sábado, 18/08/2018
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Bookcon’18: De livros para filmes


Um dos painéis mais lotados da Bookcon deste ano foi o Real Reel, onde Angie Thomas, Becky Albertalli, Soman Chainani e Lauren Oliver falaram sobre as adaptações cinematográficas de seus livros.

O inicio do painel foi logo cheio de piadinhas dos autores para Hollywood. “Eu tenho um post-it no meu computador para cada vez que tenho uma ligação com alguém de Hollywood,” Chainani, autor de a Escola do Bem e do Mal, disse. “Na nota eu escrevi: eles estão mentindo.

Lauren Oliver, autora de Antes que eu Vá, que estreou nos cinemas há dois anos, concordou. “Hollywood não é nem de perto confiável como na indústria de livros,” ela disse. “Eu tenho uma regra: Eu nunca pergunto a uma mulher se ela está gravida a não ser que eu possa ver o bebê se mexendo. É a mesma coisa com filmes. Eu espero ate estar na première dele antes de falar algo no Twitter.

Os leitores presentes naquela sala tiveram suas emoções alteradas desde indignação a muitas risadas com as histórias do caos que é ter um livro transformado em um filme. Desde o machismo presente em 99% das produções de Hollywood a reuniões extremamente desconfortáveis. E segundo os autores, os problemas não acabam na fase de preparação – o processo de adaptação é claramente complicado para as pessoas em Hollywood que não estão acostumadas com redes de fast food humildes, como a Waffle House – essa rede não tem um drive thru como os roteiristas de Com Amor, Simon colocaram.

Algumas das ideias que surgiram em relação a essa relação complicada entre indústria dos livros vs indústria dos filmes foram: Inevitavelmente os livros são uma experiência mais pessoal, e eles são minuciosamente revisados em um longo processo pelos editores, que normalmente estão em contato com os autores desde o primeiro dia. A visão artística deles é melhor entendida, contida e executada. Filmes, contudo, são geralmente produzidos por homens ricos, que estão com muitos outros problemas em mãos – marketing, orçamento, ideias conflitantes, exigências do elenco, e por aí vai. A singularidade de escrever simplesmente não pode ser replicada pela indústria dos filmes.

Além disso, os escritores comentaram que uma das coisas mais difíceis quando seus livros são transformados em filmes, é a parte de aprender a não ter mais o controle das coisas.

Após essa conversa, o humor da sala mudou um pouco quando Angie Thomas, autora de O Ódio que você semeia, descreveu o seu primeiro dia no set do filme. “Eu chorei,” ela disse. “Todas essas pessoas estavam do lado de fora da igreja e nela dizia ‘Igreja Templo de Cristo’- que é o nome que EU inventei. De alguma maneira alguém FEZ UMA PLACA baseado em algo que eu criei na minha cabeça… quer dizer, eu criei uma igreja!

Os outros escritores também seguiram o fluxo da conversa iniciada por Thomas, detalhando experiências super humildes de ver atores dando vida a personagens fictícios, entrando em quartos que só existiam na cabeça deles, e ter conversas com designers do set, roupas, diretores que leram – e amaram – seus livros. “Me mostrou que eles respeitam a fonte de pesquisa do material … e a fonte original dessa fonte de pesquisa,” disse Thomas.

Ao final do painel, ficou bem evidente o espírito de colaboração que é preciso ter para criar uma história. “Para ter uma paixão, você precisa ter um agente,” Oliver disse. “Você realmente quer alguém que veja as coisas de uma maneira diferente que você vê, você quer dar a eles o espaço para criar, e colaborar com o seu trabalho.
E Thomas finalizou adicionando a fala de Lauren Oliver: “Filmes e livros são como o filme Operação Cupido… Eles são irmãos gêmeos fraternais criados por dois casais diferentes de pais.

Sobre Cine

Jornalista e professora de inglês, vivendo o sonho de morar em Nova York e ainda tentando descobrir se seria possivel viver dentro de uma da Barnes and Nobles. Viciada em cultura, passa os dias tentando decidir que livros ler enquanto tenta se encontrar na vida.

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