quinta-feira, 23/09/2021
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Quando o cinema e a literatura se encontram

Dois best-sellers da literatura, vindos de países com uma cultura cinematográfica imponente e repleta de peculiaridades, trocaram suas impressões sobre o cruzamento entre o cinema e a literatura no encontro “Da mesa à tela”, que lotou o espaço do Café Literário. No econtro, mediado pelo jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca, de O GLOBO, o americano Scott Turow e o francês Marc Levy refletiram sobre a possível influência da linguagem cinematográfica em seus processos criativos, na construção dos personagens, enredo e estrutura de seus romances.

– Não acho que o cinema influencie a minha forma de escrever – disse Levy, que veio à Bienal para o lançamento de “Tudo aquilo que nunca foi dito”, que espelha a conturbada relação póstuma entre um pai e uma filha.

Traduzido em 43 idiomas e com mais de 23 milhões de livros vendidos, o autor teve o seu romance “E se fosse verdade” adaptado às telas em 2005, com produção de Steven Spielberg, e com os atores Reese Witherspoon e Mark Ruffalo no elenco.

– Acho que a liberdade de escrever deve ser sempre maior do que a ideia de se pensar num possível roteiro. Em um romance, tudo é possível para um escritor, já num roteiro, há certos preconceitos e limitações.

Turow, que listou “Bonnie e Clyde”, “O poderoso chefão” e “Os imperdoáveis” como seus filmes prediletos, também não acredita que o cinema tenha transformado a sua relação com a prosa.

– Não acho que escrevo pensando num possível filme, e até hoje acho que os filmes não influenciam o que eu escrevo. É claro que, até certo ponto, há uma relação. Houve um tempo em que não conseguia desvincular o rosto de Harrison Ford do protagonista de “Acima de qualquer suspeita”, mas depois consegui recobrar a minha ideia daquele personagem.

Famoso por narrativas que investigam a relação entre o homem, a sociedade e o sistema jurídico, Turow já teve obras como “O ônus da prova”, “Erros irreversíveis” e “Declarando-se culpado” vertidas em telefilmes. Agora, ele terá o seu mais novo romance, “O inocente”, lançado nesta Bienal, transformado em cinema. A adaptação, comandada pelo canal de TV a cabo TNT, terá Bill Pullman como o ex-promotor e agora juiz Rusty Sabich. Acostumado com os cortes e as releituras guiadas por roteiristas e diretores, Turow se diz resignado quanto às alterações de seus escritos.

– Na primeira vez que estive num set, o diretor me disse que eu teria que entender que de fossem levar o meu livro inteiro para o cinema, faríamos um filme de 14 horas. Então não há jeito. O filme é uma condensação, é preciso editar, lidar com uma realidade produtiva e comercial. É claro que muita coisa se perde, por isso é a seleção criteriosa dos cortes que determina o sucesso da adaptação.

Autor de 12 romances, Levy já teve dois outros livros transformados em filmes na França. O primeiro deles, “Vismayathumbathu” (2004), foi baseado – apesar de não ter recebido créditos – na novela “If only it were true”. Já em 2007 foi rodado “Où es-tu?”, dirigido por Miguel Courtois, e um ano depois “Mes amis, mes amours” (2008), dirigido por sua irmã, a cineasta Lorraine Levy. O escritor que também terá o seu novo romance levado às telas, diz que prefere se manter distante do trabalho dos roteiristas e diretores, e caso o resultado não o agrade…

– Peço para que retirem meus créditos. Mas isso nunca aconteceu. Deixo cada um fazer o seu trabalho, até porque em Hollywood não há outro jeito. E eu também não gostaria de trabalhar e escrever com alguém pendurado no meu ombro dizendo como se deve fazer. É claro que os filmes são diferentes, porque o diretor também é um autor. E sua inteligência deve ser respeitada.

Numa pergunta levantada pela plateia e direcionada a Scott Turow, o 11 de Setembro foi lembrado e o autor deixou claro que o imaginário americano, tanto o literário como o cinematográfico foram alterados pelo atentado terrorista que completou 10 anos neste domingo.

– Foi um acontecimento épico, que marcou a vida de toda uma geração. Foi transformador e muito difícil de lidar, mas acho que mudou para melhor a forma de os americanos olharem a vida, não só para si, mas também para o resto do mundo.

Creditos.

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

Um comentário

  1. Adoro Marc Levy, tenho os livros E se fosse verdade… e Encontrar você, e, na minha humilde opinião ganham de 10 a 0 do filme…

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