coragem que Chuvisco precisa pra encontrar sua forma de lutar. Eric desenvolveu esse grupo de amigos muito bem. Eu adoro quando os escritores dedicam sua atenção às personagens secundárias e não me decepcionei em Ninguém nasce herói com isso. É fácil se importar com os amigos de Chuvisco, o que deixa alguns momentos do livro bem dolorosos.

Pra mim (e pelo que li, pro escritor), a principal mensagem do livro é sobre esses laços que você forma com as pessoas que você ama e que te dão força para lutar pelo que acredita. Ninguém é invencível sozinho. Normalmente ninguém é invencível ponto. Mas saber que você tem pessoas te apoiando te dá forças. Às vezes para lutar contra um regime opressor, às vezes para sair da casa e enfrentar a vida. Mas em momentos em que o futuro parece assustador, é bom lembrar que, por mais clichê que seja a frase, a união faz a força.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

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