terça-feira, 23/10/2018
Últimas do LeS:
Capa » Notícias » BookCon’18: A mágica da construção de mundos

BookCon’18: A mágica da construção de mundos

Para quem nos acompanhar no Instagram, viu que durante o final de semana passadado rolou o Bookcon em Nova Iorque e nossa equipe esteve mais uma vez presente para a cobertura de um dos maiores eventos literários do mundo.

Nos destaques de nossa página no Instagram (@LivrosEmSerie) vocês ainda conseguem visualizar nossos stories durante o evento que trouxe muita coisa legal, incluindo o trailer de um dos filmes mais aguardados do ano por fãs da literatura Jovem Adulta: O Ódio que você semeia.

Durante essa semana faremos posts aqui e em nossas redes sociais falando um pouco sobre alguns painéis que tivemos a oportunidade de assistir.
Hoje trazemos um resumo de tudo o que rolou no painel: A Mágica da construção de mundos com os escritores Leigh Bardugo, Scott Westerfeld, Sabaa Tahir, Reneé Ahdieh e Marie Lu.

Duas dicas inesperadas sobre construção de mundos de alguns dos maiores nomes da literatura jovem adulta: Assista The Great British Bake Off e se case com um(a) australiano(a).

A sala em que o painel The Magic of World-Bulding foi realizado não só lotou, como teve muita gente em pé para assistir Leigh Bardugo, Scott Westerfeld, Sabaa Tahir, Reneé Ahdieh e Marie Lu no último sábado durante a BookCon 2018.

Antes dos autores subirem ao palco, Bardugo teve um momento de interação com alguns fãs na primeira fileira. “Eu amei sua fantasia”, ela disse para três meninas que foram vestidas como personagens da sua série Grisha. Após esse momento, os autores subiram ao palco e surpresa, surpresa: O assunto de construção de mundos foi logo para o assunto: comida.
“Eu acho que comida realmente constrói um mundo,” Bargudo disse. “Eu quero que seja convidativo ao paladar, e isso é uma verdade tanto se você estiver construindo um mundo de prazer – ou um mundo como Ketterdam, onde tudo tem cheiro de água de esgoto.”

Tahir também declarou usar comida como inspiração.
“Quando eu estava trabalhando em Reaper (terceiro volume da série Uma Chama Entre as Cinzas) – quer dizer, procrastinando e tentando não o escrever – Eu estava assistindo The Great British Bake Off”, ela disse. “Eu estava assistindo e comecei a pensar que Helene é uma padeira.”

Brincadeiras à parte, todos autores concordaram que a linguagem também foi uma parte enorme para a construção de seus mundos de fantasia. David Peterson, criador da linguagem Dothraki para a adaptação de Game of Thrones, ajudou Bardugo com a linguagem de seus livros, Ravken.
“Eu o conheci numa convenção. Ele inclusive criou algumas palavras inspiradas em meu nome, então a palavra para fantasma em Dothraki é na verdade baseada no meu nome. E a palavra ‘escrever’ em valerian é o meu sobrenome. Então a dica é: fique amiga de nerds!”
Tahir disse que a criação da linguagem em seus livros foi um pouco mais preguiçosa. “Quando você fala uma segunda língua, se você fala ela fluentemente, ajuda a construir o seu mundo – especialmente se você é preguiçosa como eu, porque tudo o que você faz é pegar alguma palavra da sua língua nativa, que para mim foi Urdu e Punjabi, e meio que altera um pouco.”

A dica de Scott Westerfeld? Ainda melhor: “O palavreado em Feios é só australiano,” ele disse. “Bem mais preguiçoso que aprender uma segunda língua é casar com uma australiana.”

Um dos pontos mais interessantes na discussão foi quando a experiência de ser um imigrante ou filha de um imigrante entrou em jogo e eles comentaram que isso também ajudou na construção de seus mundos. E o discurso mais aplaudido daquela tarde foi provavelmente o de Bardugo:

“Eu vou jogar um pouco de contradição aqui,” ela avisou. “Mas uma das coisas que tem sido um pouco de chato para mim é ver a hashtag #OwnVoices, que começou como algo superpositivo, mas que acabou indo contra alguns autores menores como se fosse um teste de pureza. ‘Você não é asiático o suficiente para escrever isso, você não é nativo o suficiente para escrever aquilo.’ As pessoas que falam isso ignoram completamente a experiência diáspora. Como uma judia, muitas pessoas vieram atras de mim por conta da minha construção de mundo e linguagem usada.
Se você não gosta do mundo em meus livros está tudo certo, mas se você vai vir me dizer que eu não sou russa o suficiente para escrever isso ou aquilo, é melhor você dar um passa para trás e pensar um pouco sobre o fato de que meus ancestrais foram perseguidos na Rússia, e estuprados, assassinados, e tiveram suas vilas queimadas. Dizer para um judeu que ele não pode escrever sobre tal cultura, e tentar coloca-lo em uma concha literária, e isso não é legal.
Isso é algo que eu vejo várias vezes, onde nossas histórias se tornam propriedade de alguém. Eu não quero escrever um livro de fantasia que é baseado em uma menina morando num vale nos anos 80.”

Além, disso, Marie Lu comentou que muita coisa de seu último livro -Warcross – foi baseado em tecnologia que as pessoas pensam que não existem, mas que na Ásia já são bem conhecidas. E especialmente para esse livro, como ela teve muita pesquisa, ela precisou fazer o inverso do que geralmente faz ao escrever: primeiro se focou na construção do mundo e depois em desenvolver seus personagens.

Scott Westersfeld também apontou algo muito interessante após a discussão de dar mais foco a construção do mundo ou aos personagens: Escritores precisam pensar em seus mundos como um personagem também, porque isso ajudo a ter algo que os personagens do livro precisam lutar contra. Isso faz com que a história se torne muito mais poderosa. Leigh Bardugo inclusive da como exemplo o livro O Sol também é uma estrela, de Nicole Yoon, onde Nova Iorque é como se fosse um personagem porque é tão bem descrita, e é isso que precisamos ter em livros: não importa se é um mundo irreal de fantasia ou uma cidade conhecida no mundo inteiro, o escritor precisa descrevê-la imaginando que ninguém a conhece – porque muitas pessoas realmente não.

Por último, os escritores concordaram que eles têm muita fé nos leitores e que querem que eles tenham a própria imaginação para certas coisas, e que essa é a beleza e diferença entre um livro e um filme.

Sobre Cine

Jornalista e professora de inglês, vivendo o sonho de morar em Nova York e ainda tentando descobrir se seria possivel viver dentro de uma da Barnes and Nobles. Viciada em cultura, passa os dias tentando decidir que livros ler enquanto tenta se encontrar na vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.