Resenha: “Fallen”, de Lauren Kate
Livro: Fallen
Série: Fallen
Autora: Lauren Kate
Editora: Galera Record
Páginas: 256
Resenha por: Nina Lima
Há algo estranhamente familiar em Daniel Grigori. Misterioso, ele captura a atenção de Luce Price desde o momento que ela o vê em seu primeiro dia no internato Sword & Cross, em Savannah, Georgia. Ele é o único brilho em um lugar onde celulares são proibidos, os outros alunos são toscos e câmeras de seguranças acompanham todos os movimentos. Mesmo que Daniel não queira nada com Luce, e faz com que isso fique bem claro, ela não consegue deixar pra lá. Atraída por ele como uma mariposa é atraída por uma chama, ela tem que descobrir o que Daniel está tão desesperado pra esconder, mesmo que isso possa matá-la.
Quando li as primeiras sinopses de Fallen, imaginei toda uma trama com aqueles elementos clichês de toda história: um amor irremediável, o vilão que quer matar a mocinha e o herói que cai do céu para salvá-la. Imaginei que Fallen seguiria apenas aquela receitinha de sucesso bem básica para agradar as românticas incuráveis. E fiquei feliz por ter me enganado um pouco com essa história!
Com tantos personagens – alguns bem desenvolvidos; outros, nem tanto, – o enredo te faz suspeitar de tudo e de todos: não dá pra saber quem é do bem ou quem é do mal. À medida que a história vai se desenrolando, as desconfianças mudam de direção, voltam e mudam de novo, num festival louco para etntar adivinhar em que lado cada um está.
Um dos personagens que mais deixaram a desejar, na minha opinião, foi a personagem Gabbe: ela aparece poucas vezes no livro e merecia uma descrição mais bem elaborada, tanto do seu caráter psicológico, quanto de suas ações. Eu poderia citar mais inúmeras perguntas que eu me fiz durante a leitura do livro, mas acredito que a autora vai procurar responder cada uma das lacunas nos próximos volumes da série.
Outro dos mistérios da série é que não fica claro o motivo de Luce ter ido parar num internato para adolescentes problemáticos. Tudo o que se sabe é que o ex-namorado dela morreu de maneira muito suspeita e que, de alguma forma, ela foi considerada culpada. Como ele morreu não se sabe, uma vez que Luce tem poucas lembranças daquele dia.
Quanto ao casal – ou triângulo, – principal, não sei porque cargas d’água, dessa vez eu torci pro ‘vilão’. Apesar de sua índole e suas boas intenções, Daniel Grigori não é o que eu chamaria de personagem carismático, pelo menos na primeira parte (porque no fim, eu estava completamente alucinada por ele hahah), enquanto seu antagonista, Cam, a todo momento se mostra mais real que Daniel, mais presente, mais solícito. É uma das melhores apostas da série.
Apesar de já ter comentado, acredito que a maior sacada de Fallen seja mesmo o lance do mistério, de não se saber o que vai acontecer, quem vai fazer e quem é bom ou mal. Isso nos deixa encucadas até o último momento, quando o gran-finale acontece, deixando todos estupefatos.
O caso é que esperar a continuação vai ser um sofrimento sem fim, pois a própria levada do enredo dá aquela deixa de que tudo pode mudar no vlume seguinte e os bons podem virar maus e os maus virarem bonzinhos e/ou o bem e o mal podem trabalhar juntos numa causa maior, e é por isso que eu mal consigo segurar a ansiedade para ler o próximo!
Resenha: “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley
Livro: Senhora da Magia
Série: As Brumas de Avalon
Autora: Marion Zimmer Bradley
Editora: Imago
Páginas: 252
Resenha por: Nina Lima
Neste romance, a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das vidas, das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central. Pela primeira vez, o mundo arturiano de Avalon e Camelot, com todas as suas paixões e aventuras – o mundo que, através dos séculos, cada geração recriou em incontáveis obras de ficção, poesia, drama – é revelado, como se poderia esperas, pelas suas heroínas – pela rainha Guinevere, mulher de Artur; por Igraine, mãe de Artur; por Viviane, a impressionante Senhora do Lago, Grande Sacerdotisa de Avalon; e principalmente pela irmã de Artur, Morgana, também conhecida como Morgana das Fadas, como a Fada Morgana – como feiticeira, como bruxa – e que nesta épica versão da lenda desempenha um papel crucial, tanto na coroação como na destruição de Artur. Trata-se, acima de tudo, da história de um profundo conflito entre o cristianismo e a velha religião de Avalon.
Quem nunca ouviu lendas sobre o Rei Arthur e sua Távola Redonda, que tratava seus cavaleiros como iguais, o rei justo e bondoso? É mas nem só de rosas o reino de Arthur foi composto e muito sangue, ódio e traição também foram ingredientes importantes na construção da obra de Marion Zimmer Bradley. Contado a partir da perspectiva das mulheres que rodeavam o rei, As Brumas de Avalon é uma coleção que mostra uma percepção mais sensível (e não menos brutal) da Bretanha Celta e da misteriosa Avalon e seus segredos.
Neste primeiro volume, A Senhora da Magia, conhecemos um pouco do contexto antes de Arthur e mesmo antes da bandeira do Pendragon reinar na Bretanha. Conhecemos a jovem Igraine e sua filha Morgana, e como essas duas personagens são de fundamental importância no futuro de todo um reino; há também Viviane, a Senhora do Lago, Sacerdotisa da Deusa – e irmã de Igraine, – que, com a Visão, tem uma privilegiada posição e influência sobre os demais e faz a história correr seu curso.
Durante toda a narrativa, foi possível entrar de cabeça na Bretanha Celta e sentir um pouco dos costumes daquela época, onde os casamentos eram arranjados – e não podiam ser questionados, vale lembrar, – e as mulheres não eram mais do que as senhoras de suas casas e cabides para jóias e fitas dadas pelos seus senhores. A realidade de Avalon era diferente: a Deusa só se comunicava com as mulheres, as quais tinham de ser consultadas e sua sabedoria era respeitada como sendo vindas da própria Deusa.
Um dos debates que eu acho mais interessantes durante toda a obra é questão da religião. De um lado, há os pagãos, ou seguidores da religião antiga (antes de Jesus Cristos), e há os cristãos, pregadores de um Deus único e vingativo. Quando contrapostas, é possível perceber o quão primitivos eram os ensinamentos da igreja cristã em relação aos da antiga religião (os que cultuavam a Deusa). É óbvio que não há como comparar os cultos e ritos antigos com os de hoje, pois a igreja retratada na obra é muito diferente dos cultuados hoje em dia.
Como já citado anteriormente, o papel da mulher é algo fundamental nos cultos à Deusa, e a história, seja ela de ficção ou não, costuma a falar sempre de seus heróis e nunca de heroínas (salvo Joana D’Arc, uma das poucas heroínas). E nessa coleção é possível acompanhar a construção da heroína, Morgana, nesse caso, desde pequena – em paralelo com a preparação e ascenção do Grande Rei Arthur.
As Brumas de Avalon não é uma obra recente: foi publicada entre os fim dos anos 70 e início da década de 80, mas é um clássico atemporal. E também vale lembrar que a coleção é a parte final de toda uma série, composta por Queda de Atlântida (volume I e II), e Ancestrais de Avalon (póstumo e encerrado por sua colega), Casa da Floresta, Senhora de Avalon e Sacerdotisa de Avalon. Embora não comprometam o entendimento da série, os outros livros são tão interessantes quanto, e fazem dessa aventura literária uma experiência sem igual.
Resenha: “Os sete”, de André Vianco
Livro: Os sete
Série: Os sete
Autor (a): André Vianco
Páginas: 383
Editora: Novo Século
Resenha por: Patoka
Uma caravela portuguesa naufragada há cinco séculos é descoberta no litoral brasileiro. Dentro dela, sete cadáveres aprisionados em uma caixa de prata, acusados, na época, de bruxaria.
Universitários irão estudar os cadáveres, que estão em perfeito estado de conservação… Será que estão mesmo mortos?
Lastimável a minha demora para fazer esta resenha. Li esse livro 8 anos atrás e precisei relê-lo para lembrar de muitos detalhes. O que não foi nem um pouco doloroso! =P
André nos apresenta um grupo de vampiros portugueses de 500 anos. E nem pense em comentar “Ah, vampiros de novo?”. Pois é. Apesar do tema já batido, você não se arrependerá de dar uma chance a esse livro, que junto com Sétimo, é o gancho para a trilogia “O turno da noite”.
Além do fato de serem vampiros bem malvadinhos – eu diria “normais” – cada um deles possui um poder: criar tempestades e mudar o tempo, fazer gelar qualquer coisa ou lugar, acordar os mortos, virar lobo, mudar de aparência … e mais dois que não posso contar sem que vire spoiler. “Inverno” é sem dúvida, o vampiro mais aclamado entre os sete vampiros do Rio D’Ouro, mas todos têm uma importância essencial e mesmo sendo um tremedo FDP, Sétimo também tem lugar garantido no coração dos fãs!
Mas na minha opinião, o grande trunfo de André, foi ambientar a história no Brasil. Mesmo que no início você estranhe um vampiro fazendo estrago no aeroporto de Guarulhos, é bom poder situar-se nos acontecimentos, poder visualizar cada ação como se fosse na sua rua!
Outra grande sacada, é a descrição que o autor faz, dos vampiros que acordaram nesse século, maravilhando-se com objetos, transportes e tecnologias atuais. É possível ver que os vampiros não são maus o tempo todo. Conseguem ter curiosidade sobre o que os rodeiam, socializam e só atacam quando são ameaçados ou sentem fome. Exatamente como faria qualquer ser, instintivamente! A passagem que descreve os vampiros tentando entender a luz elétrica é fantástica! André escreve muito bem. Narra cenas de ação ou sexys com o mesmo louvor!
Existe também romance e grandes amigos que colocam a amizade a prova em diversas situações, mas nada meloso ou que divida o foco com os seres imortais!
O mais importante, talvez seja o fato de que André traz de volta aquele sexto sentido que faz você acreditar que depois que anoitece, coisas ruins podem acontecer. Não leia à noite! Principalmente se estiver sozinho!
Resenha: O último olimpiano, de Rick Riordan
Livro: O último olimpiano
Série: Percy Jackson e os Olimpianos
Autor (a): Rick Riordan
Páginas: 383
Editora: Intrínseca
Resenha por: Nanda / Lili / Laís
Sinopse: Os meios-sangues passaram o ano inteiro preparando-se para a batalha contra os Titãs, e sabem que as chances de vitória são pequenas. O exército de Cronos está mais poderoso que nunca, e cada novo deus ou semideus que se une à causa confere mais força ao vingativo titã.
Enquanto os Olimpianos se ocupam de conter a fúria do monstro Tifão, Cronos avança em direção à cidade de Nova York, onde o Monte Olimpo está precariamente vigiado. Agora, apenas Percy Jackson e seu exército de heróis podem deter o Senhor do Tempo.
Nesse quinto e último livro da série, o combate se acirra e o mundo que conhecemos está prestes a ser destruído. O destino da civilização está nas mãos do semideus anunciado na antiga profecia, e Percy está perto de completar dezesseis anos – a dúvida é: o herói será ou não capaz de tomar a decisão correta?
Depois de quatro livros eletrizantes, chegou a volume que nos guia para a descoberta do destino do semideus Percy Jackson – pelo menos até The Lost Hero ser lançado. Em O último olimpiano, o herói e seus amigos estão destinados a travar a batalha final contra Cronos, o Senhor dos Titãs e Nova York, o lar do Olimpo, não poderia deixar de ser o cenário dessa história.
É hora de desvendar os mistérios do destino de Percy, Annabeth, Grover, Tyson, Rachel e até mesmo do vilão Luke. Depois de quatro livros enfrentando missões diversas (desde o confronto com Medusa até o mergulho nos mistérios do Labirinto de Dédalo), a temida profecia dos dezesseis anos, que nos deixa curiosos e apreensivos desde o Ladrão de Raios, o primeiro volume da saga, finalmente é explicada. Além disso, você conhece outros personagens, novos heróis, deuses que ainda não haviam sido citados, como Héstia, uma deusa importantíssima para o desfecho. Nesse quinto livro, a batalha toma proporções gigantescas e o ritmo da narrativa é impressionante. Percy enfrenta desafios a cada capítulo e preparar-se para a batalha e liderar Acampamento Meio-Sangue são caminhos cheios de obstáculos. E você se vê grudado ao livro, de coração na mão.
Vale destacar a solução encontrada por Rick Riordan para travar uma guerra em meio a maior metrópole do Ocidente, com pessoas circulando invariavelmente: inteligentíssima! Não deixe de reparar neste detalhe, que é mais uma prova do vasto conhecimento do autor sobre as antigas lendas gregas.
O escritor nos leva ao mundo da Mitologia Grega, habitando por incontáveis personagens interessantes, apresentados sob o humor singular de Riordan, fazendo com que sua obra seja ainda mais cativante. A finalização da história é um pouco clichê, mas agrada bastante. É difícil não se apaixonar pela leitura fácil e leve, cheia de aventura, banhadas em verdadeiras aulas sobre cultura grega.
Não dá para compartilhar a história inteira e enfatizar todo o talento de Rick Riordan. O mais legal é ler este último e fascinante volume – o mais rápido que você conseguir! O Último Olimpiano encerra a saga já deixando saudades, mas deixa a porta aberta para novas aventuras com novos personagens (já anunciadas e em produção). Ao que tudo indica, para o nosso alívio e consolo, não ficaremos totalmente carentes de Percy Jackson, apesar da falta que suas aventuras farão.
Resenha: Amanhã, Quando a Guerra Começou

Livro: Amanhã, quando a guerra começou
Série: Amanhã
Autor (a): John Marsden
Páginas: 256
Editora: Fundamento
Resenha por: Lili
O que você faria se descobrisse que todo o mundo que conhece deixasse de existir da noite para o dia?
Ao voltar de uma semana de acampamento, Ellie e seus amigos descobrem que a cidade em que viviam foi invadida por um inimigo desconhecido. Suas famílias foram aprisionadas e uma guerra está acontecendo em seu país. Agora, eles estão sozinhos em uma cidade sitiada, lutando para descobrir o que aconteceu com seu país e tentando sobreviver.
AMANHÃ é a história de uma aventura extraordinária em tempos extraordinários, em que esconderijos, explosões e fugas passam a fazer parte da rotina desse grupo de amigos. Sozinhos e sem ter para onde ir, Ellie e seus amigos vão precisar de toda a coragem e ousadia para sobreviver.
Amanhã, quando a guerra começou é o primeiro livro da série que foi escolhida como a mais fascinante pelos jovens leitores nos EUA, na Suécia e Austrália. Uma história que prende o leitor do início ao fim. Amanhã, quando a guerra começou vai ficar na sua memória para sempre.
Três palavras definem Amanhã: arrebatador, criativo e estimulante.
A história de Ellie e seus amigos inicia despretensiosa, com o ar de roteiro de Sessão da Tarde e suas incontáveis repetitivas narrativas de aventuras adolescentes. É um pouco de difícil engolir os primeiros capítulos: o acampamento organizado para ser um momento de diversão em meio a um feriado é até um pouco entediante, apesar de conter um misteriozinho no ar por conta do próprio local que eles decidem explorar. Esse ponto exige paciência e a leitura segue porque você se agarra ao título, que de início já anuncia uma guerra.
Entretanto, esse marasmo inicial se mostra crucial: os jovens, por total desinteresse, desconhecem a realidade política tensa do seu país. Pausa para reflexão: realmente sabemos o que tem acontecido na complexa trama internacional? Nos importamos o suficiente? Essas perguntas me surpreenderam durante a leitura. Quando retornam da diversão, encontram um cenário totalmente caótico, casas vazias, animais morrendo de inanição, falta de telefone, água, energia. A narrativa sincera e rápida toma um ritmo envolvente, entre as investidas do grupo e os questionamentos, as dores e o medo, a raiva e necessidade de se manterem escondidos.
Um dos triunfos de John Marsden é manter a narrativa em primeira pessoa, na voz de Ellie. Sem a onisciência, a protagonista narra as ações descrevendo as emoções com vivacidade, nos colocando dentro do grupo, fazendo o coração palpitar e a respiração suspender. A visão próxima dos acontecimentos, o passo a passo dos planos para atingir os invasores assumem uma visão interessantíssima nos olhos da moça.
Ellie também é extremamente sincera nas suas anotações e completamente parcial: tem opiniões sobre seus amigos e as deixa impressas no papel, o livro é um espécie de diário. Mais um ponto para o autor, já que personagens-narradores não podem saber demais e muito menos serem imparciais ao descrever pessoas; a narradora é exatamente assim.
A construção dos personagens é complexa, cada jovem tem uma personalidade marcada, são diferentes entre si, com qualidades e defeitos, com erros típicos da adolescência, com a coragem que surge da necessidade. Não há heróis, não há sentimentos puramente nobres, não há patriotismo inexplicado. Os amigos continuam sendo adolescentes e as dúvidas e interesses típicos da idade – inclusive amorosos – não somem.
O livro termina em um momento de extrema tensão, deixando questionamentos para o próximo volume. Amanhã, quando a guerra começou é uma ótima abertura para série, bem construído, sem revelar demais, deixando muita coisa para o que ainda tem para vir. Em um mundo de livros fantásticos, a saga é um ar fresco renovador que chama atenção para outros parâmetros: para o caos da realidade, para o absurdo da humanidade.
Resenha: “Caçadores de Bruxas”, de raphael Draccon
Livro: Caçadores de Bruxas
Série: Dragões de Éter
Autor (a): Raphael Draccon
Páginas: 256
Editora: Planeta (a reedição está sendo lançada pela Ed. Leya)
Resenha por: Lili
Com diversas referências contemporâneas, que vão de séries como Final Fantasy a contos de fadas sombrios, passando por bandas de rock como Limp Bizkit e Nirvana, o autor constrói, com extrema habilidade, uma narrativa em que romances, guerras, intrigas, fantasias e sonhos juvenis se entrelaçam para construir o final poético desse fantástico quebra-cabeça. Essa obra, que é a estréia do roteirista Raphael Draccon na literatura, combina fantasia, história antiga e aventura na medida certa, de uma maneira revolucionária em relação aos demais livros do gênero.
Um mundo fantástico, belo, complexo e bem construído, repleto de personagens que você acha que conhece. Isso mesmo, você só acha que conhece, porque depois que você entrar em contato com eles em Nova Ether, a sua referência aos clássicos infantis sofrerá uma revolução. Não toque neste livro se você quiser continuar lembrando-se de Chapeuzinho Vermelho apenas como a menininha que foi levar doces para a vovozinha.
A visão graciosa, realista e completamente criativa de contos de fadas é apresentada nas páginas de Caçadores de Bruxas, em que os protagonistas das histórias da sua infância são amigos e vivem na mesma terra. Genial na mesma medida que é compreensível e revigorante. Cada ser que habita o enredo tem sua personalidade marcada e juntos desencadeiam uma história impossível de largar e prazerosa de se ouvir.
Você leu certo: ouvir. O narrador conta a história e, em certos momentos, você tem certeza de que ele está sentado na sua frente conversando, gesticulando e explicando cada detalhe deste mundo encantado. O contato próximo entre autor e leitor transforma a narrativa em um deleite a parte.
Vale destacar que não é somente de contos de fadas que vive este reino, mas de incontáveis referências à música, à História (aquela com H maiúsculo) e à literatura mundial, divertidas de se encontrar, que surpreendem a cada página virada. Quando você se dá conta, lá está Raphael Draccon novamente, mudando os seus antigos parâmetros sobre esse ou aquele assunto.
Seria injusto com o leitor detalhar melhor o enredo. Draccon é um contador de histórias infinitas vezes melhor do que eu. E é por isso que é um dos jovens escritores brasileiros de maior sucesso da atualidade, que viu seu livro de estreia esgotado, vendendo como os grandes. O êxito é merecido, o autor e seu mundo possuem todos os atributos para tornarem-se um clássico.
Resenha: Rangers: Ordem dos arqueiros 5
Livro: Feiticeiro do norte
Série: Rangers: Ordem dos arqueiros
Autor: John Flanagan
Paginas: 288
Editora: Fundamento
Resenhado por: Patoka
Depois de vários anos de dedicação e inúmeros perigos, Will conclui seu aprendizado e se torna, finalmente, um arqueiro.
Sua primeira tarefa sem a supervisão de Halt é assumir o posto de guardião do feudo de Seacliff, uma ilha localizada num setor tranquilo do reino. É o trabalho ideal para um arqueiro recém-formado. Entretanto, diferente do que se poderia imaginar, a estada de Will em Seacliff não será nem um pouco tediosa.
Will recebe a visita de uma velha amiga, Alyss, que lhe fala sobre a misteriosa doença de lorde Syron, o senhor do castelo de Macindaw, no extremo norte. Ela conta que a população local está aterrorizada com os rumores de que um terrível feiticeiro é o responsável pelo mal do lorde.
Então, uma difícil tarefa é dada a Will – descobrir a verdade. Para realizá-la, ele parte rumo à floresta Grimsdell, onde é assombrado por vozes sinistras e pelo assustador Guerreiro da Noite. Esses acontecimentos o fazem pensar se há explicação racional para aquilo… ou se feitiçaria existe de fato.
Sem saber em quem confiar em meio a tantas superstições, boatos e inexplicáveis aparições, Will pode contar apenas com seu treinamento, suas habilidades e a inteligência para sobreviver. Mas talvez isso não seja o bastante…
Will finalmente conseguiu sua tão sonhada Folha de carvalho de prata. Agora ele é comprovadamente um arqueiro. E dos bons.
Porém, nem só de fama é possível sobreviver e se manter no topo. Will parte em sua primeira missão solo e quer, de todas as maneiras, provar para Halt, seu mestre, que aprendeu tudo e que sabe se virar.
O arqueiro novato é mandado para um feudo distante, para averiguar a súbita doença do senhor do castelo e algumas aparições sobrenaturais no local.
Pela primeira vez na série, o livro fica meio tedioso. A impressão que se tem, é que John Flanagan construiu uma ponte para o próximo livro. A quantidade de detalhes sobre o treinamento dos arqueiros, suas técnicas de camuflagem e raciocínio rápido surpreende. Mostra o quanto o autor pesquisou para a construção do volume, porém, contrabalança com a vagarosidade do desenrolar da história.
Will tenta repetidamente, livrar-se das situações relembrando o que aprendeu com o mestre. Poucas vezes tem êxito. A maioria expõe os pequenos erros que o arqueiro comete, o que o faz perceber que não está totalmente preparado.
Rangers: Ordem dos Arqueiros – O feitiçeiro do norte é de longe o livro mais lento da série, com poucas ações. Mas isso pode ser compreensível pelo fato de apresentar novos personagens. A esperança é que esse seja um volume atípico e que no próximo volume, Will, Horace e Halt voltem a enfrentar missões juntos.


























